“QUANDO AS SOMBRAS AMEAÇAM O CAMINHO, A LUZ É MAIS PRECIOSA E MAIS PURA."

(Espírito Emmanuel, in "Paulo e Estêvão", romance por ele ditado a Chico Xavier)

Meus Amigos e blogAmigos!

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

PELO FIM DO SACRIFÍCIO DE CÃES BEAGLES! ABAIXO-ASSINADO!


Na internet uma polêmica publicada por diversos sites, e que já ganhou repercussão internacional: um ABAIXO-ASSINADO para o governador paranaense Orlando Pessuti, pedindo o fim do uso e SACRIFÍCIO DE CÃES BEAGLES em experimentos científicos na Universidade Estadual de Maringá (UEM).

Diz o texto:

“Embora determinados experimentos conduzidos pelos pesquisadores da UEM possam auxiliar na formulação de medicamentos para humanos, o que seria, supostamente, um bem, o mal infringido aos Beagles em tais experimentos em muito supera o suposto beneficio. Beagles são cães extremamente dóceis, inofensivos, companheiros, inteligentes e sensíveis. Por serem hiperativos necessitam de espaço amplo e de atividade física constante. Além disso, um Beagle pode viver até 18 anos. Os canis do Biotério são, assim, insuficientes para esses cães, que precisam viver ao ar livre para terem equilíbrio físico e emocional. Por outro lado, a condução de experimentos, que incluem “procedimentos na área de técnica operatória e cirurgia experimental”, entre outros, constitui um ato de crueldade por impingir a esses cães sofrimento inigualável e por privá-los do direito à vida”.

Três doutores da UEM alegam suficiente o fato de seguir as regras da Sociedade Brasileira de Ciência em Animais de Laboratório e confirmam a reprodução e uso de ratos, camundongos e cães BEAGLES em experimentos para os cursos de Medicina, Farmácia, Odontologia e Enfermagem, Psicologia, Ciências Biológicas e Medicina Veterinária, e dos programas de pós-graduação em Ciências Biológicas, Biologia Comparada, Análises Clínicas, Ciências Farmacêuticas, Ciências da Saúde, Odontologia e Psicologia.

¿Você consegue fechar os olhos pra isso?

¿E o coração... também?











Imagens: by web

domingo, 22 de agosto de 2010

FIM DE PLANTÃO NO BUQUE

Domingo alto. Quase meia. Noite veranosa, besourando o chão da luminária azeitonamente. Final de 1986. Maringá; Avenida Colombo. Hotel rotativo nas cercanias do Viaduto Tuiuti. Marafonas. Algazarras etílicas.

Nêgo num presta mêmo! Quand’é muleque só si apega no do aleio, e quand’ vira ômi só presta pra batipau... ficar encostado em buque. – disse agravosa Duvirge, a sarará com vista obumbrada, saracoteante, à amiga de vetusto ofício, Escolástica, nome-de-guerra Fulorzinha.

Ambas com pernas trôpegas, cervejadas, pingadas. Fulorzinha, com a glote ruidosa, arfava feito uma vaca corrida no pasto. Calada. Bituca embrasando queimante entrededos.


Zé Doca, o tira crioulão hibridado, metro-e-noventa-e-sete, sentindo sua pilha de músculos ser flechada nos brios, tratou logo de impor silêncio à navalhante voz canosa.

– Se tu não parar com essa de nêgo, já já vou lhe danificar a terceira geração,
sua jia!!

Sob plácidos passos, porém largos, segurando um punho fêmeo em cada mão, o tira se deteve à porta da cela-3. Largou as presas recostadas na parede, equilibradas nas magras pernas. Enfiou a rechonchuda mão – ferramenta de iniciais corretivos quando preciso – no bolso da cotiada calça de brim, tirando um molho com seis chaves e um penduricalho de brinde.

Rotineiro, sem sequer olhar o alvo, olhando pras duas "freguesas" Zé Doca enfiou certeiro a chave maior no desgastado buraco da fechadura. Rodou. Cléque! Empurrou rangente triste a porta de ferro, que se abriu seca chorante.

– Pronto, gente boa! Podem se acomodar que a conta do dormitório hoje já 'tá paga... pelo povo! Mas a comida sou eu quem dá. É só me encher mais um pouco. Tem pau de manhã, pau no almoço, um “cházinho” às três e pau-de-arara de noite, que é pro hóspede não se incomodar com falta de agasalho; aqui deita aquecido.

Nada daquilo ouviram nem riram. Elas. Nada. Entupid'ouvidos com bagaços de canas, camas, e brincos bijouteiriços.

Duvirge, arrotava dragãomente aguardente ordinária e lúpulos; jogou o ébrio corpo travado sobre a parte inferior do beliche de verde concreto nu da cela. Babando o bambo sutiã adormeceu, mais frouxa que barrigueira de cavalo velhaco.

Escolástica, zombada pelo destino até no próprio nome, analfabeta, mal se sustendo nos gambitos, rendera-se à friúra do piso; a cama do alto do beliche lhe parecera o Everest! Amodorrou-se ali mesmo, encolhida feito fosse ferida.

Chuva fina. Raros trovões. Relâmpagos longínquos riscavam seus fósforos. À calma madrugada no buque sucedeu a luz do dia novo em folha. Ressurgiu a vida normal. Mas difícil. Cabeças pesadas, toneladas.

Segunda-feira. Fim do plantão do fim de semana. Oito e meia. No Gabinete do delegado:

– Pronto pros depoimentos das muié, seo Dotô!

As duas rameiras. Frente-a-frente com o delega no buque, cabelos de vassoura velha. Prantivas crocodilosas, de plano aventuraram-se a assoalhar de argumentos a “injustiça” do xilindró lhes aplicado pelo tira Zé Doca. Discorriam juntas o palavrório baralhado, em coro, ao delegado.

Gravata torta em colarinho, nó frouxo. Mão esquerda no queixo, cabisbaixo, fingindo ouvi-las, o doutor delegado cofiava a grisalha barbicha. Com a mão direita riscava um papel comum com a caneta-de-brinde barata.

De súbito, entojado pelo cheiro de álcool dormido, o delegado levantou a cabeça e as interrompeu, voltando-lhes a palma da mão direita em basta!:

– Zé Doca, não vou tomar depoimento nenhum hoje! Solt'essas pestes!! O fogo delas já apagou. Abre vaga aí na nossa pensão...

Confiante no subalterno, o delegado desviou tornados olhos para os papéis sobre a mesa. A nota-de-prisão.

Duvirge e Fulorzinha, inda de bocas acres leve sorriram irônicas ao tira prendedor, sem nem escovação.

Disfarçado do chefe que mirava olhos à nota-de-prisão/soltura sobre a mesa, Zé Doca respondeu às vendedoras-de-corpos, simulando um abotoamento na sua camisa frouxa: no próprio peito, mostrou-lhes mão fechada e dedo médio em riste...

– ... nóis pod'ir, dotô?

Vai! Sumam daqui! Antes que eu vomite e perca a paciência!! ...e vê se tomem banho...












Comentário: crônica escrita em 2007, já publicada no meu blog A BALESTRA perdido ano passado.
Imagens: by WEB

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

À MARchTA: AVANTE!





The Impossible Dream O Sonho Impossível

To dream the impossible dream
Sonhar o sonho impossível
To fight the unbeatable foe
Combater o inimigo imbatível
To bear with unbearable sorrow Suportar uma dor insuportável
To run where the brave dare not go
Ir aonde os corajosos não se atrevem ir

To right the unrightable wrong
Corrigir o erro incorrigível
To be better afar than you are
Ser muito melhor do que se é
To try when your arms are too weary
Tentar com os braços exaustos
The reach the unreachable star
Alcançar a estrela inalcançável

This is my quest, to follow that star
Esta é minha busca, seguir aquela estrela
No matter how hopeless,
o importa quão sem esperança,
No matter how far Não importa quão distante
To fight for the right Lutar pelos direitos
Without question or pause
Sem perguntar ou descansar
To be willing to march into hell
Estar disposto a marchar para o inferno
For a heavenly cause
Por uma causa divina

And I know if I'll only be true
Sei que somente sendo sincero
To this glorious quest
Nesta gloriosa busca
That my heart will lie peaceful and calm
Que meu coração ficará em paz e calmo
When I'm laid to my rest
Quando eu me deitar no descanso final

And the world would be better for this
E o mundo seria melhor por isto
That one man scorned and covered with scars
Que um homem desprezado e coberto de cicatrizes
Still strove with his last ounce of courage
Ainda luta com o que resta de sua coragem
To reach the unreachable star
Para alcançar a estrela inalcançável


sexta-feira, 13 de agosto de 2010

MEU PIS



Ontem recebi o abono do PIS.
Tão pouco.
¿Sab'o qu'eu fiz?
Um vinh'ordinário, coisas pra casa,
Contos negreiros”, do Marcelino Freire
E uma caixa de giz. Só.

VirOu pó...




Marcelino Freire - "Contos Negreiros", de julho/2005 - Prêmio Jabuti 2006 como “Melhor Livro de Contos”. Edit. Record. Inspirado em obras de Castro Alves e Cruz e Sousa, são "16 Cantos", onde os negros, direta e indiretamente, são personagens das narrativas.

domingo, 8 de agosto de 2010

VERSOS QUE CANTEI PARA MEU PAI, SONTONHO




"AO MEU PAI, O FAZEDOR DE PÃES E HOMEM"

Pai, teus ouvidos te enganam, e os olhos também.
Teus joelhos doloridos, te incomodam eu sei.
Trazem as marcas de um tempo sofrido
e de glórias também. Oh, meu pai.


Pai, desculpe os acordes mal escolhidos,
desta canção que eu fiz pra você,
Pra lembrar nossos bons tempos vividos,
E os problemas esquecer.

Te lembro atrás do velho balcão, vendendo de tudo, e até o pão,
que você fazia para as bocas dignas, ou não, ou não?
Onde estará nossa freguesia, que eu sei, fazia tua alegria.
No balcão jogar conversa fora e baralho
Te dava mais prazer naquele trabalho.

Hoje, trago boas lembranças daquele meu tempo de criança.
Me vejo traquina e levado. Por vezes, eu sei, te deixei zangado
Pelas bagunças na escola ou de secar no forno e queimar os seus sapatos.

Pai, lembra meu olhar de felicidade, quando eu vendia os pães na cidade?
Pra mim era duro o frio das manhãs, mas foi uma lição que me ajudou
A formar o homem-menino que pra você ainda hoje eu sou.
Quando lembro daquilo aumenta em mim o amor e o orgulho por você, meu pai!

Pai, você que só cursou a escola da vida, e se acha caipira
Já mostrou que é um diplomado, vivendo sua velhice sossegado.
Pai, das coisas que aprendi com você, uma eu sei, não vou esquecer
Que ser pobre não é defeito; o importante é ser direito.




Comentário: já publicados no blog que perdi ano passado, estes são versos d’uma canção que em 1999 escrevi para o meu pai, Antonio Balestra, o padeiro “Sontonho”, como eu o chamava carinhosamente.

Aí na fotografia, tirada em 1977 na Transamazônica onde moramos: eu, papai, e meu filho Keith Angel.

Desde 03.08.2007 Sontonho s’Encantou. Mas ainda está aqui comigo, NESTE SEU DIA...

Imagem 2: by web

sexta-feira, 30 de julho de 2010

AVOÁVEL GÊNESE DUM'IDÉIA


DA ÁGUA PRO VINHO,

DO VINHO PRO... MILAGRE;

AGÊNESEDUMIDÉIAVOADA.



A lua em hóstia no céu, enchente.

Cá embaixo a gent’eu, s’me sentindo ninharia, feit'um nada com nenhum dentro, em intentos d’cavalgar algum vago criável d’inspiração, um'idéia descrevível, postável, prazível. Olh’estrelas. Espero. O milagre s’criar.

Repentemente el’idéia m'vem, põe a cara, dá-m'um sorriso. Corro dar-lh'o braço da virgem folha desescrita. Mas antes ela s’escafed’em alados galopes, escapolenta ao ar, com'uma pipandorga viva, sem rabo.

Tent'o domínio, busc'o rumo, suo; a cada mais linh’esticada dada naquel’idéia, s’afasta ela arredia em aos mais altos. E fica lááá, balançando, aleatória com’uma folha de chicória rajada d’vento, ou o olhar d’um pardal em primo voo matinal.

E nada! Aquele pensamento lááá longe, mirand’a gent’eu, rindo e voltando e indo atrás, d’nuvens. D’mim. D’eu.

Impaciente c’a idéia ind’embora descriada, s’recolho a linha o tudo dela pensad’idéia, vai-vem maior ficando, crescentã, qual bolo de fermento em dobradose, transbordand’a forma. A olhos! ¿E s'não recolho?¿¿...

Aí, desesperado c’a imensidão célica aproximada e o temponteirando, com medos, comenos, redou linha àquela quimera. E a pipandorga del'aqui sob, sobe, sobre, some, e vai s’esconder d’novo e pequenina, lááá perto do abobadado azul – cor que láá não é nem está, eu sei. – onde pássaros só vagueiam os sobvagos, e muito benhembaixos.

E ’travez cá embaixo a gent’eu m’sentindo d’novo o nada co’nada dentro de nenhum novo, encostado no qu’não existe.

!Os luares dos lugares m’agradam mais!, em cheias.

Mazé nos breus d’noite, madrugad’afora adentro, que os lampejos meus comigo ficam, desvoados, assentados ramamentes. Percebo qu’é assim, qu'são assim, porque em escuros dessabem eles pr’onde ir seus voos, por isso ficam-m'.


É justo ness’oras escuras que os recolho feito folhas de repolho, e daí vou, em pretas letras e brancas folhas, da água pro vinho... do vinho pro milagre, quimicando, costurand’o capturado ideado.



Madrugada dessas sonhei cũa onça pintada m'vindo sorrind'as presas, apressada em decerto concreto corredor. Mal chegou-m', e eu... Ih!, nem mais a vi. Foi despior...


¿Salada? Qu’nada! É só um’idéia do céu meu, apanhada, como s'cata castanha, sem vara, com art'manha, cá caída...

Enfim, em mim por mim,
dou a cois’ideada por acabada,
e por comid'a castanha e esmaecid'a onça,
qu'disso, d'onças, sinceronçamente
não entendo nada. ...d'bois sim!



crônica: by josé roberto balestra
fotografia da onça: by Haroldo Palo Júnior
demais imagens: by WEB

segunda-feira, 19 de julho de 2010

QUANDO NOS VEM O NÓ D'UM ADEUS




ADEUS...



Nó na garganta.

Em qualquer lugar do mundo, a garganta humana denuncia quando uma pessoa está triste.
Se tirarmos um doce de uma criança, num instante veremos o olhar de indignação, seguidos de soluços e lágrimas nos olhos.
É uma maneira de demonstrar a violência sofrida.
Seja criança ou adulto.
Vi um senhor ficar triste, na roça, só porque alguém insinuou que o bode dele estava ficando velho. Sentiu-se subestimado, e logo se esboçou o nó.
Sofremos, sempre que nos tiram alguma coisa.
Meus pais se mudaram da roça quando eu era criança. Foi como se tirassem a roça de mim.
Lembro-me da viagem.
Saímos de lá, transportados por um carro de bois, até a estação de trem mais próxima.
Sem dúvida, minha garganta, por várias vezes, durante o trajeto, deu ensejo ao nó.
Na medida em que nos afastávamos das pessoas e das coisas queridas, íamos dando Adeus, acenando com as mãos, como se fosse uma despedida para sempre.
Que sensação mais estranha.
Tudo o que conhecera até aquela época era a roça. Eram as matas, os córregos, os riachos, as aves, os pássaros, os bois, as vacas, cabritos, cães... , as pessoas que amávamos.
Tirando o sol, a lua, as estrelas, tudo seria diferente dali para frente.
Era o Adeus para seguir um caminho desconhecido e ver algo diferente.
Só conhecia as coisas das cidades pelas gravuras dos livros.
Conheceria outro mundo, de maneira chocante, por causa da mudança radical, mas cheia de novas perspectivas, dado o jeito receptivo na grande cidade de São Paulo.
Mas, os “nós” me apareceram várias vezes durante muitos anos, porque
é difícil vencer a saudade.

****
****

Texto e desenho: by Evaldo de Paula Moreira
Contos de Amor
***



Comentário d'A BALESTRA:

Pelo blog do Poeta divinopolitano LÁZARO BARRETO descobri EVALDO, um desenhist'escritor, ...minêro dos bão!

Um achado! Em primeira visita ao seu blog dia desses, já m’encantei!

M’encantei com as cores vivas dos seus desenhos em moderno estilo, lindamente despojados, ilustrando contos e crônicas carregados d’tanta humanidade e transcendência, reveladamente escritas com as tintas do coração de quem também consegue ainda ver flores no asfalto (como certa vez dissera meu blogamigo e grande cronista radicado em Maringá,
WILAME PRADO), com muita sabedoria crítica e simplicidade, coisa difícil de s’fazer.

Sempre falei: escrever complicado é fácil; o simples é que é difícil! Pra poucos. Evaldo um deles, com certeza!

A prova está aí: esse seu comovente “ADEUS”.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

BEETHOVEN, O QUINTO OU O SEXTO BEATLE?



ARTE DE GÊNIOS, ...ATÉ NA SEMELHANÇA!
Identifique-a ouvindo as introduções...








BECAUSE, canção dos Beatles, composta apenas por John Lennon, mas creditada à dupla Lennon/McCartney, no álbum Abbey Road (1969).

Certo dia, John estava ouvindo Yoko Ono tocar a sonata para piano n° 14, opus 27, de Beethoven, conhecida como "Sonata ao Luar".

Então pediu para Yoko tocar invertidamente os acordes, do fim para o começo. Assim, inspirado na harmona resultante, John compôs essa linda "Because".

Na gravação, John, Paul e George cantam em coro harmônico. Suas vozes foram duas vezes sobrepostas (overdub), dando efeito de nove vozes. Ringo não cantou.

Ringo estava presente, mas sua participação, fazendo apenas a marcação, não foi registrada. Mas o produtor George Martin, chamado como "o quinto beatle" (porque produziu todos os álbuns do quarteto), participou tocando uma espineta, que é um antigo instrumento de teclado e corda, semelhante, mas anterior ao cravo.

Fonte: Wikipédia, com adaptações do blog (JRB)

quarta-feira, 7 de julho de 2010

UM VIOLINO POLONÊS NUM FADO D'CAMÕES







Aqui interpretando o fado "COM QUE VOZ", poema de LUIS DE CAMÕES musicado por Alain Oulman, eternizado na não menos eterna voz de Amália Rodrigues, NATALIA JUSKIEWICZ é violinista clássica, nascida na Polônia, diplomada pela Academia de Poznań, e mora em Lisboa há anos, onde aportara inicialmente em férias. Solista desde o início da carreira, Natalia tem participado de várias orquestras e outras formações polonesas de prestígio internacional.



COM QUE VOZ chorarei meu triste fado,
que em tão dura prisão me sepultou,
que mor não seja a dor que me deixou
o tempo, de meu bem desenganado?

Mas chorar não se estima neste estado,
onde suspirar nunca aproveitou;
triste quero viver, pois se mudou
em tristeza a alegria do passado.

Assim a vida passo descontente,
ao som nesta prisão do grilhão duro
que lastima o pé que o sofre e sente!

De tanto mal a causa é amor puro,
devido a quem de mi tenho ausente
por quem a vida, e bens dela, aventuro.


segunda-feira, 5 de julho de 2010

OLHANDO PELO LIMOEIRO




O Creador e Seu Limoeiro


Sempre que me deparo com um pé de fruta, meus olhos logo buscam o botão d’alguma florzinha desabrochando ali, d'outra acolá. ¿Estaria eu querendo desvendar o instante mágico da divina criação, o seu fazendo próprio? Sei não. Mas pode até ser; a natureza me extasia com seus espetáculos silenciosos e variados.

Há uns sete ou oito anos plantei em meu quintal uma muda de limão-tahiti. À época substituía o outro que me alegrara por exatos dezoito anos, produzindo contínuo como um fio d’água de nascente riachável; deixou-me um doce amor pelos ácidos taitis.

Pela manhã, quando vou ao varal do quintal estender minha toalha, sou invadido pelo verde intenso e soberbo do limoeiro, e a pardalada lhe saltitando nos galhos ou cantando o coralzinho próprio deles. Às vezes uma intrigada pombinha tenta interromper-lhes o coro, mas eles são deliciosamente teimosos; mudam de galho, e perseveram o canto.

Da varanda, pelo decorrer do ano assisto às suas fases: pontinhos claros na ponta dos galhos denunciam movimento novo entre aquele verdume potente e folhoso. Receoso com fungos, vou checar. Alegro-me; é o ar da graça da inflorescência chegando em cachinhos.

Por um ou dois dias fico envolvido com a lufa-lufa diária e me esqueço do limoeiro. De repente olho, e a surpresa: a florada já está lá!, intensa, parecendo que alguém caprichosamente dependurou-lhes pipocas estouradas e sem sal, perfumadas! Vou me aproximando do pé e o vento se adianta e traz-me em ondas envolventes, aquele aroma divino, bom feito abraço de amor verdadeiro em dia de frio.

Mais uns dias e o espetáculo chega ao apogeu: os galhos se curvam pelas pencas de limões crescendo-crescendo. Aí é chegado o tempo de deliciar a mim e aos amigos, com a colheita de sacolas e mais sacolas de limões graúdos, desenhados, como se fora pintura viva enquadrada. É pura alegria!, de limonadas, de caipirinhas e sorrisos recebidos.

Em minha vida também há um outro limoeiro; o que o Creador outorgou-me desde pequeno cuidar-lhe. Esse foi Ele quem o plantou, não eu. Houve um tempo em que esse limoeiro prosperava direto, mais que hoje; muitos dos seus brotos num zás-trás floriam, e logo se viam tão belos frutos. A colheita com os amigos era sempre surpreendente. Vibrávamos!

Agora percorro esse limoeiro com os olhos da alma, e percebo que alguns brotos recentes que adubei com carinho, crendo que iriam crescer, não vingaram. Aí fico saudoso daquelas antigas colheitas; era mais fácil encontrar frutos viçosos. Relembrando-me, noto que alguns daqueles frutos que muito me apraziam, se Foram eternos. E o que mais me aflige; sem que eu percebesse suas Partidas.

É. Tenho de reconhecer: de fato o Creador tem sido MUITO BOM comigo; meus amigos se Vão, mas mesmo que eu não os veja Partindo, o perfume da abnegada amizade e das lições que aprendi com cada um deles permanece vivo e intenso em mim... Ao menos até o dia em que eu me junte a eles no Supremo Limoeiro.


Imagens: by WEB

quinta-feira, 1 de julho de 2010

UFA! MAIS UM!!!...



...sempre há um dia mais especial pra gente.


Hoje é um deles, pra mim!



Na fotografia os dois personagens principais,
de um outro meu hoje dos tantos tidos,

d'um já ido tãão longe, mas que ficou-me
etern'especial...


“Parteira corta cordão e dá corda;
Deus põe ponteiros.” (JRB)

Um abraço forte a todos os meus 39 blogseguidores,
aos amigos, e aos ignotos blogvisitantes do "A BALESTRA".


domingo, 27 de junho de 2010

OS MENINOS FEITICEIROS DO CALANGO-FRITO


SÃO MARCOS

Naquele tempo eu morava no Calango-frito e não acreditava em feiticeiros.

(...)

Bem... Bem que Sa Nhá Rita Preta cozinheira não cansava de me dizer:
– Se o senhor não aceita, é rei no seu; mas, abusar, não deve-de!

E eu abusava, todos os domingos, porque, para ir domingar no mato das Três Águas, o melhor atalho renteava o terreirinho de frente da cafua do Mangolô, de que eu zombava já por prática. Com isso eu me crescia, mas mandando, e o prêto até que se ria, acho que achando mesmo graça em mim.

Para escarmento, o melhor caso-exemplo de Sa Nhá Rita Preta minha criada era êste: “...e a lavadeira então veio entrando, para ajuntar a roupa suja. De repente, deu um grito horrorendo e caiu sentada no chão, garrada com as duas mãos no pé (lá dela!)... A gente acudiu, mas não viu nada: não era topada, nem estrepe, nem sapecado de tatarana, nem ferroada de marimbondo, nem bicho-de-pé apostemado, nem mijacão, nem coisa de se ver...

Não tinha cissura nenhuma, mas a mulher não parava de gritar, e... qu’é de remédio? Nem angu quente, nem fomentação, nem bálsamo, nem emplastro de fôlha de fumo com azeite-doce, nem arnica, nem alcanfor!...

Aí, ela se alembrou de desfeita que tinha feito para a Cesária velha, e mandou um portador às pressas, pra pedir perdão. Pois foi o tempo do embaixador chegar lá, para a dor sarar, assim de vôo... Porque a Cesária tornou a tirar fora a agulha do pé do calunga de cêra, que tinha feito, aos pouquinhos, em sete voltas de meia-noite: “Estou fazendo fulana!... Estou fazendo fulana!...”, e depois, com a agulha: Estou espetando fulana!... Estou espetando fulana!...

Uma barbaridade! Até os meninos faziam feitiço, no Calango-Frito. O mestre dava muito coque, e batia de régua, também; Deolindinho, de dez anos, inventou a revolta – e êle era mesmo um gênio, porque o sistema foi original, peça por peça sòmente seu: “Cada um fecha os olhos e apanha uma fôlha no bamburral!” Pronto. “Agora, cada um verte água dentro da lata com as folhas!” Feito. “Agora, algum vai esconder a coisa debaixo da cama de Seu Professor!...”

E foi a lata ir para debaixo da cama, e o professor para cima da cama, e da lata, e das fôlhas, e do resto, muito doente. Quase morreu: só não o conseguiu porque, não tendo os garotos sabido escolher um veículo inodoro, o bizarro composto, ao fim de dia e meio, denunciou-se por si.

(...)”










Cordisburgo (MG) hoje está que é só festa!
Lá junto do Creador, está completando 102 anos o POETA-MOR, João Guimarães Rosa.
"Depois dele não apareceu mais ninguém." - como diria outro poeta brasileiro, mas poeta-cantor, Belchior.

Texto: fragmento do conto SÃO MARCOS (in Sagarana), aqui reproduzido na grafia própria do seu autor, como era (e é!) da vontade de João Guimarães Rosa.

domingo, 20 de junho de 2010

QUANDO NÁDEGA-NOS A ÁGUA!


A ideia da gente é mesm’um trem danado, sô!, como mineiramente s’diz. Tudo vai começando, s’encadeando habitual, lentinho lentinho na cachola, no corpo, até que, sem nos darmos conta, já nos aferramos a um costume,... bom ou mal, no graduável.

Ontem à noite, depois d’desligar o notebook com teclado externo (sou expert em atalhos, mas no seu teclado nunc’achei o bendito ponto de ?), sem mais nem menos m’vi enredado pelas teias das álgebras booleanas, aquelas estru
turazinhas matemáticas, emaranhosas, que capturam a essência das operações lógicas, fundamento da matemática binária da computação. Mas não é disso que quero tratar falar; há gente melhor pra coisa, felizmente.

Pois bem, não foi a matemática – um’antiga e ex inimiga minha (traumatizado que fora eu por volta de 1972 por um certo professor Valmir, nome que, escandidas as sílabas e transpostas suas vogais, só m’recorda coisa vil e má!), a quem em 1975 fui solenemente reapresentado por uma mestra nissei em Mamborê (PR) – que m’complicou n’algo que m’deleito amiúde: ESCREVER! Imaginar e narrar aquel’imaginado qu’me vem centelhado no espírito, num’eterna luta contra o inexorável da Partida certa, já que a ciência ainda não nos deu cálice do antídoto perpetuante.

D’cara o insólito fato m’fez lembrar da música Old habits die hard (by David Stewart/Mick Jagger) que certa vez publiquei aqui. Confesso: não gasto neurônio com coisas que podem s'guardar escritas. ¿Número de telefone? Nem o de casa. ¿Número de processos de meus clientes? Nãozinho mesmo! Inda mais agora que, sob nova ordem, estão quilométricos; pra isso as listas telefônicas e os sites dos tribunais. Todavia, os atalhos de digitação eu os guardo sim!

Então, ontem, meianoitado e já madrugosamente, momentos que, pelo silêncio geral m’aprazem escrever, com o espírito inspirado, resolvi prosseguir mais um pouco meu livro em gestação. Liguei o notebook, o teclado e o mouse chupetas, e com aquela cara de vaca-na-horta, a de quem já sabe o que vai fazer, comecei a digitar no teclado externo.

Teclo daqui, teclo dali... Epa!, a tela limpinha-da-silva; nada d’aparecer caractere algum! Desliguei tudo... Como não m’dou por vencido fácil, religuei e recabeei tudo, e fui à digitação ‘tra-vez. E neca de pitibiriba! Cutuquei a tecla ScroolLock, dei Alt efe isso e efe aquilo, e mais um combinatório booleano. Nada! Nessas alturas a divin’inspiração já tinha ido pra Singapura, Tegucigalpa, Xique-Xique, Xanxerê, ou sei lá pr’aonde... E eu lá, parado, semi’rritando-me c’a impotência informática, e c’uma baita interrogação passarinhando-me a cuca...

Mas ainda nesse estádio de semi’rritadez, bati os olhos na tecla NumLock. Um toque, e... Eureca!! ’Calmei-me; a luzinha do teclado chupeta não acendera! Dei-lhe inspeção física e, ufa!, tive de m’dar por vencido: sucedeu que ao desligar o notebook e guardar o tal chupeta enrolando seu cabo no teclado, arrebentara-lhe um dos fiozinhos já fadigados por meu (des)ato. Justo o de energia!

Vencido e ainda querendo segurar pelo rabo a fugidia inspiração, parti pra digitação direta no notebook. Não fui longe... deparei-me no texto c’o monstro qu’me fizera comprar um teclado chupeta pr’ele: o ponto de interrogação (“?”). Fui dormir...

Hoje pela manhã, lembrando-me da tradução da letra de Old habits die hard (“Hábitos antigos são difíceis de se perder”), feit’um garimpeiro faisquei no terreno preto do teclado do notebook até encontrar o bendito ponto d’interrogação! A custo, mas venci my old habit!

Portanto, eis MEU PRIMEIRO TEXTO INTEGRALMENTE NOUTIBUQUEADO, sem o socorro d’um teclado chupetento.

...¿Mas como’s velhos hábitos são mesmos difííceis de s'perder, não??????


Imagem: by WEB

quinta-feira, 17 de junho de 2010

...AS "NOSSAS" MONTANHAS E A SAUDADE...





"...quem pensa que é o que é, é aquilo que pensa...

Se você se acreditar Maomé,
você também moverá as suas montanhas;
...é uma questão de ..."







Fragmento do texto da ópera rock JESUS CRISTO SUPERSTAR (música de Andrew Lloyd Webber, e letras de Tim Rice), na interpretação maravilhosa do inesquecível e saudoso narrador e radialista brasileiro dos anos 60 e 70, HÉLIO RIBEIRO, nome artístico de José Magnoli (24.07.1935 - 06.10.2000), com sua inconfundível voz barítono, OUÇA-O AQUI.

HÉLIO foi também bacharel em Direito pela Universidade Mackenzie; jornalista, publicitário, pintor, escultor, compositor, professor de Comunicações da USP e redator da UPI.




Fonte: by O PODER DA MENSAGEM - traduções - Memorial HÉLIO RIBEIRO
Imagens: by WEB

terça-feira, 8 de junho de 2010

O CNJ E OS ANTIGOS PARADIGMAS DOS JUÍZES






"...quem está bravo é porque está perdendo privilégios."






Excertos da fala do conselheiro PAULO DE TARSO TAMBURINI SOUZA,
do Conselho Nacional de Justiça (CNJ),
na palestra de abertura do XVI Encontro de Magistrados Paraibanos,
dia 03/06/2010, em Campina Grande (PB)






"Experiência é o nome que damos aos nossos erros"...

“...é necessário uma transformação total e absoluta de todos os paradigmas antigos aos quais os juízes estão acostumados.”...

..."Devemos unir forças para oferecer ao cidadão a Justiça à que ele tem direito e para criarmos condições modernas, dignas e eficientes de trabalho para os juízes". ...

...[o CNJ ajuda o Judiciário a ser mais ágil] "para que cumpra o seu papel constitucional e seja o grande pilar e a grande esperança do cidadão brasileiro". ...

..."Atuamos
[no CNJ] para que o cidadão possa controlar o Judiciário através da transparência que nós os devemos". ...

..."precisamos mudar o perfil e a postura do juiz, que deve assumir sua responsabilidade social".

"Nós não podemos mais nos restringir aos processos, temos que participar ativamente daquilo que estamos fazendo, e não tem como sermos juízes justos se não conhecermos os valores das outras pessoas que julgamos, não podemos julgar com prepotência e arrogância".

"Já vi exemplos espetaculares por todo o Brasil, de juízes que aceitam essa nova missão. A Paraíba mesmo tem oferecido modelos de boas práticas que nós do CNJ tentamos levar a outros estados"...

"A informatização da Justiça, resoluções referentes ao nepotismo, horário de trabalho, uso de carro, podem até parecer antipáticas à primeira vista, mas pode ter certeza que quem está fazendo certo não precisa delas, quem está bravo é porque está perdendo privilégios"
, (...).







Fontes: CNJ e AMPB
Imagem: by WEB



sexta-feira, 4 de junho de 2010

SINAMARGA!

...¿quer coisa mais irreversível?


Gato atrás de rato.

...até em dicionário.

(JRB)

segunda-feira, 17 de maio de 2010

O MOLEQUE SACI DO JARDIM




¿’Ocê s’lembra? O três por quatro do chão d’arenito, soqueado pelo tempo, o terreal dos suspensos canteirinhos abarcados por velhas tábuas estacadas, gordos d’adubos: palha d’café, serragem fina, estrumagem d’cavalos nossos e vencidas folhas dali. A casa em madeira, o amplo ideal dos cômodos, o sofá verd’oliva, poltronas, e o soalhado brilhos’encerado da sala e quartos, os dois. Toda d’perobas. Das d’quando ela reinava matas da região. A tinta a óleo em claro azul, agarrada nas vertitábuas, fasquias e pregos, surda guardava a ida história deles.

A varanda co’as guardas d'proteção, em grossos xis d’madeira bem angulados, encaixados a capricho, e o acesso d’escadinha de tábuas contendo a cavada terr’embaixo. Dois degraus e pronto! Mas a santa-bárbara punha umbrática aquel’entrada. No jardim qu’ladeava a varanda, rodeadas por samambaias, banana-de-macaco, begônias, antúrios e copos-de-leite, Suas roseiras brancas e vermelhas gravidavam abotoamentos. Em calmo esperavam os desabrochos. Da rua em frente, a Souza Naves, ainda nua d’pixe e pedras, o pó teimava adentrar os planos d’Seus móveis, a bela cristaleira, a q’um dia quebrei o vidro em correria a toa; desatos d’moleque...

Chuvaradas vinham. Relâmpagos, rufados d’trovões e clarões d’noite. E iam; vergonha do sol chegando, d’dia. Tempo que a terra do jardim, d’regra, pubava os adubos de Suas plantas , as roseiras, as brancas e as vermelhas que Você Sempre gostou, e as zelou.

Uma noite, antes d’meia, chegando d’volta das casas d’amiguinhos vizinhos, na varanda senti um cheiro esquisito, semelhando o d’pau podre, d'fedorenta coisa inidentificável por meu tão jovem olfato. ¿Bicho morto? Eu olhava. Olhava. Não via nada. Aí m’arrepiava. ...e o bendito cheiro recendendo ruim pra mim. Era dali, certeza!, como que pato é bicho d’penas e águas. Procurar? Não mesmo! O fio da colun’arrepiada m’travava pés.

Certo inda d’dia, em tardezinha d’sol fraco, bebi um balde d’coragem, e fu’investigar o Seu Jardim, aquele cheiro feio. Dei d’cara: umas coisinhas brancas, feito camisas rendadas de lampião. Lá’stavam, em pé, brotando do chão dos úmidos canteiros, perto das já floridas roseiras, exalantes – pedoe-me, fragrância que nunca gostei é d’rosas; doridas memórias. –, e das bananas-de-macaco.

Com um galhinho avulso catado, coração em boca, toquei num. Um pedacinho garrou na ponta. Aproximei do naso... ¡Santodeus! D’tão forte, amargou-m’corp’abaixo, todo! Tossi. Lembrei d’Você, qu’em sabedoria, soubesse o que aquilo seria. N’outro dia, Você, sentada comigo na escadinha da varanda, lh’indaguei. Com Sua serenidade, respondeu-me:

– ... é do cachimbinho do Moleque Saci, que vem fumar no jardim d’noite, enquanto você demora muito pra vir dormir, e deix’a Mamãe preocupada...

Aquil’ouvi e quase morri! Olha, aquele cheiro d’pau podre, cheiro d’saci, d’rosas, tudo esquisitando um misturado d’odores desgostáveis, ainda moram meu nariz, assim como meu coração hoje retumba d’imensa nostalgia e alegria d'lembrança por’aquele santo enganamentozinho, tão puro, pero sábio, que Você m’aplicou, viu?

Hoje ’tá fazendo quatro anos que Você atendeus a’O Chamado naquele dezessete d'maio, em hospital... Não tenho mais medo d’Moleque Saci, mas ouço muito Tua voz em meus sonhos, viu? ...até o cheiro d’saci daquele Seu tão simples Jardim e nós lá, d’novo, sentados, sinto... A Su’abênça!



Imagem: by web
Crônica de JRB