“QUANDO AS SOMBRAS AMEAÇAM O CAMINHO, A LUZ É MAIS PRECIOSA E MAIS PURA."

(Espírito Emmanuel, in "Paulo e Estêvão", romance por ele ditado a Chico Xavier)

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sábado, 22 de novembro de 2014

UM "SHAKESPEARE" NEGRO ENTRE NÓS


ALTAY VELOSO


Natural de São Gonçalo (RJ), multi-instrumentista, ator, cantor e compositor de mais de 450 músicas entre os seus muitos sucessos (“Entra e sai de amor”/novela Roque Santeiro - “Dito e feito”/R. Carlos - “Estrela luminosa”/Alcione), Altay é o autor do livro OGUNDANA, O ALABÊ DE JERUSALÉM”, de onde recolheu sua mais inspirada construção musical, a ópera “O Alabê de Jerusalém”.


Na ópera Altay relata a riquíssima história de Ogundana, um homem que viveu há mais de 2000 anos na África, e que num dia de festa num templo religioso de matriz africana, volta à Terra para contar sua história.

Recomendo que se assista ao DVD da ópera (2:08:03), uma obra de arte genuinamente nacional, motivo de muito orgulho para todos nós: 

https://www.youtube.com/watch?v=4rpPqioVt5o 


No vídeo abaixo, com impressionante sensibilidade Altay Veloso interpreta sua canção "Alabê de Jerusalém", no palco do programa "Sr. Brasil", de Rolando Boldrin, no final de 2013, canção que tem uma letra magistralmente por ele escrita.     




quinta-feira, 13 de novembro de 2014

ELES VENCERAM












ELES VENCERAM




Apurados os votos e encerrada a sétima eleição presidencial brasileira, vimos que o certame foi singularmente alimentado por toda sorte de situações inusitadas; a tragédia com o jovem esperançoso candidato Eduardo Campos em plena campanha, com a óbvia assunção do posto na chapa pela candidata a vice, Marina Silva. 

Presenciamos a combatividade raivosa extraída da velha cartilha petista que dita aos seus “alunos” a habilidade de desconstruir imagem e história pessoal de quem lhes dê oposição, bem aos moldes das orientações recolhidas das ditaduras que ainda sobrevivem na América Latina à custa da pobreza material e da desinformação dos povos, espelhados num castro-comunismo aparentemente já em fim de linha porque hoje adepto do capitalismo.

Em verdade a implementação do comunismo na América Latina está sendo dissimuladamente semeada entre nós desde algum tempo e tem por berço o “Foro de São Paulo”, de onde seus membros recebem as ordens do regime dos irmãos Castro para submeterem toda a AL aos caprichos de uma elite comunista afeita ao terrorismo, ao narcotráfico, ao criminoso revisionismo histórico e jurídico, com as farsas do indigenismo, da teologia da libertação, do ambientalismo e das teses racistas do movimento negro.

Tivemos durante este certame presidencial pesquisas quase que diárias de intenção de votos do eleitor sendo divulgadas por conhecidos institutos como o IBOPE e o DATA FOLHA, demonstrando - por estimativa - situações inacreditáveis que corou até mesmo os beneficiados, quanto mais os prejudicados. Todos sabem o quão as pesquisas influenciam o eleitor menos informado, levando-o a votar no candidato em melhor posição percentual na amostragem.

Presenciamos ministros do TSE, muitos deles conduzidos ao cargo de seus respectivos tribunais superiores por indicação política do atual governo reeleito - alguns até recentemente advogados contratados pelo partido situacionista. Deram eles a textos legais construções interpretativas francamente inclinadas que alteraram a regra do jogo em pleno transcorrer da partida, causando perplexidade entre alguns de seus pares e também no meio jurídico nacional.

Enfim, a voz das urnas se fez ouvir: após 99,99% das urnas apuradas pelo TSE, por uma diferença de 3.458.891 votos, equivalente a 3,27% do total de votos válidos [Dilma: 54.499.901 - Aécio: 51.040.010], a maioria do povo brasileiro preferiu manter o atual governo no poder. E se assim o fez é porque esta multidão de eleitores o aprova como está. Isto agora é fato, e não adianta querer alterá-lo, porque foi resultado do exercício, bom ou mal, da democracia, o que saberemos apenas em porvindouro futuro. 

Enquanto advogado, sempre entendi que o fato de perder disputa na vida ou de tese em processo judicial, mesmo diante da força arbitrária do poder, são situações que não me fazem menor e nem me impõem arrependimento ou renúncia aos meus nossos ideais de amor à verdade e à liberdade, minha e de meu próximo. Muito ao contrário; dão-me ânimo novo. Nenhum progresso, individual ou coletivo, pode fugir a essas situações. Quem delas se divorcia hora ou outra terá de haver-se com a Justiça Criminal e seus duros Códigos.

O exercício da virtude por quem se dispõe a viver pelo bem, em especial o bem-comum, é e sempre será entremeado por sorrisos e lágrimas brotados do sentimento de dignidade festejada ou ferida, já que o fato de hoje será história amanhã, e ninguém mudará os fatos da história por maiores ou menores que sejam, excetuadas a mentira e a falsidade, que em regra são construídas sob interesses egoístas de quem delas se serve, mas que justamente por isso termina sucumbindo mais cedo ou mais tarde; o caso “Mensalão”, perpetrado nos interesses do partido do governo reeleito, foi um exemplo do que ora falo, mas que não parece ter resolvido parar nisso, eis que agora nos chega ao conhecimento o “Petrolão”, nova arquitetura criminosa contra os interesses do País, engendrado por quadrilha composta também por membros deste mesmo governo reeleito. Aguardemos a Justiça Federal dar seu veredicto, assim como aguardaremos a decisão judicial estadual do tão alardeado caso do aeroporto da cidade de Cláudio (MG).

As águas das nascentes de um riacho não choram por aquelas que já se foram para o mar, porque destas é que resultará esculpido o leito por onde as mais novas haverão de seguir sem se preocupar com as pedras do caminho. Todavia, embora respeitemos o resultado das urnas, pelo mesmo diapasão não podemos perder a capacidade e o sentimento de indignação com que vimos ser construído o resultado desta reeleição, notadamente no segundo turno, claramente levada a termo pela candidata oficial sobre argumentos nada recomendáveis pela boa moral e o Direito.

Digo isto porque, para o brasileiro que se disciplinou a assistir a todos os debates entre os candidatos, ficou evidente que a agressividade da qual a reeleita tanto reclamou na mídia e em seus programas do horário eleitoral nada mais foi que o resultado do exercício de defesa de sua dignidade por parte do candidato que lhe dava oposição neste segundo turno; cumpria ele, assim, um fenômeno natural descrito pelo físico Newton em sua Terceira Lei: a toda ação corresponde a uma reação, de mesmo módulo, mesma direção e de sentido oposto.

Enfim, se a boa lâmina de aço é feita sob a agonia da forja, da deformação da estrutura inicial do metal sobre a bigorna pela ação enérgica do martelo do ferreiro e do calor do fogo, LOGO, com a reeleição ficou claro que por semelhante processo ainda deverá passar a maioria de nosso povo brasileiro durante os próximos quatro anos de exercício democrático e de cidadania, para que ao final desse período aprenda - ainda que tardiamente - a lição pelo equívoco e o desleixo cometidos diante da única oportunidade que tivera de rever seu destino pelo voto consciente, em especial diante de tantas denúncias e evidências de crimes contra nossa pátria por esse mesmo governo agora reeleito.

Ao final de 99,99% das urnas apuradas pelo TSE, tivemos 5.219.592 (4,63%) eleitores que votaram nulo; 1.921.812 (1,71%) que votaram em branco; e dos que construíram o maior contingente de abstenção até hoje já registrado, num total de 30.137.165 eleitores (21,10%), número este que é muito superior ao de votos válidos somados dos estados do Paraná (6.173.765) e de São Paulo (23.784.672) nesta eleição presidencial. Uma das muitas causas dessa abstenção atribuo à novidade da falha da aferição biométrica, uma solução técnica “modernosa”, encontrada pelos tribunais eleitorais para um problema que não existia nem existe; as urnas eletrônicas até agora tem se demonstrado seguras de fato.

Estes números não só nos dão um retrato fiel da dimensão do que foi o voto pela reeleição neste segundo turno, como também a certeza de que essa maioria dos eleitores dos votos válidos dados à candidatura oficial, de nulos, brancos e dos que deixaram de comparecer para votação, estava chocando os “ovos da serpente” e nem desconfiava disso. O tempo dirá se estou errado.  Quem viver verá se agora de fato... ELES VENCERAM!



*Zé Roberto Balestra é paranavaiense, advogado em Maringá (PR), escritor amador, blogueiro, músico, e Supervisor de Conteúdo do Blog do Joaquim de Paula, de Paranavaí (PR).


sábado, 6 de setembro de 2014

QUEM VÊ CARA NÃO VÊ CORAÇÃO.




DA PRIMEIRA GUITARRA 
(E DO AVÔ) 
A GENTE NUNCA SE ESQUECE...



Quem diria; sob a face vincada de Keith Richards (71), um stone, avô pela quinta vez, se esconde um coração cheio de amor pela família e de gratidão pelo avô materno Gus.

“(...) "Acabo de me tornar avô pela quinta vez, então sei do que estou falando. Esse laço especial entre crianças e avós é único e deve ser valorizado. Essa é a história de um desses momentos mágicos. Espero ser tão bom avô como Gus foi para mim”, (...)”.

Dia 09 Keith Richards lança seu livro infantil Gus & Me falando sobre seu inesquecível relacionamento com o avô materno Theodore Augustus Dupree, carinhosamente chamado de Gus em família, de quem Keith quando criança recebera a primeira guitarra e a influência para música.

As ilustrações do livro são de sua filha, a artista plástica Theodora Dupree Richards (foto abaixo, com o pai Keith):



Leia mais:  AQUI 



Fonte: Estadão/Blog Sonoridades, by Carlos de Oliveira

quarta-feira, 23 de julho de 2014

TRISTEZA NO REINO NACIONALISTA DA PEDRA ENCANTADA: O REI ESTÁ MORTO!



ROMANCE D' A PEDRA DO REINO
e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta
ARIANO SUASSUNA


“(...)

* FOLHETO LXXIII

Cavalhadas de São João na Judéia

(...)

- Dom Pedro Dinis Quaderna, já notei, duas vezes, que, na sua religião, o Diabo faz parte da Santíssima Trindade e o Espírito Santo é sempre representado por um Gavião. Por que é isso? - perguntou o Corregedor.

- Bem, Excelência, tudo isso aparece aí, primeiro, porque é verdade, depois por causa da influência de Samuel, de Clemente e, de certa forma, do Padre Daniel. O Diabo é um revoltado do Partido Negro-Vermelho, e portanto precisa ser reabilitado e integrado na Divindade. Depois, no meu Catolicismo, os bichos que servem de insígnia ao Divino são todos rigorosamente brasileiros e sertanejos. Por exemplo: na minha linguagem, nunca entram leões ou águias, bichos estrangeiros, mas sim Onças e Gaviões. Ora, além dessa fidelidade brasileira e sertaneja, sempre achei essa história de representar o Espírito Santo por uma pombinha, meio afrescalhada. Fique logo claro que o Espírito Santo não tem nada com isso: a culpa é de quem inventou! Essa história da "pombinha" não tem nada de Profecia-Sertaneja, é frescura desses Profetas aveadados do estrangeiro! É por isso que, no meu Catolicismo Sertanejo, o Espírito Santo é um Gavião, bicho macho e sangrador, e não essa pombinha que sempre me pareceu meio suspeita. Segundo nossas crenças, Senhor Corregedor, foi a Onça Malhada do Sol Divino que nos fez, a mim e ao Mundo, segundo sua própria imagem. Assim, não admira que o jaguar divino fizesse em relação ao Mundo o mesmo que eu, como Rei, faço com o Sertão.



(...)”

Ariano Suassuna


Ariano Suassuna


Ariano Suassuna


ARIANO VILAR SUASSUNA
nasceu a 16.06.1927, em Nossa Senhora das Neves (PB),
e morreu hoje, 23.07.2014, às 17h15m, no Recife (PE) 



*Excerto da obra "Romance d' A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta", iniciado por ARIANO VILAR SUASSUNA em 19.07.1958 e terminado em 09.10.1970. 

Imagem 1: capa da edição da Edit. Círculo do Livro S.A., feita sob cortesia editorial da Livraria José Olympio Editora S.A.  - São Paulo, 1971, p. 481



quinta-feira, 26 de junho de 2014

Há 106 anos: nascia o mágico do reino das palavras



João Guimarães Rosa 


Era um 27 de junho igual'a hoje na pequena Cordisburgo (MG), 
e vinha ao mundo o menino que seria o escritor-mor do Século 20


Museu Casa Guimarães Rosa




"Quando escrevo, repito o que já vivi antes. 
E para estas duas vidas, um léxico só não é suficiente.
Em outras palavras, gostaria de ser um crocodilo vivendo no rio São Francisco. Gostaria de ser um crocodilo porque amo os grandes rios, pois são profundos como a alma de um homem.

Na superfície são muito vivazes e claros, 
mas nas profundezas são tranquilos e escuros 
como o sofrimento dos homens."



guima_rosa.gif (2444 bytes)


Imagens: by web

terça-feira, 24 de junho de 2014

40 ANOS DE "LÓKI?"


LÓKI?





Convite:


ARNEWS: VAMOS TODOS CELEBRAR 40 ANOS DO ÁLBUM "LOKI?".

Nessa efeméride de 40 anos de lançamento do clássico álbum "Loki?", para muitos críticos a referência-chave do rock'n'pop brasileiros, Arnaldo Dias Baptista e sua equipe convidam todos a celebrar com a gente!


Carta de Arnaldo e equipe (Aqui

Destaque de matérias já publicadas:
Rede Minas - Agenda (Parte 1) e (Parte 2)
O Estado de São Paulo: (Aqui)



Fonte: http://www.arnaldobaptista.com.br/


Arnaldo Dias Baptista é fundador do histórico grupo musical OS MUTANTES banda brasileira de rock psicodélico formada durante o Tropicalismo no ano de 1966, em São Paulo, por Arnaldo Baptista (baixoteclado, vocais), Rita Lee (vocais) e Sérgio Dias (guitarrabaixo, vocais). Também participaram do grupo Liminha(baixista) e Dinho Leme (bateria).



sábado, 17 de maio de 2014

... INDA ME LEMBRO MUITO BEM


... inda me lembro bem. Do timbre de tua voz cantando nas manhãs dos sábados que o tempo levou embora; era lá em casa nossa antiga, de madeira, aquela. E quão aconchegante a gente achava que ela era. Apesar da despensa sem forro e janela taramelada, a cozinha avarandava arejadamente ao fundo treliçado. Nos dois quartos e na sala pequena o assoalhado reluzia a cera que você de joelhos lhes punha e polia com alegria, isto quando a mim não pedia pra dominar o fundido e pesado escovão. As três peças verde-maçã do seu sofá em courvin deram muita vida às conversas naquela salinha.  

... inda me lembro bem. Na copa sua mesa quadrada envernizada, sempre com um pequeno vaso florido enfeitando-a. Lá, a cristaleira de fundo espelhado dobrava copos, compoteiras e peças várias de lembranças dos idos tempos teus, e sustentava o rádio que te alegrava, e a mim também, trazendo o mundo inteiro pr’aquele pequeno universo nosso, mas imenso de amor.

... inda me lembro bem. Teu jeito leve e delicado de caminhar, como se sobre nuvens teus pés de anjo sandaliado a levassem pelas calçadas, atravessando ruas, quadras, dobrando esquinas, indo às compras com rol simples do essencial. E mesmo assim nada nos faltava. Eram tempos fartos.

... inda me lembro bem, em tempos mais recentes; o teu sorriso instantâneo quando me via chegando à sua casa, num átimo ele abria teus braços em asas pra me envolver. Tuas gargalhadas ao final daquelas coisas pilhéricas que a gente de quando em vez se falava e contava em sigilo, que era pra ninguém ver. Ríamos de até chorar. À luz dos meus olhos sentimentos puros jorravam do teu coração por todos nós.

... depois tive de aprender; o tempo d’antes que juntava a gente naquelas alegrias ainda de porvires, é o mesmo que corrói o aço dos cascos dos navios e encarquilha a pele da gente, enquanto o sol nascente viaja ao seu poente todo dia, pondo na vida tão bela magia da passagem da gente durante esta eterna Viagem por aqui e para aqui.

A nossa antiga casa de madeira? Ah... Dia desses fui revê-la; há tempos não existe mais. No vago do terreno murado me surpreendi perguntando sozinho ¿onde terão ido e o que terá sido daquelas tábuas e telhas que nos protegeram e testemunharam anos e anos de nossas vidas? Onde estarão no Universo os latidos do Pingo, da Tutuca, os gritos de “truco!” que papai e amigos da casa lá tanto deram? A casa de alvenaria dos fundos ainda resiste, porém está muito mudada; nem lembra mais que um dia ali existiu uma movimentada padaria, que pela manhã acordava repleta de delícias que papai e os padeiros faziam.

É. Tudo isso que agora lhe digo me parece tão real e recente, como se não existisse um antigamente na vida da gente. Mas o que aqui lhe digo não nasce num coração em tristeza nem de nostalgias, mas da certeza de que a alegria mora eterna em cada pedra do castelo das nossas belas lembranças.  

Hoje, Mãe, está completando oito anos que naquela quarta-feira anoitecida teu espírito se libertava da matéria que o Divino Pai Eterno lhe emprestara por quase oito décadas. A saudade de Você ainda me é imensa, tal qual o orgulho de ter vindo de Você e a alegria da divina permissão de haver podido estar ao teu lado por cinquenta e três anos. A distância nunca tivera domínio entre nós, Você sabe do que falo, e muito menos o tem agora que estamos em planos diferentes; tenho percebido que teu espírito em paz me vem em sonhos. Afinal, como diz a canção, se “Nada nem ninguém engana o coração de mãe.”, ao filho que deste coração veio nunca cessará a gratidão.    

Lembrando-me o quão Você gostava de ler, guardar e escrever poesias, Mãe, hoje lhe dedico os versos a seguir, que não são meus, são da alma do poeta Gibran Khalil Gibran.Porém, muito dizem por mim neste instante, porque sou sim flecha de Teu arco!

Com tuas bênçãos me despeço. Zuza 


"Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.


Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
pois suas almas moram na mansão do amanhã,
que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.



Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois os Arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
O Arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força
para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do Arqueiro seja vossa alegria
pois assim como Ele ama a Flecha que voa,
ama também o Arco que permanece imóvel." 


Imagem: by web

quarta-feira, 7 de maio de 2014

A COPA JÁ ERA!


A COPA JÁ ERA!
*Jorge Luiz Souto Maior
"(…) onze argumentos, do goleiro ao ponta-esquerda, para demonstrar que A COPA JÁ ERA!, que já não terá nenhum valor para a sociedade brasileira e, em especial para a classe trabalhadora, restando-nos ser diligentes para que os danos gerados não se arrastem para o período posterior à Copa:
1. A perda do sentido humano;
2. Ausência de beneficio econômico;
3. O prejuízo para o governo;
4. O prejuízo para a cidadania;
5. O prejuízo para a razão;
6. De novo o dinheiro;
7. De novo os ataques aos trabalhadores;
8. O perverso legado das condições de trabalho na Copa;
9. O atentado histórico à classe trabalhadora;
10. A culpabilização das vítimas;
11. O retrocesso social e humano da Copa (...)."


* Jorge Luiz Souto Maior é professor livre-docente da Faculdade de Direito da USP e membro da AJD – Associação Juízes para a Democracia.


sábado, 19 de abril de 2014

UMA CANÇÃO ETERNA


OH MY LOVE                                                  Oh, MEU AMOR


Oh my love for the first time in my life,           Oh, meu amor, pela primeira vez na minha vida
my eyes are wide open.                                  meus olhos estão completamente abertos
Oh my lover for the first time in my life,          Oh, minha amada, pela primeira vez na minha vida
my eyes can see.                                        meus olhos enxergam.


I see the wind.                                  Eu vejo o vento.
Oh, I see the trees.                          Oh, eu vejo as arvores.
Everything is clear in my heart.       Tudo está claro em meu coração.
I see the clouds.                               Eu vejo as nuvens.
Oh, I see the sky.                             Oh, eu vejo o céu.
Everything is clear in our world.      Tudo está claro em nosso mundo.


Oh my love for the first time in my life,       Oh, meu amor, pela primeira vez na minha vida
my mind is wide open.                               minha mente está completamente aberta
Oh my lover for the first time in my life,      Oh, minha amada, pela primeira vez na minha vida,
my mind can feel.                                       minha mente consegue sentir.



I feel the sorrow.                              Eu sinto a tristeza,
Oh, I feel dreams.                             Oh, eu sinto sonhos
Everything is clear in my heart.       Tudo está claro em meu coração
I feel life.                                            Eu sinto vida,
Oh, I feel love.                                   Oh, eu sinto amor
Everything is clear in our world.      Tudo está claro em nosso mundo




Curiosidades: "OH MY LOVE", canção escrita por John Lennon & Yoko Ono ainda em 1968, está no famoso álbum IMAGINE, segundo disco de estúdio de John, lançado em setembro de 1971 nos EUA e em outubro no Reino Unido. 
Nesta versão de estúdio, a única guitarra que se ouve é tocada pelo ex-Beatle George Harrison.

A canção aparece em dois filmes: Little darling (1980; com Tatum O’Neal e Kristy McNichol) e várias vezes ao longo do filme Heartbreakers (2001; com  Sigourney Weaver, Jennifer Love Hewitt, Ray Liotta, Jason Lee, e Gene Hackman).



segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

CÃS DA SABEDORIA


FERREIRA GULLAR
O POETA DE (re-)VISÃO CRÍTICA 


“(...)

O senhor se considera um direitista?

Eu, de direita? Era só o que faltava. A questão é muito clara. Quando ser de esquerda dava cadeia, ninguém era. Agora que dá prêmio, todo mundo é.

Pensar isso a meu respeito não é honesto. Porque o que estou dizendo é que o socialismo acabou, estabeleceu ditaduras, não criou democracia em lugar algum e matou gente em quantidade. Isso tudo é verdade. Não estou inventando.

E Cuba?

Não posso defender um regime sob o qual eu não gostaria de viver. Não posso admirar um país do qual eu não possa sair na hora que quiser. Não dá para defender um regime em que não se possa publicar um livro sem pedir permissão ao governo.

Apesar disso, há uma porção de intelectuais brasileiros que defendem Cuba, mas, obviamente, não querem viver lá de jeito nenhum. É difícil para as pessoas reconhecer que estavam erradas, que passaram a vida toda pregando uma coisa que nunca deu certo.

(...)”.


Fonte: excertos da entrevista de FERREIRA GULLAR (83), tido como o maior poeta vivo da língua portuguesa e ex-comunista filiado ao PCB, concedida a Pedro Dias Leite, e publicada nas Páginas Amarelas da revista Veja de 27.09.2012

Imagem 1: by web
Imagem 2: by AFP 

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

TIMONEANDO DORAVANTE O 2014





Nada melhor para retomarmos o timão do "A BALESTRA" neste 2014 do que repercutir o belíssimo artigo sobre pequenos "mistérios" de nossa língua portuguesa, escrito pelo jornalista AIRTON DONIZETE*, originalmente publicado no Blog do Rigon, de Maringá (PR), aqui com destaques nossos.






O certo, эяяado e a língua portuguesa



Quando eu morava no sítio, ainda menino, ia com minha mãe levar almoço ao meu pai e irmãos, que trabalhavam na roça. Eles derriçavam café, plantavam arroz, feijão e milho, conforme a época. No sistema de porcentagem, a produção era divida com o patrão. A cada dia estavam num lugar da imensa roça. Minha mãe cortava caminho e chegava rápido ao eito de trabalho. Ela nunca fazia o trajeto normal. Sempre desviava das habituais trilhas.
Certa vez, perguntei como os encontrava. Minha mãe explicou que antes de sair de casa fazia um traçado mental do terreno. Ela calculava aonde eles haviam chegado de acordo com o trabalho do dia anterior. E seguia, desviando de possíveis obstáculos até chegar ao lugar desejado.Usei essa metáfora para dizer que quem escreve, antes de se atentar à gramática normativa, deve aprender a formar frases, imaginar um roteiro, saber aonde chegar e conhecer o que vai dissertar.
Os maiores erros em redações de vestibular, textos jornalísticos, entre outros escritos, é a falta de domínio do assunto. De pensamento claro e lógico para produzir um texto coerente.
Não faz muito tempo, houve aquela celeuma de parte da mídia em torno de um livro didático, lançado pelo governo federal, que mostrou variantes da língua portuguesa, mas foi confundido com o certo e o errado.
Na época, a consultora de língua portuguesa do Grupo Folha, Thaís Nicoleti de Camargo, escreveu: “A ideia (do livro) é mostrar que realizações sintáticas como ‘os livro’ ou ‘nós pega’ têm uma gramática, que, embora diversa da que sustenta a norma de prestígio social, constitui um sistema introjetado por um vasto grupo social – daí ser possível falar em variante linguística”.
Portanto, a respeito de dois embates que tive recentemente sobre gramática, que me levaram a escrever este artigo, digo que fizemos barulho por quase nada. Meus interlocutores estavam preocupados apenas com uma faceta da língua: a norma culta. Que não é mais nem menos importante. Ela faz parte da língua, como outra variante qualquer. O problema é que o senso comum confunde a norma culta com a língua.
Para andar pela roça não devemos apenas aprender o caminho convencional. Mas conhecer o café, o arroz, o feijão, o milho e os limites do sítio, como fazia minha mãe. Aí, vamos fugir da "educação bancária", como ensina Paulo Freire.
Por que tanto barulho se alguém diz a presidenta ou a presidente (pela norma culta, ambos estão certos). Ou se fulano escreve as placas do carro (Recomenda-se a placa). Não estou dizendo que não se ensine a norma culta, que é um código de mediação necessário. A questão é bem mais embaixo. Estamos diante da língua com suas muitas possibilidades.
Finalizo com o professor Marcos Bagno: “As regras das variedades populares são, muitas vezes, bem mais racionais do que as regras normatizadas. Criando-se assim um ambiente acolhedor e culturalmente sensível, o aprendizado da tão reverenciada ‘norma culta’ se torna menos traumático do que sempre foi”.

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(*) AIRTON DONIZETE, jornalista, mestrando em Comunicação Visual pela UEL e especialista em linguística pela UEM
Fonte: by Blog do Rigon - Maringá (PR)
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