“QUANDO AS SOMBRAS AMEAÇAM O CAMINHO, A LUZ É MAIS PRECIOSA E MAIS PURA."

(Espírito Emmanuel, in "Paulo e Estêvão", romance por ele ditado a Chico Xavier)

Meus Amigos e blogAmigos!

segunda-feira, 18 de julho de 2011

"MONEY" ESPECIALÍSSIMO!


Porque dispensei o Pink Floyd hoje:




...¿quer mais ou 'tá bom assim mesmo?


Comentário: IGOR PRESNYAKOV é um violonista/guitarrista holandês, artista exclusivo dos instrumentos Takamine, e usa amplificadores Fender.

sábado, 9 de julho de 2011

ENTRE PESOS, MEDIDAS, E CHICOTADAS

Durante meus vinte anos de convivência forense Brasil afora presenciei muita coisa; um tanto de justiça-feita e um outro de justiça-não-ser-feita. Se àquelas se deram efêmeras aleluias, a estas as dores acabaram, não as cicatrizes.

Por uma visão não só técnica, mas humanista da vida, entendo as decisões; o juiz tem qualidades, defeitos e humores. Mas intricado é vê-lo tomando partido ou interpretando leis de modo incondicional, debilitando assim mais os lados frágeis da corda social.

Isto me leva à conclusão de que “ser justo” não é só questão conceitual, doutrinária ou semântica, mas predicado miseravelmente inalcançável por mulher ou homem algum! Porém, é sim possível ser minimamente injusto!

Ontem soube de mais uma. Um jovem colega advogado explicava-me: um banco privado houvera sido condenado a pagar a seu cliente determinada importância. Da sentença não cabia mais recurso pelo banco.

Para isso (o banco) fora intimado a fazer o depósito judicial num banco oficial, segundo o valor apurado pelo Contador Judicial no processo. E o banco o depositou. Porém...

PORÉM, entre a data do cálculo e a do depósito decorreram alguns meses. E aí o valor deveria estar corrigido monetariamente no momento do depósito desde a data do cálculo. Isso é trivial em Direito, além de ser regra moral:

(...) A obrigação de dar coisa certa (no caso, o dinheiro) ABRANGE OS ACESSÓRIOS dela (correção e juros legais) embora não mencionados, ...”, e que: “Extingue-se a execução quando: I – o devedor SATISFAZ (cumpre integralmente!) a obrigação; (...)”: artigos 233 e 234, do Código Civil e 794, I, do Código de Processo Civil.

Por fim, o colega disse que ao reivindicar direitos de seu cliente se vira sob o peso de uma injustiça: por haver requerido ao juiz que o banco complementasse o depósito regiamente, então fora chamado à ante-sala do gabinete.

Lá, um assessor – dizendo estar transmitindo as palavras do juiz – ponderara-lhe que: como o valor ainda não depositado pelo banco resultaria num valor muito pequeno, então – já lhe perguntando o assessor – se o colega desistiria desse “pequeno” valor para ver expedido o alvará para levantamento do valor depositado?...

Foi quando o colega respondeu que não aceitaria por uma única razão: quando o banco é credor, ele não abre mão de nenhum centavo no ato do pagamento, e seu funcionário sempre se justifica dizendo ser “coisa do sistema”...

A propósito, hoje lendo o Estadão.com.br, uma bela reflexão de Oscar Quiroga acudiu-me à memória o episódio ocorrido com o jovem colega advogado e o justo acerto da sua recusa:


“O único momento em que Cristo perdeu a compostura foi quando aos gritos e chicotadas expulsou os banqueiros do templo.

Todos os eventos desempenhados por um mensageiro estelar não apenas guardam em si grandes ensinamentos como também manifestam correntes cósmicas que se tornam disponíveis para manifestação.

A cobiça dos banqueiros os conduziu a penetrar em terreno sagrado, que não admite corrupção, pois colocaria em risco o princípio sem o qual a inteira existência da espécie humana seria ameaçada de extinção.

Os ensinamentos de Cristo somente agora se tornam claros e, por isso, também os eventos históricos que lhes são inerentes se colocam em marcha e precipitam.

Os bancos, que extorquem governos e povo, merecem as chicotadas. Basta apenas lhes aplicar as mesmas regras que esses aplicam aos seus clientes.”

Aí me lembrei também do que já dissera certa vez o ilustre Desembargador Tourinho Neto: “(...) Não existe Justiça neutra. Ou ela é comprometida com o grupo dominante ou com os oprimidos, a imensa maioria. (...)”.

Sigamos a vida então, cada dia mais atentos a essas “dominâncias”, porque, segundo Sócrates, "Não pode haver para um peso, duas medidas."

Imagens by web

segunda-feira, 27 de junho de 2011

103 anos faria hoje o demiurgo das letras

Seriam 103 anos hoje, e com certeza uma nova surpresa em forma de obra literária ganharíamos!

Vivo estivesse (e como ainda nos faz falta!), JOÃO GUIMARÃES ROSA, o demiurgo das letras, faria aniversário neste dia.

Muito já se falou, estudou e escreveu acerca da genialidade (absoluta, friso eu.) de Guimarães Rosa. Que me perdoem os que me divirjam, mas ROSA é o Autor-Mor deste Brasil, um dos cem autores da história da literatura mundial!

Como manancial literário que é, muitas águas das veredas lingüísticas que a nós brasileiros legou Rosa, todas sombreadas e orladas de buritis, ainda haverão de dar de beber àqueles que não tem medo de adentrar a um “Grande sertão: veredas”, os que tem perene sede de saber, de escavar o mais fundo das rochas lingüísticas para achar enfim os veios misteriosos da nossa língua, tão somente para encontrar quiçá uma palavra enterrada, um termo virgem,e como ela deleitar o próprio espírito.

João Guimarães Rosa, sempre foi muito religioso, católico de fé devotada, “muito bebeu” também em outras religiões. Particularmente tenho que sobre Rosa pairava uma aura mística. Não era ele um cidadão comum, que para este Plano viera apenas por vir. Era mais que isso.

Por isso, a seguir, inda que de modo empírico, descompromissado, já que sou apenas um “autodidata” na linguagem dos números, aos quais dou especial observação vida afora, encontrei algumas confluências numéricas quanto a Rosa. Meras curiosidades podem ser, porém, a mim são no mínimo intrigantes. Repare-se:

- Curiosidade 1, numérica: Rosa nasceu a 27.06.1908

(27.06 = 09+06=15=6) (1908=10+08=18=9)

Posto o número seis sobre o nove, temos o símbolo de câncer no zodíaco, signo de João Guimarães Rosa;


- Curiosidade 2, transcedental: em tudo que escrevia Rosa dizia que o fazia sob a força do Infinito; escrito na horizontal, o numero oito é o próprio símbolo do infinito.

- Curiosidade 3, numérica: Rosa morreu a 19.11.1967

(19.11=1+9+1+1=12=3) (1967=1+9+6+7=23=5) 5+3=8 (infinito de Rosa)


Afora estas meras curiosidades minhas, criou-se um verdadeiro (e injusto!) estigma contra a leitura de Rosa nas escolas. Entre os próprios mestres, mormente os de primeiro e segundo graus (quiçá de terceiro), ainda há uma maioria que jamais leu GUIMARÃES ROSA por absoluto medo de seus parágrafos. Há até os que dizem que leram sem terem lido; leram "por ouvir dizer"... Não sabem eles o quanto culturalmente se está perdendo com isso.

Particularmente, das onze OBRAS DE ARTE que Rosa escreveu, faltam-me apenas três para ler, as quais ainda não conseguir adquirir: Magma, Estas estórias e Ave Palavra. Detalhe: GS:V já li integralmente três vezes (e nunca paro de lê-lo!). Tenho três volumes. Um é relíquia, 2ª ed., de 1958, guardado a sete chaves, e os demais uso para minhas pesquisas.

Àqueles que ainda não leram GS:V, trago aqui duas pertinentes advertências. Apenas uma é minha, a primeira:

1ª) não se lê GS:V sem sofrer uma transformação de alma, de visão do mundo;

2ª) em 1957, um ano após o lançamento de GS:V, já avisava AFONSO ARINOS DE MELO FRANCO:

“Cuidado com este livro, pois Grande Sertão: Veredas é como certos casarões velhos, certas igrejas cheias de sombras. No princípio a gente entra e não vê nada. Só contornos difusos, movimentos indecisos, planos atormentados. Mas aos poucos, não é luz nova que chega; é a visão que se habitua. E, com ela, a compreensão admirativa. O imprudente ou sai logo, e perde o que não viu, ou resmunga contra a escuridão, pragueja, dá rabanadas e pontapés. Então arrisca-se chocar inadvertidamente contra coisas que, depois, identificará como muito belas.

Repito, quanta falta faz JGR para a nossa literatura, e para o mundo...

Imagens: by web

domingo, 26 de junho de 2011

HOJ'ACORDEI ASSIM!!!


Parodiando Marta Bellini: HOJ'ACORDEI ASSIM!!!



...na memória um rodar bom d' velho sonho...
as brincadeiras de domingo à noite no meu eterno Tênis Clube.
Inesquecível! ...o som, os amigos, elas, os todos ali, os abraços, as mesinhas...

Sonhar é preciso. Careço!


sexta-feira, 17 de junho de 2011

DOM & RAVEL: O CANTO DE UM TEMPO



O CANTO BRASILEIRO FICOU MAIS POBRE HOJE


Baixado o corpo de RAVEL (Eduardo Gomes de Faria) hoje em São Paulo, no cemitério do Araçá, silencia-se eterna uma dupla talentosa e muito criativa que por demais alegrou a juventude brasileira dos anos 70, os inesquecíveis cearenses de Itaiçaba, DOM (Eustáquio Gomes de Faria) & RAVEL. DOM é morto desde dezembro de 2000.

Os temas sociais das letras simples e diretas das músicas de DOM & RAVEL, em pleno período de ditadura militar no país, foram injustamente atreladas ao militarismo pela oposição da época, aliás, a mesma que hoje em dia se encontra na oposição e no poder, e que, pelos fatos desditosos, mensalônicos, caseirístiscos e cuecosos de alguns de seus membros, todos tornados públicos, não são exemplos a seguir para ninguém...

O que me conforta: pode morrer o homem, que é frágil,
mas não sua arte, porque eterna!

- No vídeo a música ANIMAIS IRRACIONAIS -



Ficaram-me a saudade daquele teclado de notas prolongadas,
da pedaleira sincopada da bateria casada com o baixo,
daquelas afinadas roucas vozes,
da realidade crua das letras...

“...Eu passo por muitas igrejas pedindo respostas de Deus,

pra Ele calado no espaço ouvir os lamentos meus. ...” (D & R)


sexta-feira, 10 de junho de 2011

O "JOÃO GILBERTO" DE PARANAVAÍ


Hoje JOÃO GILBERTO (Prado Pereira de Oliveira) completa 80 anos. Um Gênio baiano da só nossa Bossa Nova.

É data de grande alegria, pra ele e também pra nós que tanto amamos e nos dedicamos ao estudo da música – desde os 12 anos de idade –, então influenciados que fomos pela Beatlemania e a Jovem Guarda.

O jeito de JOÃO ferir sincopadamente as cordas do violão, é estilo unicamente seu, e fez escola mundo afora. Indiscutível!


Dentre os apaixonados seguidores de seu estilo de tocar bossa nova na sua forma mais pura, mas dos poucos a conseguirem tirar o mesmo toque e efeito, está um grande amigo, que em JOÃO se inspirava, com absoluta maestria, empunhando um violão ou guitarra:

falo de

ODAIRZINHO



nessa forma diminutiva mas carinhosa que a gente sempre dá a quem gosta e admira de verdade.

Já disse isso certa vez no blog (que inexplicavelmente perdi), mas imprescindível é repetir: quando ainda iniciantes na arte, víamos ODAIRZINHO tocando seu violão em rodas de amigos ou em apresentações nos bailes - já com uma guitarra por força das bandas -, fazendo aqueles acordes que mais pareciam verdadeiras “aranhas” – depois descobriríamos que aquilo se chama “dissonante” –, tamanha era a abertura e a desenvoltura dos dedos de sua mão esquerda, e com um toque cheio de quebradas rítmicas engenhosamente colocadas, som puro, temos de agora fazer DUAS confissões:

1ª – ficávamos literalmente boquiabertos com o belo efeito sonoro conseguido por ODAIRZINHO ao seu violão;

2ª – foi a partir dele, ODAIRZINHO, que – sem que ainda pessoalmente à época soubéssemos aqui no interior acerca da genialidade de João Gilberto – passamos a estudar harmonia de violão com outra visão, a do profissional, mesmo que a vida nos encaminhasse para outros ofícios. Estudos que prosseguimos até hoje...

JOÃO GILBERTO hoje deve estar recebendo NESTA SUA DATA todas as justíssimas homenagens pela impressão de sua marca pessoal na música brasileira, na bossa nova.

Todavia, pedindo vênias ao Gênio aniversariante, particularmente quero nesta data homenagear nosso amigo e não menos genial, ODAIRZINHO, de Paranavaí (Paraná), nossa terra natal, apresentando aqui uma gravação que ele próprio fizera, ainda que de modo rudimentar, cantando em sua casa, em momento de grande paz interior, a partir de um original a nós cedido por sua filha e editado no Estúdio Genius, do grande amigo e radialista, Joaquim de Paula.

Detalhe: Odairzinho está há anos acamado, em estado vegetativo, sendo cuidado com todo carinho e amor por sua esposa e filha, em Rondon (PR), a quem pretendemos visitar em breve. Versos da canção WAVE justificam:


"...Os olhos já não podem ver
Coisas que só o coração
Pode entender...
"

Então ouça aqui

,

ODAIRZINHO cantando "WAVE",
canção de Tom Jobim, gravada em 1977 por João Gilberto, no LP "Amoroso".

Imagem 1: by web
Imagem 2: by arquivo pessoal jrb

quarta-feira, 8 de junho de 2011

...49 ANOS. JÁ?


O

TEMPO QU' NÃO BRINQUE COMIGO!


Pode vir com seu gélido vento,

Esturricar e sulcar o meu rosto,

Pra açoitar meu sentimento;

Nada me dá desgosto.


Esse meu corpo vale pouco,

E morrendo, sei, serei lá esquecido.

É a sina de todo louco,

Que um dia aqui tenha aparecido.


Hoje, em noite tão fria aqui no Sul,

Bateu-me certa recordação.

Tão boa, pintada em auriazul,

Esparzindo arenitos do meu torrão.


É que me lembrei de uma velha publicidade,

Que aos meus dez anos no rádio da copa ouvia.

Era lá naquela casa de madeira, lugar de só felicidade.

Propaganda só para tempo que esfria...


Começava assim o jingle de minha lembrança,

que nem o tempo nunca me rouba:



- Tóc tóc tóc tóc tóc tóc...

- ¿Quem bate?...

- É o frio!!!!!...





... e como eu adorava cantarolar isso...

terça-feira, 7 de junho de 2011

A PAZ DA "VELHA CHICA"



Antigamente a velha Chica
vendia cola e gengibre
e lá pela tarde ela lavava a roupa
do patrão importante;
e nós os miúdos lá da escola
perguntávamos à vóvó Chica
qual era a razão daquela pobreza,
daquele nosso sofrimento.


Xé menino, não fala política,
não fala política, não fala política.


Mas a velha Chica embrulhada nos pensamentos,
ela sabia, mas não dizia a razão daquele sofrimento.
Xé menino, não fala política,
não fala política, não fala política.


E o tempo passou e a velha Chica, só mais velha ficou.
Ela somente fez uma kubata com tecto de zinco, com tecto de zinco.
Xé menino, não fala política, não fala política.

Mas quem vê agora
o rosto daquela senhora, daquela senhora,
só vê as rugas do sofrimento, do sofrimento, do sofrimento!
Xé menino, não fala política,
não fala política, não fala política.


E ela agora só diz:

“- Xé menino, quando eu morrer, quero ver Angola viver em paz!

Xé menino, quando morrer, quero ver Angola e o Mundo em paz!”

domingo, 5 de junho de 2011

AOS QUE NOS TARDAM

mundos novos que queremos conhecer, há territórios que desejamos conquistar, há relacionamentos que ansiamos desenvolver. Tudo o que ainda não fizemos denuncia nosso estado atual de limitação e aprisionamento.

Nascer é entrar numa prisão corporal em busca de meios mais eficientes para expressar nosso potencial subjetivo.

Que razão haveria para uma alma se conformar com a limitação?

A limitação produz ciclos de tempo recorrentes que servem de oportunidade para superá-la e expandir-se na direção do que for pretendido.

Todo este processo se chama evolução e não há como detê-lo, mas sofre demoras impostas intencionalmente por grupos que a veem como um perigo aos seus interesses. Merecem compaixão, porém, por pretender deter o que é inevitável.

Evoluir é inevitavelmente remover todo obstáculo.





Fonte: EVOLUÇÃO, by Oscar Quiroga

sexta-feira, 3 de junho de 2011

DERIVANDO & DERIVADO

Enquanto s' desdobra,
parte da obra
dá obra d' sobra.



Imagem: by Gustavo Miranda/Agência O Globo/O Estadão

sábado, 28 de maio de 2011

O D' LÁ



“Os olhos te foram dados para engano
e o que sentes não cabe na tua mente.
O que não és, e o porque, fingem-te humano.
Tua vida é vivida por outro ente.

Este mundo que vês, não estás nele,
Nem coisa alguma nele há que te importe.
Pois teu sentido e ser, fim e começo,
é a vida que aguarda além da morte.”




Fonte: poema escrito por J.G.R. em 1963, citado no livro Relembramentos : João Guimarães Rosa, meu pai, by Vilma Guimarães Rosa, 3ª ed. rev. e ampl. – Rio de Janeiro : Edit. Nova Fronteira, 2008, p. 185.

Imagem: by web

terça-feira, 17 de maio de 2011

É bom deixar a saudade florescer, sempre.



“(...) Coração do outro é uma terra que ninguém pisa. Minha mãe repetia essa oração quando recebia a visita de muda melancolia. Meu coração estava pisado pelo amor, e só eu sabia. Era um caminhar manso como pata de gato traiçoeiro. Fugia do meu amor para todas as penumbras. Seis minutos eram suficientes para a saudade me transbordar. Fui, desde pequeno, contra matar a saudade. Saudade é sentimento que a gente cultiva com o regador para preservar o cheiro de terra encharcada. É bom deixá-la florescer, vê-la brotar como cachos de tomates, desde que permaneçam verdes e longe da faca afiada. Nada tem mais açúcar que um tomate verde. (...)”

Hoje está fazendo cinco anos que, depois de cinqüenta e três anos juntos, nos separamos. Tem horas que acho que isso é tempo demais. E logo me dou conta de que tudo parece ter sido ontem. Não. Não falo do tempo juntos, falo desses cinco anos agora.

Há dias venho pensando muito em você, nas coisas que nos falamos, no seu jeito simples mas especial de ser, no seu dom de fazer amizades... Coisas da saudade, eu sei. Ah, lembra-se de quando eu pensava em você com um pouco mais de percepção, e logo vinha a confirmação de que você também estava pensando em mim, me chamando pra perto de você? É. A gente ria disso, não? Era muito bom... e inesquecível!

Olha, como diz o autor aí do texto, coração da gente é terra que ninguém entra mesmo; toda vez que a saudade de você me envolve, pego o violão e, sozinho na sala, dedilho aquela canção instrumental que escrevi especial pra você com muito amor. E ninguém em casa percebe esse instante, exceto eu e meu coração. Melhor assim, acho. Ficamos só nós dois, né?

Domingo você não me saía da cabeça, e até imaginei que daí também pensava em mim, e talvez até tivesse alguma coisa pra me dizer. Isso ainda é coisa daquela força que sempre nos uniu, não? Então fiquei a tarde toda ouvindo as muitas canções de Vicente Celestino que eu sei você mais gostava: Patativa, Luar do sertão, Coração materno, Rasguei o teu retrato, O ébrio, Noite cheia de estrelas e tantas outras, que ouvi e reouvi por diversas vezes, sem me cansar.

Mas foi em Ouvindo-te, daquele elepê que você tinha, que a saudade arrochou mais. Consegui até ver você pelo quintal, na sua cozinha, de aventalzinho, cantando-a
lindamente, no mesmo soprano só seu, com aqueles seus hábeis floreados na voz, tal qual Gilda de Abreu, mulher de Vicente.


Pode parecer estranho, mas a tarde do domingo assim, ouvindo o que você ouvia e cantava, deixou-me leve, foi uma saudade gostosa, daquela de até te sentir aqui perto de mim.

...e eu tenho certeza de que VOCÊ ESTAVA PERTO DE MIM naquele instante, Mãe, porque a senti!


A sua bênção, Mãe, com muito mais saudade hoje.

De seu filho sempre caçula, Zuza.

Beijos eternos...


Fonte do excerto: livro Vermelho Amargo, do escritor mineiro Bartolomeu Campos de Queirós. São Paulo : Edit. Cosac Naify, 2011, p. 44.

terça-feira, 3 de maio de 2011

UMA MENININHA TRISTE

...nem só de rock pesado viveu a fabulosa Janis Lyn Joplin.

Aqui em inesquecível interpretação duma canção com letra cheia de pureza juvenil, de uma menininha triste que contava os pingos da chuva...

Little girl blue é de 1935, composta por Richard Rodgers (música) e Lorenz Hart (letra).




Abaixo, a outra Janis, toda à flor da pele, em BALL & CHAIN, com sua superbanda Big Brother and the Holding Company, da qual era apenas a vocalista, num blue puríssimo.



...por essa e por outras é que aqueles Anos 60 são tão inesquecíveis (ao menos pra mim).

quarta-feira, 27 de abril de 2011

HÁ DIAS EM QUE TUDO SE ADIA




Há dias assim,



longos, largos, (turbu)lentos...




...mas que passam


também,



tão bem...

terça-feira, 19 de abril de 2011

COMO ERA BOM SER TERRÍVEL... E A GENTE SABIA.



...antes tarde (da noite) que nunca. Rei é rei!
Parabéns a ele pela nov'idade hoje.



terça-feira, 12 de abril de 2011

NOSSO LAR & NOÇÕES DE LAR

Compartilhando uma leitura pessoal:


“...o lar é como se fora um ângulo reto nas linhas do plano da evolução divina. A reta vertical é o sentimento feminino, envolvido nas inspirações criadoras da vida. A reta horizontal é o sentimento masculino, em marcha de realizações no campo do progresso comum.

(...)

Na maioria [dos lares], os casais terrestres passam as horas sagradas do dia vivendo a indiferença ou o egoísmo feroz. Quando o marido permanece calmo, a mulher parece desesperada; quando a esposa se cala, humilde, o companheiro tiraniza. Nem a consorte se decide a animar o esposo, na linha horizontal de seus trabalhos temporais, nem o marido se resolve a segui-la no vôo divino de ternura e sentimento, rumo aos planos superiores da Criação.

(...)

É claro que, em tais circunstâncias, o ângulo divino não está devidamente traçado. Duas linhas divergentes tentam, em vão, formar o vértice sublime, a fim de construírem um degrau na escada grandiosa da vida eterna.

(...)

Por mais que se unam os corpos, vivem as mentes separadas, operando em rumos opostos.

(...)

“...na fase atual evolutiva do planeta, existem na esfera carnal raríssimas uniões de almas gêmeas, reduzidos matrimônios de almas irmãs ou afins, e esmagadora porcentagem de ligações de resgate. O maior número de casais humanos é constituído de verdadeiros forçados, sob algemas.

(...)

Dentro de casa, a inspiração [a mulher]; fora dela, a atividade [o marido]. Uma não viverá sem a outra. Como sustentar-se o rio sem a fonte, e como espalhar-se a água da fonte sem o leito do rio? ...”


Fonte dos excertos: cap. 20 - Noções de lar, pp. 91/92, do livro “Nosso Lar”, ditado para Chico Xavier pelo Espírito André Luiz (médico sanitarista). Nosso Lar é um clássico da literatura espírita brasileira, lançado em 1944.

Curiosidade: a novelista IVANI RIBEIRO serviu-se do “Nosso Lar” entre suas bases para escrever a novela A VIAGEM, produzida originalmente em 1975 pela Rede Tupi, exibida em 141 capítulos, entre 1º.10.1975 a 27.03.1976. O outro livro espírita que inspirou Ivani na mesma novela foi “E a vida continua...”.

O filme: desde setembro/2010 está nos cinemas o filme de “Nosso lar” (no vídeo abaixo os primeiros cinco minutos do filme), gravado em julho, agosto e setembro/2009. Dentre outros artistas do elenco estão Othon Bastos (Anacleto, Governador de Nosso Lar), Paulo Goulart (Ministro Genésio) e Ana Rosa (Laura, mãe de Lísias), Fernando Alves Pinto (Lísias), com Renato Prieto (como o Espírito André Luiz adulto), Gabriel Scheer (André Luiz aos 10 anos), e Gabriel Azevedo (André Luiz aos 20 anos).




sábado, 26 de março de 2011

NADA É SEM TEMPO NEM QUÊ NEM PRA QUÊ



Quando você estiver conversando com algum amigo ou ouvindo-o detidamente, e de repente uma situação qualquer o levar a podar o diálogo, não se deslembre de, restabelecida a oportunidade – e ela sempre vem –, ter refinada iniciativa de retomar do ponto em que vinha. O tempo pode lhe parecer muito valoroso, a materialidade fascinante, mas seu império pessoal sobre ambos é tão duradouro quanto o vigor da chama dum fósforo.

Digo isto porque, apesar de certas circunstâncias serem sábia e tempestivamente sustáveis para amadurecimento, e da provável balda de deseducado que se pode sofrer em eventual falta de apreço pelo que lhe dizia o tal amigo, entretanto realidade mais intensa carece ser notada: a Vida neste Plano é a ponteiros, se sabe, no entanto seu relógio vai por corda em fio frágil ou bateria limitada, movidos que são os três pela geral transitoriedade; a ocasião cortada de inopino pode escapar-lhe certa e definitivamente assim como definitivo e certo é que a madrugada se renda a todo amanhecer.

Não creia sejamos essências com movimento contínuo, espécies de perpetuum mobile, que isso ainda é apenas vã teoria científica da fecunda, mas pouco resistente da mente humana, nem aguarde pela reencarnação, que é certa, particularmente creio, como igualmente tenho fé de que com ela não se lhe darão privilégios senão novos compromissos a resgatar com vistas à renovação e aprimoramento; o Creador sabe o cerne de sua criatura. Nada é sem quê nem pra quê!

Então, devolvida a chance do diálogo aparteado, retome-o, que a nova ocasião não se dá nem se dará sem desígnio. Todavia o faça antes que leia ou seja lido num obituário, que aí outra será a Dimensão e o tema central poderá ser o tal amigo ou você, quiçá queixando-se – também creio – ao Divino, e Ele sorrindo-lhes lindamente, como o professor paciente que vê seu pupilo embaraçado ao segurar o lápis pela primeira vez!

Imagens: by arquivo pessoal de jrb

terça-feira, 15 de março de 2011

TUDO A SEU TEMPO




Turn, Turn, TurnVire, vire, vire
To every thing (turn, turn, turn)
There is a season, turn, turn, turn,
And a time to every purpose under heaven
Para cada coisa (por sua vez, por sua vez, por sua vez)
há uma temporada, por sua vez, por sua vez, por sua vez
e um tempo para todo propósito debaixo do céu

A time to be born, a time to die
A time to plant, a time to reap
A time to kill, a time to heal
A time to laugh, a time to weep

Um tempo para nascer, de uma hora para morrer
um tempo para plantar, um tempo para tirar
um tempo para matar, um tempo para curar
um tempo para rir, um tempo para chorar

To everything (turn, turn, turn)
There is a season (turn, turn, turn)
And a time to every purpose under heaven
Para tudo (vire, vire, vire)
há uma temporada (por sua vez, por sua vez, por sua vez)
e um tempo para todo propósito debaixo do céu
A time to build up, a time to break down
A time to dance, a time to mourn
A time to cast away stones
A time to gather stones together
Um tempo para construir, um tempo para quebrar
um tempo para dançar, um tempo para lamentar
um tempo para jogar fora pedras
um tempo reunir pedras

To everything (turn, turn, turn)
There is a season (turn, turn, turn)
And a time to every purpose under heaven

Para tudo (vire, vire, vire)
há uma temporada (por sua vez, por sua vez, por sua vez)
e um tempo para todo propósito debaixo do céu
A time of love, a time of hate
A time of war, a time of peace
A time you may embrace
A time to refrain from embracing

Um tempo de amor, um tempo de odiar
um tempo de guerra, um tempo de paz
uma hora você pode abraçar
um tempo para abster-se abraçando

To everything (turn, turn, turn)
There is a season (turn, turn, turn)
And a time to every purpose under heaven

Para tudo (vire, vire, vire)
há uma temporada (por sua vez, por sua vez, por sua vez)
e um tempo para todo propósito debaixo do céu
A time to gain, a time to lose
A time to rend, a time to sew
A time to love, a time to hate
A time for peace, I swear it's not too late

Um tempo para ganhar, perder
um tempo de rasgar, um tempo de costurar
um tempo de amar, um tempo de odiar
um tempo para a paz, eu juro que não é demasiado tarde.