“QUANDO AS SOMBRAS AMEAÇAM O CAMINHO, A LUZ É MAIS PRECIOSA E MAIS PURA."

(Espírito Emmanuel, in "Paulo e Estêvão", romance por ele ditado a Chico Xavier)

Meus Amigos e blogAmigos!

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

A BARRAGEM






by JRB

Há dias que tanto faz como tanto fez
Que a coisa fique cinza ou amarela
Feito alguma estupidez
Ou qualquer abanadela
De um doce adolescer

Hoje amanheci assim
Não troco uma Zepparella
Por um velho e bom Led Zeppelin
A vida é boa barbaridade

Melhor é ter um dente só
E andar pela cidade
Do que ficar logo banguela
Sem nenhuma bocatividade
Esperando quando a barragem romper...

sábado, 21 de setembro de 2013

A ÁRVORE CURIOSA


DIA DA ÁRVORE



A neta Giovanna (Gigi) tinha pouco mais de três anos de idade em 2010 quando, num certo final de noite domingo, vendo-me rodeado de livros à mesa da cozinha, tomou o “Sagarana” (J. Guimarães Rosa) e o abriu pra copiar alguma ilustração. 

Ao ver essa gravura de Poty, com o tronco estilizado de árvore seca palitada rumo ao céu, apontou-a com o dedinho e perguntou-me:

 Vô, o que é isto aqui?
 É uma árvore.
 Como que a árvore fica de pé quando a árvore não tem folha?...

Afora o abraço e o beijo que lhe dei naquele instante, até hoje não achei a resposta pra Gigi. Mas não esqueci daquilo mais.





Imagem 1: by Poty Lazarotto
Imagem 2: by arquivo pessoal de José Roberto Balestra 


domingo, 11 de agosto de 2013

VERSOS D'UMA CANÇÃO QUE CANTEI PRA SONTONHO


Para um PAI o filho nunca cresce;
Precisa sempre de proteção.
Para o FILHO o pai nunca fenece;
Vive eterno em seu coração... 
JRB







"AO MEU PAI, O FAZEDOR DE PÃES E HOMEM"*

JRB/1999

Pai, teus ouvidos te enganam, e os olhos também.
Teus joelhos doloridos, te incomodam eu sei.
Trazem as marcas de um tempo sofrido
e de glórias também. Oh, meu pai.



Pai, desculpe os acordes mal escolhidos,

desta canção que eu fiz pra você,
Pra lembrar nossos bons tempos vividos,
E os problemas esquecer.

Te lembro atrás do velho balcão, vendendo de tudo, e até o pão, 

que você fazia para as bocas dignas, ou não. Ou não?
Onde estará nossa freguesia, que eu sei, fazia tua alegria.

No balcão jogar conversa fora e baralho,
Te dava mais prazer naquele trabalho.

Hoje, trago boas lembranças daquele meu tempo de criança.
Me vejo traquina e levado. Por vezes, eu sei, te deixei zangado
Pelas bagunças na escola ou de secar no forno e queimar os seus sapatos.

Pai, ¿lembra meu olhar de felicidade, quando eu vendia os pães na cidade?
Pra mim era duro o frio das manhãs, mas foi uma lição que me ajudou
A formar o homem-menino que pra você ainda hoje eu sou.
Quando lembro daquilo aumenta em mim o amor e o orgulho por você, meu pai!

Pai, você que só cursou a escola da vida, e se acha caipira
Já mostrou que é um diplomado, vivendo sua velhice sossegado.
Pai, das coisas que aprendi com você, uma eu sei, não vou esquecer
Que ser pobre não é defeito; o importante é ser direito.


--o--


*Nota:: estes versos, já publicados outrora aqui no blog, são d’uma canção que em 1999 escrevi e naquele DIA DOS PAIS cantei para o meu pai, ANTONIO BALESTRA, o padeiro “Sontonho”, como eu o chamava carinhosamente. 

Papai foi um dos bravos pioneiros de Paranavaí (PR). Modesto comerciante, ele fundou a Padaria Santa Terezinha (Av. Paraná), local em que nasci, defronte ao histórico PONTO AZUL.

Desde 03.08.2007 que SONTONHO inventou de s’Encantar. Mas sinto que ele ainda está aqui comigo, protegendo-me, principalmente hoje, NESTE SEU DIA...

Fotografia: by arquivo pessoal JRB.



quarta-feira, 31 de julho de 2013

D'OUTRORAS


REVIVEND'UM SONH'ENCURTADO

by JRB



Reviver um sonho encurtado
Por algum vento tempestuoso
Que um dia roubou-nos o chão,
É vencer um pouco o passado
De um jeito mais respeitoso:
Pela magia duma canção.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

A SANFONA SEM SEU PRÍNCIPE


DOMINGUINHOS*
O PRÍNCIPE DA SANFONA, 
AVISOU:

"Eu vou viver noutro lugar..."






OI LÁ VOU EU

Dominguinhos


Oi lá vou eu pela estrada
Com esperança de chegar
Levo no peito minha amada
Que longe, bem longe
De mim vai ficar
O fico lá, oi lá
Eu vou viver noutro lugar
E vida nova vou tentar
Quem sabe Deus olha por mim
E minha vai mudar
Eu vou seguir
Vou sem cansar
E qualquer dia eu vou chegar lá


-------


*JOSÉ DOMINGOS DE MORAIS, Dominguinhos, nasceu em Garanhuns (PE) a 12.02.1941, e morreu em São Paulo (Capital), ontem, 23.07.2013.

Foi cantor, compositor e um dos maiores sanfoneiros do Brasil.  


sábado, 29 de junho de 2013

...NUM AQUÁRIO CHEIO DE MEDOS









WISH YOU WERE HERE

So, so you think you can tell


Heaven from Hell
Blue skies from pain
Can you tell a green field

From a cold steel rail?
A smile from a veil?
Do you think you can tell?

Did they get you to trade
Your heroes for ghosts?
Hot ashes for trees?
Hot air for a cool breeze?
Cold comfort for change?
Did you exchange
A walk on part in the war
For a lead role in a cage?

How I wish
How I wish you were here
We're just two lost souls
Swimming in a fish bowl
Year after year
Running over the same old ground
What have we found?
The same old fears
Wish you were here.

QUERIA QUE VOCÊ ESTIVESSE AQUI

Então, então você acha que consegue distinguir

O Paraíso do Inferno
Céus azuis da dor
Você consegue distinguir um campo verde
de um frio trilho de aço?
Um sorriso de um véu?
Você acha que consegue distinguir?

Fizeram você trocar
Seus heróis por fantasmas?
Cinzas quentes por árvores?
Ar quente por uma brisa fria?
Conforto frio pra variar?
Você trocou
Uma pequena participação na guerra
Por um papel principal numa cela?

Como eu queria
Como eu queria que você estivesse aqui
Somos apenas duas almas perdidas
Nadando num aquário
Ano após ano
Correndo sobre o mesmo velho chão

O que encontramos?
Os mesmos velhos medos
Queria que você estivesse aqui.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

VERS’ENCARTADOS PRA JOÃOZITO


VERS’ENCARTADOS PRA JOÃOZITO


José Roberto Balestra


João, meu caro Escritor-Mor,
Broto fino do divino das Gerais.
Hoje você apagaria 105 velinhas,
Porém, as anteviu 59, não mais.

E como seria bom, João,
Se o que houve não tivesse sido.
Você por aqui, de entrevinda,
Anotando os seus encantos
Que sobrevivem tão lindos
Por todos esses nossos cantos.

Depois dos teus, João,
Nossos livros novos andam sem graça,
Falam pouco do imo, do d’dentro,
D’ homens, d’campos e d’animais.
E d’inocências então, nem se falam mais.

Só se pensam em frias capas,
Coisa que sei, Zé Olympio abominava.
E agora, também sem seu amigo Poty,
Os traços d’ilustração perderam em magia,
Restando os atuais miolos das obras
Feito enchimentos, coisa de pouca serventia.

As histórias andam muito urbanas, João,
Como esquecidas vão as suas veredas,
Onde a vida ainda teima tocar por si
A eterna melodia nas folhas do buriti,
Só ouvida pelos bichos e os capins-sedas

Mas o manuelzinho-da-croa inda passeia
Às margens do Urucuia, sobre a areia.
E em suas águas, João, as ariranhas
Estrinçam os cascudos com toda manha.

O lobo-guará, João, inda grita penitência
Bem do jeito que você escreveu,
Só que em verdade ele está mais triste,
Antevendo o fim final de sua existência.

João, caro Poeta-Mor de Cordisburgo,
Redigo-lhe por fim: nossos livros estão sem graça.
Feito você, demiurgo que escreva o belo no comum,
Não apareceu outro. Joãozito, não vi mais nenhum!

Arre!...






JOÃO GUIMARÃES ROSA (Cordisburgo, 27.06.1908 - Rio, 19.11.1967) foi um dos mais importantes escritores brasileiros de todos os tempos, escreveu o romance GRANDE SERTÃO : VEREDAS e tantas outras obras. Faleceu três dias após ser empossado como imortal da Academia Brasileira de Letras - ABL. 

Imagem: capa do romance GS:V, editado pela Livraria José Olympio Editora, 1956, com ilustrações do artista paranaense Poty Lazarotto.


sexta-feira, 14 de junho de 2013

"COMPANHEIROS DE JORNADA"


“Talvez que um dos mais belos espetáculos ante a Espiritualidade Superior, seja o de anotar a persistência dos companheiros enfaixados na Vida Física, sempre que se mostrem decididamente empenhados a lutar pela  vitória do bem. (...)




(...) Se te propões a colaborar no levantamento do bem de todos, não desistas de agir e servir.

Momentos sobrevirão em que o teu campo de atividades parecerá coberto de sombras e sentirás, talvez, o coração transido de lágrimas.

Ainda assim, não te marginalizes. Chora, mas prossegue lutando e trabalhando pelo bem comum. (...)”   

(EMMANUEL)


domingo, 9 de junho de 2013

AS ATITUDES


O dia é todo seu e você é do Universo, que é maior que você, a dimensão na qual sua existência acontece e você experimenta ser.

Dimensionar hierarquicamente as experiências promove a reverência ao que é maior e o senso de responsabilidade a respeito do que for menor do que sua presença.

As duas atitudes são auspiciosas, pois, tanto o venerar e render culto ao que for superior a você quanto se responsabilizar e proteger as vidas que forem menos abrangentes que você representa a irradiação da melhor influência que seu ser poderia emitir.

Nossa humanidade anda embotada e ensimesmada demais, se acha o máximo e, por isso, não venera o superior, assim como também evita se responsabilizar pelo inferior, considerando que não tem nada com isso.
As duas atitudes são nocivas e complicam tudo.
by Oscar Quiroga

Comentário: - Bobagens, utopia? Pode ser. Mas então experimente pensar um pouco nisso, e agir doutra forma, pra ver se as coisas que tanto o incomodam neste mundo também não mudam! Abs. ZR

sexta-feira, 17 de maio de 2013

A inesquecível alegria de Elvira


 Era sempre assim a alegria quando a senhora voltava para sua casa; 
Guida e Catita, ruidosas, chamando-lhe a atenção para os carinhos que lhes vinham divididos por igual de sua meiga voz.




... e hoje faz sete anos que pendurei no peito o quadro desta saudade .

A sua bênção, mamãe Elvira, aí entre as estrelas do firmamento.

De seu filho,

Zuza    




segunda-feira, 22 de abril de 2013

segunda-feira, 1 de abril de 2013

UM'ORAÇÃO D' GEORGE


SOMENTE POR HOJE...





by JRB
“Música é perfume
Qu’ abraç’alma
Reentranh’a calma
E ’spant’o betume
Com’um banho
Em dia d’ dor”

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

LIVRO DE SALÃO



LIVRO DE SALÃO

by JRB

Quando vejo um livro grosso
Penso no coração do escritor
Escandindo capítulos por versos
Em balanço de alheios universos
Mãos de tinta, tantos trapos de dor
Na carne, no rosto um riso de osso

Narra sonhos de um real falsificado
Deles guardando para si o segredo
Da lavra de linhas longas e largas
Que lavam e levam as cargas
Dos seus maus fardos de medo
Por pouco não o fizeram sepultado

Mas quando avista na história o final
É que se entrega de alma na refrega
Como quem embrulha destino em jornal
Para depois brincar de cabra-cega
Com a leitora linda, lisa e loura
Que besuntada em fino creme de cenoura
Em salão lê seu livro, livre da lavra louca
E a cabeça sob alguma touca...



Imagem by georges de la tur - web


domingo, 17 de fevereiro de 2013

¿Roberto Torrente? ¿Como assim?...








Roberto Torrente,

...foi em plena florada da juventude que nos conhecemos.
Eram tempos de verde-oliva, ditadura. Marchas, cansaços...
¿Lembra-se dessa fotografia aí acima depois de uma marcha?
Nós estávamos exaustos... E a gente nada entendia daquilo tudo...

Porém tantos foram os amigos que fizemos no ano de caserna, não é mesmo?
Era 1971. Depois a vida nos soprou por destino vário.

Mas como sempre, um dia ela nos reaproximou: era a noite gelada de 20 de agosto de 2011. Curitiba!

Quarenta anos depois! Enfim, estávamos novamente juntos...

Com grande parte de nossos velhos amigos de caserna, e sem faltar o nosso velho comandante, “Capitão Vilas-Boas”, que o encontramos num aposentado Coronel, festejamos o reencontro dos 40 ANOS DA TURMA DE 1971 naquele belo jantar no Madalosso, obra do sensível coração de nosso outro velho amigo Zé Aparecido Nunes, que um dia sonhou nos reunir. E conseguiu!

Noite inesquecível aquela, Torrente.
Quanta alegria, muitos abraços sinceros, e tantas fotografias, lembra-se?

E agora à noite, Torrente, acabo de saber que você nos Deixou?!... ¿Como assim??...

Meu amigo, saber da Partida de um amigo não é fácil! Sobretudo pra quem, como eu, teve a sorte de ter um igual a você. Pode passar o tempo e até mesmo a vida neste Plano, mas não me acostumo em ver Partir antes de mim um amigo igual a você. É como ver um pedaço nosso ir-se; fico aqui, porém menor, e mais pobre, Torrente...  Meu amigo, tenho dado reparo: muitos de meus amigos estão se indo muito cedo.

Mas quis Deus em sua infinita bondade, que aquele café da manhã no hotel, na manhã seguinte ao jantar no Madalosso, e acompanhados de nosso outro velho amigo, o Reinoldo, fotografados por sua filha e por mim, fosse nosso derradeiro encontro...  E que encontro! Você, sua família, eu, e Reinoldo!

E é essa a bela lembrança que lhe guardo meu xará: você, um homem solidário, sempre sorridente, um Grande Vencedor, uma família querida, e sobretudo UM INESQUECÍVEL AMIGO!

Que o Pai Eterno o tenha ao Seu lado, Roberto, e acalme os corações dos seus que ainda tem chão a ser caminhado por esta vida...

Como nessas fotografias, tantas vezes estivemos juntos, e estaremos um dia novamente... não tenho dúvidas. 



- VÁ COM DEUS, TORRENTE!  Muito obrigado por sua amizade tão verdadeira, meu conterrâneo.