“QUANDO AS SOMBRAS AMEAÇAM O CAMINHO, A LUZ É MAIS PRECIOSA E MAIS PURA."

(Espírito Emmanuel, in "Paulo e Estêvão", romance por ele ditado a Chico Xavier)

Meus Amigos e blogAmigos!

sexta-feira, 4 de maio de 2012


Em 1994 Partia Tonico,
e hoje nos deixa TINOCO
agora ficamos feito um tico,
com pouca raiz, e mais toco.
(jrb)


OBRIGADO Tinoco, pela alegrias que você e Tonico me deram....





quarta-feira, 18 de abril de 2012

HOJ'ESTOU:




... saudoso de meus Amigos 

dos cantos e floradas vid'afora

Canteiros inda os guardo comigo

mas não abotoam tal com’outrora...

                                                                            (JRB)


sexta-feira, 30 de março de 2012

LIÇÃO D'ALMA'NIMAL:



...inTolerância, 
maldade
malícia,  
violência, 
desamor
são todos criações 


geNUinvejamente


humanos!.. 


(jrb)




terça-feira, 20 de março de 2012



tempos assim, 
que cantos alheios 
falam por mim, 
sem cordas nem freios, 
a minha vontade.



quinta-feira, 1 de março de 2012

LUCIO DALLA... A VOZ SUBLIME QUE FICOU


Lucio Dalla...


...agora é brilho de mar,
é sopro de vento,
em algum lugar,
do golfo de Surriento...





Caruso

Qui dove il mare luccica e tira forte il vento
Su una vecchia terrazza davanti al golfo de Surriento
Un uomo abbraccia una ragazza dopo che aveva pianto
Poi si schiarisce la voce e ricomincia il canto


Te voglio bene assaie
Ma tanto, tanto bene sai
E una catena ormai
Che scioglie il sangue dint' e vene sai


Vide le luci in mezzo al mare pensò alle notti là in America
Ma erano solo le lampare e la vianca scia di un elica
Senti il dolore nella musica e si alzò dal pianoforte
Ma quando vide uscire la luna da una nuvola
Gli sembro più dolce anche la morte
Guardò negli occhi la ragazza quegli occhi verdi come il mare
Poi all'improviso uscì una lacrima e lui credette di affogare


Te voglio bene assaie
Ma tanto, tanto bene sai
E una catena ormai
Che scioglie il sangue dint' e vene sai


Potenza della lirica dove ogni dramma é un falso
Che con un po'di trucco e con la mimica puoi diventare un altro
Ma due occhi che ti guardano cosi vicini e veri
Ti fan scordare le parole confondono i pensieri
Cosi diventa tutto piccolo anche le notti là in America
Ti volti e vedi la tua vita come la scia di un'elica
Ma si é la vita che finisce ma lui non ci pensò poi tanto
Anzi si sentiva gia felice e ricominciò suo canto


Te voglio bene assaie
Ma tanto, tanto bene assaie
E una catena ormai
Che scioglie il sangue dint' e vene sai

Caruso

Aqui onde o mar brilha e sopra forte o vento
Sobre um velho terraço em frente ao golfo de Sorrento
Um homem abraça uma garota depois de haver chorado
Depois limpa a sua voz e começa a cantar


Te quero muito bem
Mas tanto tanto bem, sabes?
É uma cadeia já
Que já dissolve o sangue Dentro das veias


Viu as luzes no meio do mar pensou nas noites lá na américa
Mas eram só as lâmpadas e a branca faixa de uma hélice
Sente a dor da música ao levantar-se do piano

Mas quando viu a lua sair de uma nuvem
Lhe pareceu mais doce até a morte
Olhou nos olhos da garota aqueles olhos verdes como o mar
Depois, de improviso saiu uma lágrima e ele se sente sufocar


Te quero muito bem
Mas tanto tanto bem, sabes?
É uma cadeia já
Que já dissolve o sangue Dentro das veias


Poder do teatro, onde cada drama é uma mentira
Que com um pouco de maquiagem e com a mímica pode tornar-se um outro
Mas dois olhos que te olham de perto e tão reais
Te fazem esquecer as palavras confundem os pensamentos
Assim se torna tudo pequeno até as noites lá na América
Volta e vê a tua vida como o rastro de um hélice
Mas se é a vida que termina, e ele nem pensa tanto
Pelo contrário se sentia até feliz e recomeçou o seu canto


Te quero tanto bem ...
Mas tanto tanto bem, sabes?
É uma cadeia já
Que já dissolve o sangue Dentro das veias


Imagem by web








domingo, 5 de fevereiro de 2012

RITA "Lampeona" LEE



O DIA EM QUE LAMPIÃO SE APODEROU DE RITA LEE



pelo cordelista e xilogravurista J.BORGES*
(Bezerros - PE)

Veje homi seu menino
Sente que vou lhe contar
Do dia que baixou Virgulino
Em um palco feito altar
Na Rita que não é a santa
Mas moça boa no falar


Antes contudo todavia
Um bocado acabrunhado
Peço a bença dos poetas
Que nessa arte têm mestrado
Não riam aqui deste mané
Um patavina do Assaré


Pois aquele um, o Virgulino
É o próprio Lampião
Falecido no Sergipe
Sítio deste dramalhão
E Rita é a Lee a negra ovelha
Nossa mais digna pentelha


Foi na Barra dos Coqueiros
Sua cantoria derradeira
Armou-se grande festa
Pro adeus de uma roqueira
Agora não venham os dotô
Com essa chata choradeira


Vocês conhecem essa cara
Essa fala, esse cheiro
Portanto se desespantem
Com os modos de carroceiro
Ela ficou só pouco mais fula
Com o espírito do cangaceiro




Quando a dita assombração
Empreendeu sua manobra
Ocupando aquele corpo
De cabelo cor de abobra
Ela sentindo a ditadura
De cabrita virou cobra


Era noite alta e fresca
Quando surgiu a soldadesca
Bulindo o povo, acintosa
Atrás da tal erva venenosa
Lá de cima Rita viu
Parou o show, o céu caiu


E quando súbito se viu
A lua desaparecer
Na praça antes pacata
Foi um tal de se benzer
“Vixe cr’em Deus pai
O regabofe vai feder”


Possuída pelo fantasma
Do bandoleiro nordestino
Rita fez da voz o bacamarte
E da bala o seu hino
Chamou major de cachorro
O tenente de equino


A roqueira do cangaço
Disse tudo sem volteio
Oiô de frente a guarda
Exibiu dedo do meio
C’atitude obscena
Só cresceu o rebosteio


Nem o beiço quis molhar
Com água, suco ou fruta
Se dirigiu aos capacetes
“Seus filhos duma puta
Venham me pegar
Sou avó mas tô enxuta”


A razão e o motivo
De tamanho aporrinho
A Lampiona deixou claro:
A força bruta, o desalinho
No lombo da meninada
Causa dum baseadinho


Indo pra lá mais adiante
Não precisa de adivinho
Pra notar naquele grito
Também disparo de espinho
Contra os cabra que arrocha
Aluno, nóia e Pinheirinho


Por isso e mais um tanto
Que a mutante encrenqueira
Em seu verbo assoberbado
Pôs nos dente a peixeira
Dando devido sacolejo
Na triste vida brasileira


Quem ficou aperreado
Foi Déda governador
Disse e não é chiste
Que Rita está em seu playlist
Mas xingar homem da lei
É demais pra quem assiste


Não por outra o mandatário
Pensou ir ao tribunal
Cortar a paga do cachê
Mas evitou posar de mau
Se Rita lamentasse o auê
“Causdequê?! Do fumacê?!”


Entremente o rebuliço
Muito apoio lhe foi dito
O filho Beto veio aqui
E confessou estar aflito
O titã Sérgio Britto:
“Fuck the police, viva Rita Lee!”


Ainda chefe de Corisco
64 anos e avó
Gulosa, escandalosa
Foi levada ao xilindró
E nas venta do delegado
Passou novo forrobodó


Causo tão misterioso
Os pelo sobe de alembrar
Mas juro ao senhor
Pela emoção não me guiar
Tava assim de cabra da peste
Que pode tudo confirmar


Do seio da luz brilhante
Veio o divino chanceler
Em pessoa o Padim Ciço
Com sua mágica colher
Futucou-lhe as entranhas
Rancou o capeta da mulher


A cantante estrebuchava
Se arrastando pelo chão
Pro marido ela explicava:
“Foi o calor da emoção”
E Roberto amparava:
“Cospe, Rita, cospe fora o dragão”


Exorcizado o coisa ruim
Ordenou o padroeiro
“Rita, mia fia
Não atuo de bombeiro
Pois volte já pra rede
Escandalize os tuiteiro”


Ela beijou a mão do santo
Agradecida e juvenil
Pensou que bem podia
Ser presidenta do Brasil
Pra dar Panis Et Circenses
A essa gente tão gentil


Má ideia não seria
Pois artista não sobrou
Chico só quer bola
E Caetano caducou
Então vote em Rita Lee
Prum país mais rock and roll!


Vou parando por aqui
De sua paciência abusei
Minha lira se gastou
Das fantasias que cantei
Mas garanto meu amigo
Se aumentei não inventei.


*******


* Gravura: do gênio cordelista e xilogravurista pernambucano (Bezerros)
José Francisco Borges (76), ou simplesmente,




Curiosidade: os versos de J. BORGES retratam o episódio ocorrido no domingo, dia 29.01.2012, em SERGIPE, com a roqueira nacional RITA LEE que, em seu show de despedida dos palcos, na praia Atalaia Nova, no município de Barra dos Coqueiros, perto da capital Aracaju, foi presa sob acusação de desacato a autoridade e apologia às drogas (maconha). 


Imagem de Rit Lee by web
Versos recolhidos da reportagem de Christian Carvalho Cruz in Estadão 
...

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

DOCES IMAGENS D'OUTRORA


Tinha quase nove anos. Estava morando na Rua Souza Naves, quas’esquina com a Salgado Filho, em Paranavaí. Em frente ao prédio que hoje é o “Positivo”, e que outrora fora o meu memorável Externato Nísia Floresta das primeiras letras, depois Mini-Ginásio Luther King.

Para ali chegara vindo da Rua Pará, também quas’esquina com a Manoel Ribas, meu segundo endereço – cuja casa meu pai Sontonho vendera para um dos Del Grossi; creio que para o Alcides – já que meu primeiro endereço, o de nascimento, fora na Avenida Paraná, na então Padaria Santa Terezinha fundada por meus pais. Era em frente ao histórico “Ponto Azul”, que tantos pioneiros recebera e outros tantos vira partir nas cansadas jardineiras, desiludidos. O Ponto Azul ficava na confluência da Manoel Ribas com a Guaporé e a Paraná.

Um domingo. Era. Perto das três da tarde os bancos de areão formados pelas enxurradas que desciam pela Rio Grande do Norte e paravam, ora no cruzamento com a Souza Naves, ora no da Paraíba, não estavam pra brincadeira. Além de dar pra esquentar marmita, também encalhavam as rodas de qualquer caminhãozinho Chevrolet Brasil e d’outros automóveis, mesmo com motoristas experientes. Se fazia implacável com as solas de pés descalços; belas bolhas d’água resultavam.

Até em chão duro o arenito não se fazia diferente àquela hora, exceto pro marimbondo-cavalo que nem assim deixava escapar uma aranhazinha vacilante qualquer andando em datas vazias.

Não se falava em sandálias japonesas; a gente usava mesmo eram botinas, das feitas à mão e a capricho por meu vizinho seo Zé Sapateiro, em sua “Selaria e Sapataria São José”, ali ao lado do extinto Palace Hotel que por muitos anos foi “casa” do Maestro Carlos Cagnani, meu primeiro professor de teoria musical.

Ainda ouço-lhe a voz forte e o eterno sotaque italiano, pausado, numa sala de aulas do Colégio Estadual, levantando o dedo indicador:

– A pauta tem ciinco linhas e... cuátro espaços!!

Na inocência d’um moleque de quase nove anos daqueles tempos, como muitos outros da cidade, eu soubera que naquela tarde não haveria matinê no Cine Paranavaí; no centro da cidade, num ponto mais alto da mesma Rua Manoel Ribas, lá pros lados da casa onde eu morara na Rua Pará, haveria uma festa. Estariam lá as mais altas autoridades da cidade; o prefeito Doutor Messias, o juiz Sinval Reis, e o frei carmelita Ulrico Goevert, que foi quem me batizou e crismou.

Fui pra lá também! Pequeno em meio à multidão já àquela hora à sombra do “predião” cheio de losangos coloridos na fachada, de vez em quando eu ficava na ponta dos pés pra ver o que estava acontecendo. Queria ver e ouvir a bênção do Frei Ulrico, o prefeito falar...

Aquela era a tarde do domingo, 27 de janeiro de 1961, e a multidãozinha fazia silêncio razoável. Frei Ulrico abençoou o “predião” bonito e, em seguida, o prefeito Doutor Messias cortou sua fita inaugural, fazendo brotar palmas efusivas da multidãozinha que, como eu, assistia inocente àquele momento paranavaiense, sequer imaginando-o histórico: estava inaugurado o CINE OURO BRANCO!

CINE OURO BRANCO, que no dia de hoje faria 51 anos, é uma cena inesquecível do filme de minha vida. Guardo-a protegida na velha lata das belas recordações e dos encantos das tantas alegrias juvenis que naquele espaço vivi até 1973, ano em que o roteiro da vida soprou-me para outras sequências em outros rincões do país.

Por isso, parabéns “meu velho amigo” Cine Ouro Branco! Seu filme ainda está em cartaz...comigo!

Arrancaram as negras pastilhas que lhe adornavam as colunas de entrada, os losangos coloridos da fachada alta, os lambris envernizados, o carpete vermelho da escadaria, consumiram com as poltronas macias de sua sala de projeção, suas luminárias coloridas que mais me lembravam grandes sorvetes de limão, de groselha e de hortelã.

Desfiaram o alvo pano de sua tela e das longas cortinas, desmontaram-lhe as madeiras do palco em que pisaram tantos artistas e grupos musicais, apagaram para sempre seus projetores, destruíram seu corpo enfim, mas não as lembranças daqueles meus instantes de doces alegrias ali - como as que recebi no balcão de sua bombonière -, que sem saber você ainda projeta em minha memória, em meu coração... 


Imagem: by acervo pessoal de osvaldo del grossi

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

SÃO SEBASTIÃO E A FÉ DUMA CIDADE


Hoje é dia de SÃO SEBASTIÃO
padroeiro de Paranavaí
meu torrão natal... 







A  DE UMA CIDADE EM TRÊS TEMPOS:

 Capela São Sebastião (1951)




Igreja São Sebastião (1952)




Igreja Matriz de São Sebastião (atual) 


... que a cristã que outrora uniu os homens e mulheres de boa vontade 
de Paranavaí para pedirem a SÃO SEBASTIÃO proteção 
contra a força de uma epidemia, 
e para construírem novos templos dignos de seu nome, 
se renove agora mais fortemente para interceder junto ao Santo Padroeiro pela célere instalação da Clínica Oncológica local, 
renovando, enfim, as esperanças e os sonhos dos que sofrem
desse mal moderno, o câncer, na cidade e região...    




Imagem 1: by web
Imagens 2 a 4: by Wilmar Santin 

sábado, 31 de dezembro de 2011

É. 2011... 2012... A DANÇA DA VIDA!


         É... Hoje o último dia d’ 2011! E nem parece. Inda m’ lembro d’ com’estava meu espírito na passagem d’ 2010 pra 2011, numa praia de São Francisco do Sul.

Olho meu limoeiro tahiti; continua florindo e frutificando. Divino espetáculo o ano todo.

As flores lilases do pingo-de-ouro estão d’ volta na tela da janela do meu quarto; brincos especiais,  penduradinhos. As caídas dão tom especial ao império do gramado. Obras do Pintor-Mor!

Ainda não fiquei amigo do mouse no notebook; sigo agarrado ao outro, acessório. Se há ponte, pra quê rio a nado? Só s’ molha quem não olha.   

Ao meu chamado pardais e pombas seguem vindo ao quintal d’ casa; os farelinhos e pães esmigalhados que lhes dou dia alimentam meus olhos e minh’alma. É a paga pelas sinfonias de cantos d’ paz que m’ entregam todos os dias do ano. Doamos-nos.

Os estampidos dos rojões d’alegria humana da data incomodam ouvidos e corações da Guida e do Bigode; contam comigo, eu sei! Se em mim tem “um deus”, eu os tenho por “anjos calados” que m’ lembram meus pais, Don’Elvira e Sontonho, as saudades, os seus gestos nos chamados d’então.

Ontem à noite reuni amigos mais próximos num “churrasco do Bolinha”; as piadas d’ sempre, muita risada, fotografias e as chacotas de praxe por mais este ano juntos. Amigos podem ser poucos, mas quem não os tem costuma ficar rouco... certas horas inglórias da vida.

2012 já está dando o ar da graça. Que venh'então!

Em sua mala novos caminhos, esperanças, mudanças. É democrático; traz isso pra todos. É bom!

Noto que todo ano novo é assim: discretamente justo; esparrama aos nossos olhos muita alegria e sonhos, mas nós não resistimos ao impulso de autoentremearmos algumas pedras, certos espinhos, nessa nossa mania de (des-)temperarmos a vida. Depois vem as lições do quão vaidosos fomos, apesar da insignificância estampada no prata dos espelhos, que nunca aprendemos.

Finzinho de dezembro, e Caetano ainda canta no rádio sem-lenço-e-sem-documento. Tem razão o poeta: Alegria, Alegria! Lenços são pra lágrimas e documentos pra provar condição. Lágrimas são  vozes d’alma, e os documentos d’ nada lhes servem; o estado da alma é e não está.

O sol de verão de hoje está encoberto. Por aqui nuvens choram sobre os verdes e os vivos, para as sementes entrementes, das paisagens dormentes que acordam sempre, a cada dia, pra noss’alegria.

Uma pontinha de tristeza; m’lembro que um casal d’amigos estará indo embora daqui para o litoral norte do estado de São Paulo; já nos despedimos no dia 17. Não m’acostumo com despedidas, muito menos d’amigos...

É. 2011... 2012... Outro disco tocará na vitrola encantada da vid’amanhã. 

A ela vida só peço que no ano vindouro não me deixe esquecer de sentir resignadamente as dores alheias enquanto sigo aprendendo a pensar abnegadamente formas de estender-lhes minhas mãos, sem no entanto sem injusto com ninguém.



FELIZ ANO NOVO,

E
PARA TODOS... 
SAÚDE!




Imagem 1: by josé roberto balestra
Imagem 2: by web