“QUANDO AS SOMBRAS AMEAÇAM O CAMINHO, A LUZ É MAIS PRECIOSA E MAIS PURA."
(Espírito Emmanuel, in "Paulo e Estêvão", romance por ele ditado a Chico Xavier)
Meus Amigos e blogAmigos!
terça-feira, 8 de maio de 2012
sexta-feira, 4 de maio de 2012
sexta-feira, 27 de abril de 2012
quarta-feira, 18 de abril de 2012
HOJ'ESTOU:
... saudoso de meus Amigos
dos cantos e floradas vid'afora
Canteiros inda os guardo comigo
mas não abotoam tal com’outrora...
(JRB)
sábado, 7 de abril de 2012
sexta-feira, 30 de março de 2012
LIÇÃO D'ALMA'NIMAL:
...inTolerância,
maldade,
malícia,
violência,
desamor,
são todos criações geNUinvejamente
humanos!..
(jrb)
terça-feira, 20 de março de 2012
quinta-feira, 1 de março de 2012
LUCIO DALLA... A VOZ SUBLIME QUE FICOU
Lucio Dalla...
...agora é brilho de mar,
é sopro de vento,
em algum lugar,
do golfo de Surriento...
Caruso
Qui dove il mare luccica e tira forte il vento
Su una vecchia terrazza davanti al golfo de Surriento
Un uomo abbraccia una ragazza dopo che aveva pianto
Poi si schiarisce la voce e ricomincia il canto
Te voglio bene assaie
Ma tanto, tanto bene sai
E una catena ormai
Che scioglie il sangue dint' e vene sai
Vide le luci in mezzo al mare pensò alle notti là in America
Ma erano solo le lampare e la vianca scia di un elica
Senti il dolore nella musica e si alzò dal pianoforte
Ma quando vide uscire la luna da una nuvola
Gli sembro più dolce anche la morte
Guardò negli occhi la ragazza quegli occhi verdi come il mare
Poi all'improviso uscì una lacrima e lui credette di affogare
Te voglio bene assaie
Ma tanto, tanto bene sai
E una catena ormai
Che scioglie il sangue dint' e vene sai
Potenza della lirica dove ogni dramma é un falso
Che con un po'di trucco e con la mimica puoi diventare un altro
Ma due occhi che ti guardano cosi vicini e veri
Ti fan scordare le parole confondono i pensieri
Cosi diventa tutto piccolo anche le notti là in America
Ti volti e vedi la tua vita come la scia di un'elica
Ma si é la vita che finisce ma lui non ci pensò poi tanto
Anzi si sentiva gia felice e ricominciò suo canto
Te voglio bene assaie
Ma tanto, tanto bene assaie
E una catena ormai
Che scioglie il sangue dint' e vene sai
Caruso
Aqui onde o mar brilha e sopra forte o vento
Sobre um velho terraço em frente ao golfo de Sorrento
Um homem abraça uma garota depois de haver chorado
Depois limpa a sua voz e começa a cantar
Te quero muito bem
Mas tanto tanto bem, sabes?
É uma cadeia já
Que já dissolve o sangue Dentro das veias
Viu as luzes no meio do mar pensou nas noites lá na américa
Mas eram só as lâmpadas e a branca faixa de uma hélice
Sente a dor da música ao levantar-se do piano
Mas quando viu a lua sair de uma nuvem
Lhe pareceu mais doce até a morte
Olhou nos olhos da garota aqueles olhos verdes como o mar
Depois, de improviso saiu uma lágrima e ele se sente sufocar
Te quero muito bem
Mas tanto tanto bem, sabes?
É uma cadeia já
Que já dissolve o sangue Dentro das veias
Poder do teatro, onde cada drama é uma mentira
Que com um pouco de maquiagem e com a mímica pode tornar-se um outro
Mas dois olhos que te olham de perto e tão reais
Te fazem esquecer as palavras confundem os pensamentos
Assim se torna tudo pequeno até as noites lá na América
Volta e vê a tua vida como o rastro de um hélice
Mas se é a vida que termina, e ele nem pensa tanto
Pelo contrário se sentia até feliz e recomeçou o seu canto
Te quero tanto bem ...
Mas tanto tanto bem, sabes?
É uma cadeia já
Que já dissolve o sangue Dentro das veias
Imagem by web
domingo, 5 de fevereiro de 2012
RITA "Lampeona" LEE
O DIA EM QUE LAMPIÃO SE APODEROU DE RITA LEE
pelo cordelista e xilogravurista J.BORGES*
(Bezerros - PE)
Veje homi seu menino
Sente que vou lhe contar
Do dia que baixou Virgulino
Em um palco feito altar
Na Rita que não é a santa
Mas moça boa no falar
Sente que vou lhe contar
Do dia que baixou Virgulino
Em um palco feito altar
Na Rita que não é a santa
Mas moça boa no falar
Antes contudo todavia
Um bocado acabrunhado
Peço a bença dos poetas
Que nessa arte têm mestrado
Não riam aqui deste mané
Um patavina do Assaré
Um bocado acabrunhado
Peço a bença dos poetas
Que nessa arte têm mestrado
Não riam aqui deste mané
Um patavina do Assaré
Pois aquele um, o
Virgulino
É o próprio Lampião
Falecido no Sergipe
Sítio deste dramalhão
E Rita é a Lee a negra ovelha
Nossa mais digna pentelha
É o próprio Lampião
Falecido no Sergipe
Sítio deste dramalhão
E Rita é a Lee a negra ovelha
Nossa mais digna pentelha
Sua cantoria derradeira
Armou-se grande festa
Pro adeus de uma roqueira
Agora não venham os dotô
Com essa chata choradeira
Vocês conhecem essa
cara
Essa fala, esse cheiro
Portanto se desespantem
Com os modos de carroceiro
Ela ficou só pouco mais fula
Com o espírito do cangaceiro
Essa fala, esse cheiro
Portanto se desespantem
Com os modos de carroceiro
Ela ficou só pouco mais fula
Com o espírito do cangaceiro
Quando a dita assombração
Empreendeu sua manobra
Ocupando aquele corpo
De cabelo cor de abobra
Ela sentindo a ditadura
De cabrita virou cobra
Era noite alta e
fresca
Quando surgiu a soldadesca
Bulindo o povo, acintosa
Atrás da tal erva venenosa
Lá de cima Rita viu
Parou o show, o céu caiu
Quando surgiu a soldadesca
Bulindo o povo, acintosa
Atrás da tal erva venenosa
Lá de cima Rita viu
Parou o show, o céu caiu
E quando súbito se
viu
A lua desaparecer
Na praça antes pacata
Foi um tal de se benzer
“Vixe cr’em Deus pai
O regabofe vai feder”
A lua desaparecer
Na praça antes pacata
Foi um tal de se benzer
“Vixe cr’em Deus pai
O regabofe vai feder”
Possuída pelo
fantasma
Do bandoleiro nordestino
Rita fez da voz o bacamarte
E da bala o seu hino
Chamou major de cachorro
O tenente de equino
Do bandoleiro nordestino
Rita fez da voz o bacamarte
E da bala o seu hino
Chamou major de cachorro
O tenente de equino
A roqueira do cangaço
Disse tudo sem volteio
Oiô de frente a guarda
Exibiu dedo do meio
C’atitude obscena
Só cresceu o rebosteio
Disse tudo sem volteio
Oiô de frente a guarda
Exibiu dedo do meio
C’atitude obscena
Só cresceu o rebosteio
Nem o beiço quis
molhar
Com água, suco ou fruta
Se dirigiu aos capacetes
“Seus filhos duma puta
Venham me pegar
Sou avó mas tô enxuta”
Com água, suco ou fruta
Se dirigiu aos capacetes
“Seus filhos duma puta
Venham me pegar
Sou avó mas tô enxuta”
A razão e o motivo
De tamanho aporrinho
A Lampiona deixou claro:
A força bruta, o desalinho
No lombo da meninada
Causa dum baseadinho
Indo pra lá mais adiante
Não precisa de adivinho
Pra notar naquele grito
Também disparo de espinho
Contra os cabra que arrocha
Aluno, nóia e Pinheirinho
De tamanho aporrinho
A Lampiona deixou claro:
A força bruta, o desalinho
No lombo da meninada
Causa dum baseadinho
Indo pra lá mais adiante
Não precisa de adivinho
Pra notar naquele grito
Também disparo de espinho
Contra os cabra que arrocha
Aluno, nóia e Pinheirinho
Por isso e mais um
tanto
Que a mutante encrenqueira
Em seu verbo assoberbado
Pôs nos dente a peixeira
Dando devido sacolejo
Na triste vida brasileira
Que a mutante encrenqueira
Em seu verbo assoberbado
Pôs nos dente a peixeira
Dando devido sacolejo
Na triste vida brasileira
Quem ficou aperreado
Foi Déda governador
Disse e não é chiste
Que Rita está em seu playlist
Mas xingar homem da lei
É demais pra quem assiste
Foi Déda governador
Disse e não é chiste
Que Rita está em seu playlist
Mas xingar homem da lei
É demais pra quem assiste
Não por outra o
mandatário
Pensou ir ao tribunal
Cortar a paga do cachê
Mas evitou posar de mau
Se Rita lamentasse o auê
“Causdequê?! Do fumacê?!”
Pensou ir ao tribunal
Cortar a paga do cachê
Mas evitou posar de mau
Se Rita lamentasse o auê
“Causdequê?! Do fumacê?!”
Entremente o rebuliço
Muito apoio lhe foi dito
O filho Beto veio aqui
E confessou estar aflito
O titã Sérgio Britto:
“Fuck the police, viva Rita Lee!”
Muito apoio lhe foi dito
O filho Beto veio aqui
E confessou estar aflito
O titã Sérgio Britto:
“Fuck the police, viva Rita Lee!”
Ainda chefe de
Corisco
64 anos e avó
Gulosa, escandalosa
Foi levada ao xilindró
E nas venta do delegado
Passou novo forrobodó
64 anos e avó
Gulosa, escandalosa
Foi levada ao xilindró
E nas venta do delegado
Passou novo forrobodó
Causo tão misterioso
Os pelo sobe de alembrar
Mas juro ao senhor
Pela emoção não me guiar
Tava assim de cabra da peste
Que pode tudo confirmar
Os pelo sobe de alembrar
Mas juro ao senhor
Pela emoção não me guiar
Tava assim de cabra da peste
Que pode tudo confirmar
Do seio da luz
brilhante
Veio o divino chanceler
Em pessoa o Padim Ciço
Com sua mágica colher
Futucou-lhe as entranhas
Rancou o capeta da mulher
Veio o divino chanceler
Em pessoa o Padim Ciço
Com sua mágica colher
Futucou-lhe as entranhas
Rancou o capeta da mulher
A cantante
estrebuchava
Se arrastando pelo chão
Pro marido ela explicava:
“Foi o calor da emoção”
E Roberto amparava:
“Cospe, Rita, cospe fora o dragão”
Se arrastando pelo chão
Pro marido ela explicava:
“Foi o calor da emoção”
E Roberto amparava:
“Cospe, Rita, cospe fora o dragão”
Exorcizado o coisa
ruim
Ordenou o padroeiro
“Rita, mia fia
Não atuo de bombeiro
Pois volte já pra rede
Escandalize os tuiteiro”
Ordenou o padroeiro
“Rita, mia fia
Não atuo de bombeiro
Pois volte já pra rede
Escandalize os tuiteiro”
Ela beijou a mão do
santo
Agradecida e juvenil
Pensou que bem podia
Ser presidenta do Brasil
Pra dar Panis Et Circenses
A essa gente tão gentil
Agradecida e juvenil
Pensou que bem podia
Ser presidenta do Brasil
Pra dar Panis Et Circenses
A essa gente tão gentil
Má ideia não seria
Pois artista não sobrou
Chico só quer bola
E Caetano caducou
Então voteem Rita Lee
Prum país mais rock and roll!
Pois artista não sobrou
Chico só quer bola
E Caetano caducou
Então vote
Vou parando por aqui
De sua paciência abusei
Minha lira se gastou
Das fantasias que cantei
Mas garanto meu amigo
Se aumentei não inventei.
De sua paciência abusei
Minha lira se gastou
Das fantasias que cantei
Mas garanto meu amigo
Se aumentei não inventei.
*******
* Gravura: do gênio cordelista e xilogravurista pernambucano (Bezerros)
José Francisco Borges (76), ou simplesmente,
J. BORGES =>
Curiosidade: os versos de J. BORGES retratam o episódio ocorrido no domingo, dia 29.01.2012, em SERGIPE, com a roqueira nacional RITA LEE que, em seu show de despedida dos palcos, na praia Atalaia Nova, no município de Barra dos Coqueiros, perto da capital Aracaju, foi presa sob acusação de desacato a autoridade e apologia às drogas (maconha). sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
DOCES IMAGENS D'OUTRORA
Tinha
quase nove anos. Estava morando na Rua Souza Naves, quas’esquina com a Salgado
Filho, em Paranavaí. Em
frente ao prédio que hoje é o “Positivo”, e que outrora fora o meu memorável
Externato Nísia Floresta das primeiras letras, depois Mini-Ginásio Luther King.
Para
ali chegara vindo da Rua Pará, também quas’esquina com a Manoel Ribas, meu
segundo endereço – cuja casa meu pai Sontonho vendera para um dos Del Grossi;
creio que para o Alcides – já que meu primeiro endereço, o de nascimento, fora
na Avenida Paraná, na então Padaria Santa Terezinha fundada por meus pais. Era em
frente ao histórico “Ponto Azul”, que tantos pioneiros recebera e outros tantos
vira partir nas cansadas jardineiras, desiludidos. O Ponto Azul ficava na
confluência da Manoel Ribas com a Guaporé e a Paraná.
Um
domingo. Era. Perto das três da tarde os bancos de areão formados pelas enxurradas
que desciam pela Rio Grande do Norte e paravam, ora no cruzamento com a Souza
Naves, ora no da Paraíba, não estavam pra brincadeira. Além de dar pra esquentar
marmita, também encalhavam as rodas de qualquer caminhãozinho Chevrolet Brasil e
d’outros automóveis, mesmo com motoristas experientes. Se fazia implacável com as
solas de pés descalços; belas bolhas d’água resultavam.
Até
em chão duro o arenito não se fazia diferente àquela hora, exceto pro
marimbondo-cavalo que nem assim deixava escapar uma aranhazinha vacilante qualquer
andando em datas vazias.
Não
se falava em sandálias japonesas; a gente usava mesmo eram botinas, das feitas à
mão e a capricho por meu vizinho seo Zé Sapateiro, em sua “Selaria e Sapataria
São José”, ali ao lado do extinto Palace Hotel que por muitos anos foi “casa”
do Maestro Carlos Cagnani, meu primeiro professor de teoria musical.
Ainda
ouço-lhe a voz forte e o eterno sotaque italiano, pausado, numa sala de aulas do
Colégio Estadual, levantando o dedo indicador:
–
A pauta tem ciinco linhas e... cuátro espaços!!
Na
inocência d’um moleque de quase nove anos daqueles tempos, como muitos outros da
cidade, eu soubera que naquela tarde não haveria matinê no Cine Paranavaí; no centro
da cidade, num ponto mais alto da mesma Rua Manoel Ribas, lá pros lados da casa
onde eu morara na Rua Pará, haveria uma festa. Estariam lá as mais altas
autoridades da cidade; o prefeito Doutor Messias, o juiz Sinval Reis, e o frei
carmelita Ulrico Goevert, que foi quem me batizou e crismou.
Fui
pra lá também! Pequeno em meio à multidão já àquela hora à sombra do “predião”
cheio de losangos coloridos na fachada, de vez em quando eu ficava na ponta dos
pés pra ver o que estava acontecendo. Queria ver e ouvir a bênção do Frei
Ulrico, o prefeito falar...
Aquela
era a tarde do domingo, 27 de janeiro de 1961, e a multidãozinha fazia silêncio
razoável. Frei Ulrico abençoou o “predião” bonito e, em seguida, o prefeito
Doutor Messias cortou sua fita inaugural, fazendo brotar palmas efusivas da
multidãozinha que, como eu, assistia inocente àquele momento paranavaiense, sequer
imaginando-o histórico: estava
inaugurado o CINE OURO BRANCO!
CINE OURO BRANCO,
que no dia de hoje faria 51 anos, é uma cena inesquecível do filme de minha
vida. Guardo-a protegida na velha lata das belas recordações e dos encantos das
tantas alegrias juvenis que naquele espaço vivi até 1973, ano em que o roteiro da
vida soprou-me para outras sequências em outros rincões do país.
Por
isso, parabéns “meu velho amigo” Cine Ouro Branco! Seu filme ainda está em cartaz...comigo!
Arrancaram
as negras pastilhas que lhe adornavam as colunas de entrada, os losangos
coloridos da fachada alta, os lambris envernizados, o carpete vermelho da
escadaria, consumiram com as poltronas macias de sua sala de projeção, suas
luminárias coloridas que mais me lembravam grandes sorvetes de limão, de
groselha e de hortelã.
Desfiaram
o alvo pano de sua tela e das longas cortinas, desmontaram-lhe as madeiras do palco
em que pisaram tantos artistas e grupos musicais, apagaram para sempre
seus projetores, destruíram seu corpo enfim, mas não as lembranças
daqueles meus instantes de doces alegrias ali - como as que recebi no balcão de sua bombonière -, que sem saber você ainda
projeta em minha memória, em meu coração...
Imagem: by acervo pessoal de osvaldo del grossi
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
SÃO SEBASTIÃO E A FÉ DUMA CIDADE
Hoje é dia de SÃO SEBASTIÃO,
padroeiro de Paranavaí,
meu torrão natal...
A FÉ DE UMA CIDADE EM TRÊS TEMPOS:
Capela São Sebastião (1951)
Igreja São Sebastião (1952)
Igreja Matriz de São Sebastião (atual)
... que a FÉ cristã que outrora uniu os homens e mulheres de boa vontade
de Paranavaí para pedirem a SÃO SEBASTIÃO proteção
contra a força de uma epidemia,
e para construírem novos templos dignos de seu nome,
se renove agora mais fortemente para interceder junto ao Santo Padroeiro pela célere instalação da Clínica Oncológica local,
renovando, enfim, as esperanças e os sonhos dos que sofrem
desse mal moderno, o câncer, na cidade e região...
Imagem 1: by web
Imagens 2 a 4: by Wilmar Santin
sábado, 31 de dezembro de 2011
É. 2011... 2012... A DANÇA DA VIDA!
É... Hoje o
último dia d’ 2011! E nem parece. Inda m’ lembro d’ com’estava meu espírito na
passagem d’ 2010 pra 2011, numa praia de São Francisco do Sul.
Olho meu
limoeiro tahiti; continua florindo e frutificando. Divino espetáculo o ano todo.
As flores lilases
do pingo-de-ouro estão d’ volta na tela da janela do meu quarto; brincos especiais,
penduradinhos. As caídas dão tom especial
ao império do gramado. Obras do Pintor-Mor!
Ainda não fiquei
amigo do mouse no notebook; sigo agarrado ao outro, acessório. Se há ponte, pra quê rio a nado? Só s’ molha
quem não olha.
Ao meu
chamado pardais e pombas seguem vindo ao quintal d’ casa; os farelinhos e pães
esmigalhados que lhes dou dia alimentam meus olhos e minh’alma. É a paga pelas
sinfonias de cantos d’ paz que m’ entregam todos os dias do ano. Doamos-nos.
Os estampidos
dos rojões d’alegria humana da data incomodam ouvidos e corações da Guida e do
Bigode; contam comigo, eu sei! Se em mim tem “um deus”, eu os tenho por “anjos
calados” que m’ lembram meus pais, Don’Elvira
e Sontonho, as saudades, os seus gestos
nos chamados d’então.
Ontem à
noite reuni amigos mais próximos num “churrasco do Bolinha”; as piadas d’
sempre, muita risada, fotografias e as chacotas de praxe por mais este ano
juntos. Amigos podem ser poucos, mas quem não os tem costuma ficar rouco...
certas horas inglórias da vida.
2012 já
está dando o ar da graça. Que venh'então!
Em sua mala novos caminhos, esperanças, mudanças.
É democrático; traz isso pra todos. É
bom!
Noto que
todo ano novo é assim: discretamente justo; esparrama aos nossos olhos muita
alegria e sonhos, mas nós não resistimos ao impulso de autoentremearmos algumas
pedras, certos espinhos, nessa nossa mania de (des-)temperarmos a vida. Depois vem
as lições do quão vaidosos fomos, apesar da insignificância estampada no prata
dos espelhos, que nunca aprendemos.
Finzinho de
dezembro, e Caetano ainda canta no rádio sem-lenço-e-sem-documento. Tem razão o
poeta: Alegria, Alegria! Lenços são
pra lágrimas e documentos pra provar condição. Lágrimas são vozes d’alma, e os documentos d’ nada lhes
servem; o estado da alma é e não está.
O sol de
verão de hoje está encoberto. Por aqui nuvens choram sobre os verdes e os vivos,
para as sementes entrementes, das paisagens dormentes que acordam sempre, a
cada dia, pra noss’alegria.
Uma
pontinha de tristeza; m’lembro que um casal d’amigos estará indo embora daqui
para o litoral norte do estado de São Paulo; já nos despedimos no dia 17. Não
m’acostumo com despedidas, muito menos d’amigos...
É. 2011... 2012... Outro disco tocará na vitrola encantada da
vid’amanhã.
A ela vida só peço que no ano vindouro não me deixe esquecer de
sentir resignadamente as dores alheias enquanto sigo aprendendo a pensar abnegadamente
formas de estender-lhes minhas mãos, sem no entanto sem injusto com ninguém.
FELIZ
ANO NOVO,
E
PARA TODOS...
SAÚDE!
Imagem 1: by josé roberto balestra
Imagem 2: by web
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fim de 2011 - pingo de ouro - feliz ano novo
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