“QUANDO AS SOMBRAS AMEAÇAM O CAMINHO, A LUZ É MAIS PRECIOSA E MAIS PURA."

(Espírito Emmanuel, in "Paulo e Estêvão", romance por ele ditado a Chico Xavier)

Meus Amigos e blogAmigos!

terça-feira, 12 de outubro de 2010

VIVA! HOJE É DIA DAS CRIANÇAS... DE TODAS!!


...as crianças daqui d'casa:

João Gabriel dorminhoco, sério, desconfiado e baixista - Carlos Eduardo abraçador e picolezeiro - Keith Angel cavaleiro e bigodinho matuto - Michelle Roberta caipirinha tímida - Giovanna tecladista, piloteira e abraçada...




TEMA DA VIDA

Marcus Viana


Se os corações e as mentes se unirem
Num grande anel com a força da paz
A luz do amor que aquece as estrelas
Irá nos iluminar
A vida é tão breve e há tanto por fazer
Por que então matar e morrer?
Crianças da África
Crianças da América
Crianças da Ásia, Europa e Brasil
Crianças da Terra herdarão a Paz!
Herdarão a Paz!


Imagens: by arquivo pessoal josé roberto balestra

sábado, 9 de outubro de 2010

JOHN LENNON, O PENSADOR.



"Amo a liberdade, por isso deixo as coisas que amo livres.
Se elas voltarem é porque as conquistei.
Se não voltarem é porque nunca as possuí."


John Winston Ono Lennon
Imagem by web


terça-feira, 5 de outubro de 2010

¿COMO CONSERTAR UM CORAÇÃO PARTIDO?


A doçura na voz,
conseguida pela magia do talento,
e a absoluta disciplina técnica!



How Can You Mend A Broken Heart
Como Você Pode Consertar Um Coração Partido?

I can think of younger days when living for my life.
Eu lembro dos dias mais jovens quando vivo minha vida.
Was everything a man could want to do.
Era tudo que um homem poderia desejar fazer.
I could never see tomorrow, I was never told about the sorrow.
Eu não conseguia ver o amanhã, e nunca me contaram sobre o sofrimento.

And how can you mend a broken heart?
E como você pode consertar um coração partido?
How can you stop the rain from falling down?
Como você pode impedir a chuva de cair?
How can you stop the sun from shining?
Como você pode impedir o sol de brilhar?
What makes the world go round?
O que faz o mundo girar em círculos?

How can you mend this broken man?
Como você pode consertar este homem partido?
How can a loser ever win?
Como pode um perdedor algum dia vencer?
Please help me mend my broken heart and let me live again.
Por favor, ajude-me a consertar meu coração partido e deixe-me viver novamente.

I can still feel the breeze that rustles through the trees.
Eu ainda posso sentir a brisa sussurrando através das árvores.
And misty memories of days gone by.
E as lembranças nebulosas dos dias que se foram.
We could never see tomorrow, no one have told us about the sorrow.
Nós nunca conseguíamos ver o amanhã, ninguém disse uma palavra sobre o sofrimento.

And how can you mend a broken heart?
E como você pode consertar um coração partido?
How can you stop the rain from falling down?
Como você pode impedir a chuva de cair?
How can you stop the sun from shining?
Como você pode impedir o sol de brilhar?
What makes the world go round?
O que faz o mundo girar em círculos?
How can you mend this broken man?
Como você pode consertar este homem partido?
How can a loser ever win?
Como pode um perdedor algum dia vencer?
Please help me mend my broken heart and let me live again.
Por favor, ajude-me a consertar meu coração partido e deixe-me viver novamente.


segunda-feira, 4 de outubro de 2010

...¿O QUÊ DIZER?



...¿o quê dizer quando a gente vê um

relatório desses, vindo da FORÇA d'um amigo que tantas alegrias nos dá todo dia com sua arte?

M'senti um coisa nenhuma cheio de nada...


A resposta das pesquisas



– O que é iiisso?!


charge by amarildocharge


terça-feira, 28 de setembro de 2010

AS TATUAGENS DE FERNANDO CAMPEÃO!

Domingo (26), assisti ao Esporte Espetacular (Globo) com o ex-BBB-2 FERNANDO FERNANDES que, à época (2002), era um boxeador. Comovente e admirável é seu exemplo de superação depois que, por conta de um acidente de veículo em 04 de julho de 2009, ficou paraplégico.

Realmente sua atitude de mudança interior me pareceu invejável: ainda em 2009 se tornou campeão sulamericano de paracanoagem por duas vezes e, este ano na Polônia, se sagrou Campeão Mundial da modalidade, título inédito para o Brasil. O espírito guerreiro de Fernando é um fato incontestável! Parabéns!!

Algo me amargurou um pouco durante a reportagem: as tatuagens “Gracias, madre” (braço esquerdo), “Believe” (braço direito) e “Santo fuerte” (costas). Simbolizando agradecimentos pessoais aos que o ajudam, estão elas todas, portanto, em idiomas que nada tem a ver com nossa cultura, a mesma dos que o auxiliam todo dia.

Então me perguntei:
- por que não um enfático, um exclamativo “Obrigado, mamãe!”, um “Acredito!”, ou um “Santo forte!”, autenticamente brasileiros e com as entoações próprias, segundo as regras de nossa língua pátria, ao invés de um frio “Gracias, madre”, um “Believe” ou um “Santo fuerte”, todos despontuados e sem graça (brasileira) alguma?

- Consideraria o admirável Fernando pieguice agradecer à sua mãe pelas perenes ajudas ou manifestar-se ao mundo que o cerca em legítimo português?

- Que glamour ou encanto há no fato de, sendo ele brasileiro, tatuar-se com termos em espanhol ou inglês? Será que não se orgulha da língua do país onde nasceu e que agora o representa perante o mundo na modalidade esportiva que escolhera?

Mas nem tudo está perdido. Fernando foi muito feliz quando, ao final da reportagem, disse que “Reclamamos muito e agradecemos pouco.”. De fato.

Então eu o complementaria: “...agradecemos pouco, inclusive por termos nascido no Brasil, uma terra linda e de sol o ano todo, com um povo alegre habitando todos os seus quadrantes, e por falarmos essa língua riquíssima, o português, que muito nos orgulha e que se mantém rijamente apesar dos transitórios modismos!”

PARABÉNS, Fernando!


Imagem: by G-1

sábado, 11 de setembro de 2010

O RISCO DA INDIGÊNCIA LINGUÍSTICA


Quem me lê aqui no blog certamente já percebeu: tenho manifesto gosto pelos mistérios da língua portuguesa, apesar de não possuir formação acadêmica em Letras, mas em Direito.

Já o disse antes: devo o prazer pelas letras à minha venturosa "Academia-base", o saudoso Externato Nísia Floresta, das lições vindas das “Imortais” Mestras, Dª Alba Dantas Montenegro e a poeta Roza de Oliveira, as quais, por uma dessas coisas do destino, são filhas de chãos cariocas, onde estão assentadas as colunas do ateneu-mor pátrio: a ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS.

Pensar, pesquisar, ponderar, e depois registrar isso em textos tem sentido especial para mim. Talvez seja uma espécie de luta perpétua contra a morte... Afinal, todo escritor é um pouco rebelde ao prazo concedido pelo Creador. Como se isso adiantasse. Mas não custa insistir...

Pois bem. Autodidata em Letras, para minhas pesquisas sirvo-me de dicionários de sinônimos e antônimos, lingüísticos, nacionais ou estrangeiros, obras técnicas, críticas literárias e de literatura, estas na maioria de autores nacionais; imprescindível cantar as coisas nossas, tão invejadas lá fora por suas singularidades, embora a isso poucos daqui se atenham ou estimem, e uns até as menoscabem.

Até 2008, por absoluto prazer na lida com o papel físico, houvera eu “destruído” alguns Aurélios (a foto aí ao lado é de um deles), tantos os manuseios dezenamente diários, e as prazerosas respostas. Mas a inclemência do tempo fez-me ceder (em parte!): instalei um Aurelião virtual em meu computador.

Fugindo da pecha de ser “homem de um dicionário só”, como se diria, comprei um Dicionário Houaiss da língua portuguesa, recomendado pela ABL, instalando o cedê que o acompanha, sem fugir à leitura integral do seu prefácio ou do histórico do sonho de seu saudoso idealizador, o filólogo Antônio Houaiss, admirável!

Desde então passei a fazer minhas consultas duplicadamente; no Aurelião e no Houaiss. Mas dia desses, para meu maior encantamento léxico, um amigo instalou em minha máquina um “Aulete digital”. Agora, faço o cotejo dos termos pesquisados no meu “Trio Léxico”.

Todavia, essa disciplina pessoal conduziu-me a uma respeitosa, porém, triste constatação: enquanto os demais dicionários registram antigos e também novos vocábulos da fala nacional, o Houaiss, e que inclusive traz a importante datação de criação dos termos, por outro lado tem extirpado muitos, de antigo uso, mas históricos, que fazem parte de reconhecidas obras literárias nacionais, e que enriqueceram sobremaneira a língua portuguesa em seus momentos próprios, até mesmo dando origem a outros depois.

Ao contrário do entendimento que é descuidadamente corrente, os termos, as expressões e seus significados, não saem dos dicionários para a fala do povo, mas é exatamente o contrário: da boca, do uso e da criatividade dos indivíduos é que é formado e enriquecido o léxico pátrio.

Portanto, quando na minha condição de músico, por exemplo, estudo os versos de uma canção antiga - “NOITE DE ESTRELAS” (1932), de Candido das Neves, gravada por Vicente Celestino - e neles vejo o vocábulo substantivo feminino “FALENAS” (lepidópteros: ordem de insetos que reúne as borboletas e as mariposas) e daí, em consulta ao HOUAISS noto que não o cita, entretanto é encontrado no AURÉLIO e no AULETE DIGITAL, com efeito, reverentemente ao incansável trabalho da equipe do filólogo Antônio Houaiss, não posso deixar de expressar minha preocupação pela supressão de vocábulos menos usados ou de usos antigos, justamente num dicionário indicado pela guardiã da língua portuguesa no país, a ABL.

Creio que seja tempo de rever-se essa injustiça vernacular, sob pena de em breve nos tornarmos uma NAÇÃO LINGUISTICAMENTE INDIGENTE!


Imagem: by arquivo pessoal de jrb

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Num longínquo 7 de Setembro, em Paranavaí




Como o tempo passa. Início dos anos 60. Paranavaí (PR). Éramos uma das turmas do meu inesquecível Externato Nísia Floresta, da minhas mestras Dª Alba Dantas Montenegro e Rozinha de Oliveira, a poeta, que há tempos curitibou.

Dentre os nomes dos amiguinhos aí da fotografia num desfile de 7 de Setembro me recordo de Agamenon Porfirio Santana (2º da 1ª fila à esq.), sempre muito sério, Carlos Roberto Nalim (2º da 3ª fila) e lá ao final da fila, atrás deles, Carlos Ajita, hoje aqui em Maringá (...engraçado, mas não me reconhece quando nos encontramos pela cidade...).

Achem-me entre os do final das filas; aquele "sujeitinho" de cabeça erguida, curioso com não-sei-o-quê. Penso que talvez eu estivesse gravando mais na memória aquele dia que os demais...


Mas eu tinha uma inveja danada era deste último amigo aqui, cujo nome agora não me lembro, o maior e 1º da fila à direita: ele e sua irmã vinham para as aulas no Externato A CAVALO, cada um com sua própria montaria, que ficavam amarrados à sombra, sob pés de santa-bárbaras... Eu babava de vontade passear naqueles arreios bonitos, com grossos pelegos, macios. Animais, uma grande paixão que tenho e terei sempre!


Todo 7 de Setembro eu engraxava meus sapatos pretos ao brilho máximo. Mamãe Elvira (Dona Viróca) cuidava de deixar minhas roupas nos trinques, como só ela sabia...


Lindos tempos aqueles, que ainda os guardo comigo, em lugar especialíssimo, inclusive o losango do Externato no peito; um ENF!



segunda-feira, 6 de setembro de 2010

SEMANA LITERÁRIA NO SESC-PARANÁ


Para discutir e aproximar o público ao hábito da leitura, o SESC PARANÁ, promove entre 13 a 17 de setembro, a Semana Literária, anteriormente chamada de Feira do Livro, agora na 29ª edição do evento, e abrangerá 19 cidades do Estado.


Para conferir a programação completa, clique no nome da sua cidade:

Toda a programação é gratuita, e inclui palestras, oficinas, mesas-redondas, intervenções literárias, lançamentos de livros, leituras dramáticas e exposições acerca do tema Leitura e Cotidiano, além de estandes de diversas livrarias.

A Semana Literária contará com a participação de renomados escritores nacionais, que promoverão discussões sobre suas experiências e a importância da leitura, seja ela como fonte de conhecimento ou entretenimento, estabelecendo uma relação com a vida do leitor.

As discussões levantam temas como os hábitos de leitura do brasileiro, os tipos de leituras feitas no cotidiano, as dificuldades para introduzir a prática nos costumes de cada um e como é esse processo nos hábitos diários na vida de grandes escritores que dedicam grande parte do tempo à literatura.

O principal objetivo da Semana Literária ao abordar essa temática é celebrar o prazer de ler!

Os ingressos podem ser retirados um dia antes da conferência ou mesa-redonda pretendida na Unidade de Serviço do Sesc mais próxima.

Para outras informações acesse o site:
http://www.sescpr.com.br/eventos/semana-literaria/index.html.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

ESPACEANDO




"Toda distância é ali. Duvida?"
(JRB)


imagem: by web

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

PELO FIM DO SACRIFÍCIO DE CÃES BEAGLES! ABAIXO-ASSINADO!


Na internet uma polêmica publicada por diversos sites, e que já ganhou repercussão internacional: um ABAIXO-ASSINADO para o governador paranaense Orlando Pessuti, pedindo o fim do uso e SACRIFÍCIO DE CÃES BEAGLES em experimentos científicos na Universidade Estadual de Maringá (UEM).

Diz o texto:

“Embora determinados experimentos conduzidos pelos pesquisadores da UEM possam auxiliar na formulação de medicamentos para humanos, o que seria, supostamente, um bem, o mal infringido aos Beagles em tais experimentos em muito supera o suposto beneficio. Beagles são cães extremamente dóceis, inofensivos, companheiros, inteligentes e sensíveis. Por serem hiperativos necessitam de espaço amplo e de atividade física constante. Além disso, um Beagle pode viver até 18 anos. Os canis do Biotério são, assim, insuficientes para esses cães, que precisam viver ao ar livre para terem equilíbrio físico e emocional. Por outro lado, a condução de experimentos, que incluem “procedimentos na área de técnica operatória e cirurgia experimental”, entre outros, constitui um ato de crueldade por impingir a esses cães sofrimento inigualável e por privá-los do direito à vida”.

Três doutores da UEM alegam suficiente o fato de seguir as regras da Sociedade Brasileira de Ciência em Animais de Laboratório e confirmam a reprodução e uso de ratos, camundongos e cães BEAGLES em experimentos para os cursos de Medicina, Farmácia, Odontologia e Enfermagem, Psicologia, Ciências Biológicas e Medicina Veterinária, e dos programas de pós-graduação em Ciências Biológicas, Biologia Comparada, Análises Clínicas, Ciências Farmacêuticas, Ciências da Saúde, Odontologia e Psicologia.

¿Você consegue fechar os olhos pra isso?

¿E o coração... também?











Imagens: by web

domingo, 22 de agosto de 2010

FIM DE PLANTÃO NO BUQUE

Domingo alto. Quase meia. Noite veranosa, besourando o chão da luminária azeitonamente. Final de 1986. Maringá; Avenida Colombo. Hotel rotativo nas cercanias do Viaduto Tuiuti. Marafonas. Algazarras etílicas.

Nêgo num presta mêmo! Quand’é muleque só si apega no do aleio, e quand’ vira ômi só presta pra batipau... ficar encostado em buque. – disse agravosa Duvirge, a sarará com vista obumbrada, saracoteante, à amiga de vetusto ofício, Escolástica, nome-de-guerra Fulorzinha.

Ambas com pernas trôpegas, cervejadas, pingadas. Fulorzinha, com a glote ruidosa, arfava feito uma vaca corrida no pasto. Calada. Bituca embrasando queimante entrededos.


Zé Doca, o tira crioulão hibridado, metro-e-noventa-e-sete, sentindo sua pilha de músculos ser flechada nos brios, tratou logo de impor silêncio à navalhante voz canosa.

– Se tu não parar com essa de nêgo, já já vou lhe danificar a terceira geração,
sua jia!!

Sob plácidos passos, porém largos, segurando um punho fêmeo em cada mão, o tira se deteve à porta da cela-3. Largou as presas recostadas na parede, equilibradas nas magras pernas. Enfiou a rechonchuda mão – ferramenta de iniciais corretivos quando preciso – no bolso da cotiada calça de brim, tirando um molho com seis chaves e um penduricalho de brinde.

Rotineiro, sem sequer olhar o alvo, olhando pras duas "freguesas" Zé Doca enfiou certeiro a chave maior no desgastado buraco da fechadura. Rodou. Cléque! Empurrou rangente triste a porta de ferro, que se abriu seca chorante.

– Pronto, gente boa! Podem se acomodar que a conta do dormitório hoje já 'tá paga... pelo povo! Mas a comida sou eu quem dá. É só me encher mais um pouco. Tem pau de manhã, pau no almoço, um “cházinho” às três e pau-de-arara de noite, que é pro hóspede não se incomodar com falta de agasalho; aqui deita aquecido.

Nada daquilo ouviram nem riram. Elas. Nada. Entupid'ouvidos com bagaços de canas, camas, e brincos bijouteiriços.

Duvirge, arrotava dragãomente aguardente ordinária e lúpulos; jogou o ébrio corpo travado sobre a parte inferior do beliche de verde concreto nu da cela. Babando o bambo sutiã adormeceu, mais frouxa que barrigueira de cavalo velhaco.

Escolástica, zombada pelo destino até no próprio nome, analfabeta, mal se sustendo nos gambitos, rendera-se à friúra do piso; a cama do alto do beliche lhe parecera o Everest! Amodorrou-se ali mesmo, encolhida feito fosse ferida.

Chuva fina. Raros trovões. Relâmpagos longínquos riscavam seus fósforos. À calma madrugada no buque sucedeu a luz do dia novo em folha. Ressurgiu a vida normal. Mas difícil. Cabeças pesadas, toneladas.

Segunda-feira. Fim do plantão do fim de semana. Oito e meia. No Gabinete do delegado:

– Pronto pros depoimentos das muié, seo Dotô!

As duas rameiras. Frente-a-frente com o delega no buque, cabelos de vassoura velha. Prantivas crocodilosas, de plano aventuraram-se a assoalhar de argumentos a “injustiça” do xilindró lhes aplicado pelo tira Zé Doca. Discorriam juntas o palavrório baralhado, em coro, ao delegado.

Gravata torta em colarinho, nó frouxo. Mão esquerda no queixo, cabisbaixo, fingindo ouvi-las, o doutor delegado cofiava a grisalha barbicha. Com a mão direita riscava um papel comum com a caneta-de-brinde barata.

De súbito, entojado pelo cheiro de álcool dormido, o delegado levantou a cabeça e as interrompeu, voltando-lhes a palma da mão direita em basta!:

– Zé Doca, não vou tomar depoimento nenhum hoje! Solt'essas pestes!! O fogo delas já apagou. Abre vaga aí na nossa pensão...

Confiante no subalterno, o delegado desviou tornados olhos para os papéis sobre a mesa. A nota-de-prisão.

Duvirge e Fulorzinha, inda de bocas acres leve sorriram irônicas ao tira prendedor, sem nem escovação.

Disfarçado do chefe que mirava olhos à nota-de-prisão/soltura sobre a mesa, Zé Doca respondeu às vendedoras-de-corpos, simulando um abotoamento na sua camisa frouxa: no próprio peito, mostrou-lhes mão fechada e dedo médio em riste...

– ... nóis pod'ir, dotô?

Vai! Sumam daqui! Antes que eu vomite e perca a paciência!! ...e vê se tomem banho...












Comentário: crônica escrita em 2007, já publicada no meu blog A BALESTRA perdido ano passado.
Imagens: by WEB

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

À MARchTA: AVANTE!





The Impossible Dream O Sonho Impossível

To dream the impossible dream
Sonhar o sonho impossível
To fight the unbeatable foe
Combater o inimigo imbatível
To bear with unbearable sorrow Suportar uma dor insuportável
To run where the brave dare not go
Ir aonde os corajosos não se atrevem ir

To right the unrightable wrong
Corrigir o erro incorrigível
To be better afar than you are
Ser muito melhor do que se é
To try when your arms are too weary
Tentar com os braços exaustos
The reach the unreachable star
Alcançar a estrela inalcançável

This is my quest, to follow that star
Esta é minha busca, seguir aquela estrela
No matter how hopeless,
o importa quão sem esperança,
No matter how far Não importa quão distante
To fight for the right Lutar pelos direitos
Without question or pause
Sem perguntar ou descansar
To be willing to march into hell
Estar disposto a marchar para o inferno
For a heavenly cause
Por uma causa divina

And I know if I'll only be true
Sei que somente sendo sincero
To this glorious quest
Nesta gloriosa busca
That my heart will lie peaceful and calm
Que meu coração ficará em paz e calmo
When I'm laid to my rest
Quando eu me deitar no descanso final

And the world would be better for this
E o mundo seria melhor por isto
That one man scorned and covered with scars
Que um homem desprezado e coberto de cicatrizes
Still strove with his last ounce of courage
Ainda luta com o que resta de sua coragem
To reach the unreachable star
Para alcançar a estrela inalcançável


sexta-feira, 13 de agosto de 2010

MEU PIS



Ontem recebi o abono do PIS.
Tão pouco.
¿Sab'o qu'eu fiz?
Um vinh'ordinário, coisas pra casa,
Contos negreiros”, do Marcelino Freire
E uma caixa de giz. Só.

VirOu pó...




Marcelino Freire - "Contos Negreiros", de julho/2005 - Prêmio Jabuti 2006 como “Melhor Livro de Contos”. Edit. Record. Inspirado em obras de Castro Alves e Cruz e Sousa, são "16 Cantos", onde os negros, direta e indiretamente, são personagens das narrativas.

domingo, 8 de agosto de 2010

VERSOS QUE CANTEI PARA MEU PAI, SONTONHO




"AO MEU PAI, O FAZEDOR DE PÃES E HOMEM"

Pai, teus ouvidos te enganam, e os olhos também.
Teus joelhos doloridos, te incomodam eu sei.
Trazem as marcas de um tempo sofrido
e de glórias também. Oh, meu pai.


Pai, desculpe os acordes mal escolhidos,
desta canção que eu fiz pra você,
Pra lembrar nossos bons tempos vividos,
E os problemas esquecer.

Te lembro atrás do velho balcão, vendendo de tudo, e até o pão,
que você fazia para as bocas dignas, ou não, ou não?
Onde estará nossa freguesia, que eu sei, fazia tua alegria.
No balcão jogar conversa fora e baralho
Te dava mais prazer naquele trabalho.

Hoje, trago boas lembranças daquele meu tempo de criança.
Me vejo traquina e levado. Por vezes, eu sei, te deixei zangado
Pelas bagunças na escola ou de secar no forno e queimar os seus sapatos.

Pai, lembra meu olhar de felicidade, quando eu vendia os pães na cidade?
Pra mim era duro o frio das manhãs, mas foi uma lição que me ajudou
A formar o homem-menino que pra você ainda hoje eu sou.
Quando lembro daquilo aumenta em mim o amor e o orgulho por você, meu pai!

Pai, você que só cursou a escola da vida, e se acha caipira
Já mostrou que é um diplomado, vivendo sua velhice sossegado.
Pai, das coisas que aprendi com você, uma eu sei, não vou esquecer
Que ser pobre não é defeito; o importante é ser direito.




Comentário: já publicados no blog que perdi ano passado, estes são versos d’uma canção que em 1999 escrevi para o meu pai, Antonio Balestra, o padeiro “Sontonho”, como eu o chamava carinhosamente.

Aí na fotografia, tirada em 1977 na Transamazônica onde moramos: eu, papai, e meu filho Keith Angel.

Desde 03.08.2007 Sontonho s’Encantou. Mas ainda está aqui comigo, NESTE SEU DIA...

Imagem 2: by web

sexta-feira, 30 de julho de 2010

AVOÁVEL GÊNESE DUM'IDÉIA


DA ÁGUA PRO VINHO,

DO VINHO PRO... MILAGRE;

AGÊNESEDUMIDÉIAVOADA.



A lua em hóstia no céu, enchente.

Cá embaixo a gent’eu, s’me sentindo ninharia, feit'um nada com nenhum dentro, em intentos d’cavalgar algum vago criável d’inspiração, um'idéia descrevível, postável, prazível. Olh’estrelas. Espero. O milagre s’criar.

Repentemente el’idéia m'vem, põe a cara, dá-m'um sorriso. Corro dar-lh'o braço da virgem folha desescrita. Mas antes ela s’escafed’em alados galopes, escapolenta ao ar, com'uma pipandorga viva, sem rabo.

Tent'o domínio, busc'o rumo, suo; a cada mais linh’esticada dada naquel’idéia, s’afasta ela arredia em aos mais altos. E fica lááá, balançando, aleatória com’uma folha de chicória rajada d’vento, ou o olhar d’um pardal em primo voo matinal.

E nada! Aquele pensamento lááá longe, mirand’a gent’eu, rindo e voltando e indo atrás, d’nuvens. D’mim. D’eu.

Impaciente c’a idéia ind’embora descriada, s’recolho a linha o tudo dela pensad’idéia, vai-vem maior ficando, crescentã, qual bolo de fermento em dobradose, transbordand’a forma. A olhos! ¿E s'não recolho?¿¿...

Aí, desesperado c’a imensidão célica aproximada e o temponteirando, com medos, comenos, redou linha àquela quimera. E a pipandorga del'aqui sob, sobe, sobre, some, e vai s’esconder d’novo e pequenina, lááá perto do abobadado azul – cor que láá não é nem está, eu sei. – onde pássaros só vagueiam os sobvagos, e muito benhembaixos.

E ’travez cá embaixo a gent’eu m’sentindo d’novo o nada co’nada dentro de nenhum novo, encostado no qu’não existe.

!Os luares dos lugares m’agradam mais!, em cheias.

Mazé nos breus d’noite, madrugad’afora adentro, que os lampejos meus comigo ficam, desvoados, assentados ramamentes. Percebo qu’é assim, qu'são assim, porque em escuros dessabem eles pr’onde ir seus voos, por isso ficam-m'.


É justo ness’oras escuras que os recolho feito folhas de repolho, e daí vou, em pretas letras e brancas folhas, da água pro vinho... do vinho pro milagre, quimicando, costurand’o capturado ideado.



Madrugada dessas sonhei cũa onça pintada m'vindo sorrind'as presas, apressada em decerto concreto corredor. Mal chegou-m', e eu... Ih!, nem mais a vi. Foi despior...


¿Salada? Qu’nada! É só um’idéia do céu meu, apanhada, como s'cata castanha, sem vara, com art'manha, cá caída...

Enfim, em mim por mim,
dou a cois’ideada por acabada,
e por comid'a castanha e esmaecid'a onça,
qu'disso, d'onças, sinceronçamente
não entendo nada. ...d'bois sim!



crônica: by josé roberto balestra
fotografia da onça: by Haroldo Palo Júnior
demais imagens: by WEB

segunda-feira, 19 de julho de 2010

QUANDO NOS VEM O NÓ D'UM ADEUS




ADEUS...



Nó na garganta.

Em qualquer lugar do mundo, a garganta humana denuncia quando uma pessoa está triste.
Se tirarmos um doce de uma criança, num instante veremos o olhar de indignação, seguidos de soluços e lágrimas nos olhos.
É uma maneira de demonstrar a violência sofrida.
Seja criança ou adulto.
Vi um senhor ficar triste, na roça, só porque alguém insinuou que o bode dele estava ficando velho. Sentiu-se subestimado, e logo se esboçou o nó.
Sofremos, sempre que nos tiram alguma coisa.
Meus pais se mudaram da roça quando eu era criança. Foi como se tirassem a roça de mim.
Lembro-me da viagem.
Saímos de lá, transportados por um carro de bois, até a estação de trem mais próxima.
Sem dúvida, minha garganta, por várias vezes, durante o trajeto, deu ensejo ao nó.
Na medida em que nos afastávamos das pessoas e das coisas queridas, íamos dando Adeus, acenando com as mãos, como se fosse uma despedida para sempre.
Que sensação mais estranha.
Tudo o que conhecera até aquela época era a roça. Eram as matas, os córregos, os riachos, as aves, os pássaros, os bois, as vacas, cabritos, cães... , as pessoas que amávamos.
Tirando o sol, a lua, as estrelas, tudo seria diferente dali para frente.
Era o Adeus para seguir um caminho desconhecido e ver algo diferente.
Só conhecia as coisas das cidades pelas gravuras dos livros.
Conheceria outro mundo, de maneira chocante, por causa da mudança radical, mas cheia de novas perspectivas, dado o jeito receptivo na grande cidade de São Paulo.
Mas, os “nós” me apareceram várias vezes durante muitos anos, porque
é difícil vencer a saudade.

****
****

Texto e desenho: by Evaldo de Paula Moreira
Contos de Amor
***



Comentário d'A BALESTRA:

Pelo blog do Poeta divinopolitano LÁZARO BARRETO descobri EVALDO, um desenhist'escritor, ...minêro dos bão!

Um achado! Em primeira visita ao seu blog dia desses, já m’encantei!

M’encantei com as cores vivas dos seus desenhos em moderno estilo, lindamente despojados, ilustrando contos e crônicas carregados d’tanta humanidade e transcendência, reveladamente escritas com as tintas do coração de quem também consegue ainda ver flores no asfalto (como certa vez dissera meu blogamigo e grande cronista radicado em Maringá,
WILAME PRADO), com muita sabedoria crítica e simplicidade, coisa difícil de s’fazer.

Sempre falei: escrever complicado é fácil; o simples é que é difícil! Pra poucos. Evaldo um deles, com certeza!

A prova está aí: esse seu comovente “ADEUS”.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

BEETHOVEN, O QUINTO OU O SEXTO BEATLE?



ARTE DE GÊNIOS, ...ATÉ NA SEMELHANÇA!
Identifique-a ouvindo as introduções...








BECAUSE, canção dos Beatles, composta apenas por John Lennon, mas creditada à dupla Lennon/McCartney, no álbum Abbey Road (1969).

Certo dia, John estava ouvindo Yoko Ono tocar a sonata para piano n° 14, opus 27, de Beethoven, conhecida como "Sonata ao Luar".

Então pediu para Yoko tocar invertidamente os acordes, do fim para o começo. Assim, inspirado na harmona resultante, John compôs essa linda "Because".

Na gravação, John, Paul e George cantam em coro harmônico. Suas vozes foram duas vezes sobrepostas (overdub), dando efeito de nove vozes. Ringo não cantou.

Ringo estava presente, mas sua participação, fazendo apenas a marcação, não foi registrada. Mas o produtor George Martin, chamado como "o quinto beatle" (porque produziu todos os álbuns do quarteto), participou tocando uma espineta, que é um antigo instrumento de teclado e corda, semelhante, mas anterior ao cravo.

Fonte: Wikipédia, com adaptações do blog (JRB)

quarta-feira, 7 de julho de 2010

UM VIOLINO POLONÊS NUM FADO D'CAMÕES







Aqui interpretando o fado "COM QUE VOZ", poema de LUIS DE CAMÕES musicado por Alain Oulman, eternizado na não menos eterna voz de Amália Rodrigues, NATALIA JUSKIEWICZ é violinista clássica, nascida na Polônia, diplomada pela Academia de Poznań, e mora em Lisboa há anos, onde aportara inicialmente em férias. Solista desde o início da carreira, Natalia tem participado de várias orquestras e outras formações polonesas de prestígio internacional.



COM QUE VOZ chorarei meu triste fado,
que em tão dura prisão me sepultou,
que mor não seja a dor que me deixou
o tempo, de meu bem desenganado?

Mas chorar não se estima neste estado,
onde suspirar nunca aproveitou;
triste quero viver, pois se mudou
em tristeza a alegria do passado.

Assim a vida passo descontente,
ao som nesta prisão do grilhão duro
que lastima o pé que o sofre e sente!

De tanto mal a causa é amor puro,
devido a quem de mi tenho ausente
por quem a vida, e bens dela, aventuro.


segunda-feira, 5 de julho de 2010

OLHANDO PELO LIMOEIRO




O Creador e Seu Limoeiro


Sempre que me deparo com um pé de fruta, meus olhos logo buscam o botão d’alguma florzinha desabrochando ali, d'outra acolá. ¿Estaria eu querendo desvendar o instante mágico da divina criação, o seu fazendo próprio? Sei não. Mas pode até ser; a natureza me extasia com seus espetáculos silenciosos e variados.

Há uns sete ou oito anos plantei em meu quintal uma muda de limão-tahiti. À época substituía o outro que me alegrara por exatos dezoito anos, produzindo contínuo como um fio d’água de nascente riachável; deixou-me um doce amor pelos ácidos taitis.

Pela manhã, quando vou ao varal do quintal estender minha toalha, sou invadido pelo verde intenso e soberbo do limoeiro, e a pardalada lhe saltitando nos galhos ou cantando o coralzinho próprio deles. Às vezes uma intrigada pombinha tenta interromper-lhes o coro, mas eles são deliciosamente teimosos; mudam de galho, e perseveram o canto.

Da varanda, pelo decorrer do ano assisto às suas fases: pontinhos claros na ponta dos galhos denunciam movimento novo entre aquele verdume potente e folhoso. Receoso com fungos, vou checar. Alegro-me; é o ar da graça da inflorescência chegando em cachinhos.

Por um ou dois dias fico envolvido com a lufa-lufa diária e me esqueço do limoeiro. De repente olho, e a surpresa: a florada já está lá!, intensa, parecendo que alguém caprichosamente dependurou-lhes pipocas estouradas e sem sal, perfumadas! Vou me aproximando do pé e o vento se adianta e traz-me em ondas envolventes, aquele aroma divino, bom feito abraço de amor verdadeiro em dia de frio.

Mais uns dias e o espetáculo chega ao apogeu: os galhos se curvam pelas pencas de limões crescendo-crescendo. Aí é chegado o tempo de deliciar a mim e aos amigos, com a colheita de sacolas e mais sacolas de limões graúdos, desenhados, como se fora pintura viva enquadrada. É pura alegria!, de limonadas, de caipirinhas e sorrisos recebidos.

Em minha vida também há um outro limoeiro; o que o Creador outorgou-me desde pequeno cuidar-lhe. Esse foi Ele quem o plantou, não eu. Houve um tempo em que esse limoeiro prosperava direto, mais que hoje; muitos dos seus brotos num zás-trás floriam, e logo se viam tão belos frutos. A colheita com os amigos era sempre surpreendente. Vibrávamos!

Agora percorro esse limoeiro com os olhos da alma, e percebo que alguns brotos recentes que adubei com carinho, crendo que iriam crescer, não vingaram. Aí fico saudoso daquelas antigas colheitas; era mais fácil encontrar frutos viçosos. Relembrando-me, noto que alguns daqueles frutos que muito me apraziam, se Foram eternos. E o que mais me aflige; sem que eu percebesse suas Partidas.

É. Tenho de reconhecer: de fato o Creador tem sido MUITO BOM comigo; meus amigos se Vão, mas mesmo que eu não os veja Partindo, o perfume da abnegada amizade e das lições que aprendi com cada um deles permanece vivo e intenso em mim... Ao menos até o dia em que eu me junte a eles no Supremo Limoeiro.


Imagens: by WEB