“QUANDO AS SOMBRAS AMEAÇAM O CAMINHO, A LUZ É MAIS PRECIOSA E MAIS PURA."

(Espírito Emmanuel, in "Paulo e Estêvão", romance por ele ditado a Chico Xavier)

Meus Amigos e blogAmigos!

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

AS ÁGUAS DO MENINO MEU


"Sonhei com um rio levando as águas pra trás
Indo devolvê-las à sua nascente.
Era o rio chamado Saudade
que volt'e-meia m' faz
acordar assim;
no menino meu de antigamente..."      
(JRB)



terça-feira, 25 de outubro de 2011

HOJE, MEUS CINCO ANOS!




Grande é meu júbilo neste dia
Iluminado por demais está o meu céu
Olho o sol brilhando com mais energia
Vejo a Mão divina no pequeno troféu
A dádiva que a mim veio como esperança
Novo tom de aliança em pincel e aquarela
No sublime amor que emana dessa criança
Alegria, paz, e muitos anos de vida para ela!



São os votos versejados do vovô Beto para a princesa Giovanna, neta tão bela!



Fotografia: a neta Giovanna, domingo (24.10), depois de sua linda festa, 
vestida de Branca de Neve, já cabelereira com o presente ganho. 
by acervo pessoal de josé roberto balestra

sábado, 15 de outubro de 2011

O PROGRESSO ANCORA EM PIPEIRAS DE SANTANA


     Pela cara mal lavrada do sujeito, cachimbo no canto da boca e pasta debaixo do braço viram logo que era cobrador do fisco. Reberaldo Carijó saiu em pé de paina e foi botar o trombone na rua:


– Tem cobrador de impostos na praça. Vi quando retirou da maleta um ferrinho contaminado de dentes, coisa de lascar a popa do povinho que não puder arcar com a responsabilidade das pagas. É bom avisar o Major Nequinho Rosa. Ninguém para lidar com o povo do governo como Nequinho Rosa.

Em pronto momento, por um moleque de recados, Nequinho foi avisado. Pelo que já desceu dos confortos de sua invernada soltando azeites. Mais armado do que ele nem uma guerra. Hospedou sua vasta pessoa no Hotel das Famílias. E foi assim, deitado na cama, de botas e esporas, que mandou chamar o cobrador de impostos:

– Quero ter um particular com esse sujeitinho.

Meio murcho, adernado sobre a pasta negra, chegou para ver o Major Nequinho Rosa refestelado na cama e de charuto na boca. Quis tomar cadeira no que foi impedido pelo dedão de palmeira do major:

– Em minhas presenças ninguém senta o rabo para falar. É de pé, sujeitinho! De pé!

Intimou ele que o homenzinho abrisse a pasta de modo a desembuchar de sua entranha o tal ferrinho de marcar gente e mais o bolão de multas recaídas no cangote do educado povo de Pipeiras de Santana:

– Abra essa desgraça, esse ninho de lacraia.

O sujeitinho abriu. E da pasta preta, em lugar de arrogantes papéis do governo e ferrinhos de carimbar popa de cristão, saiu um derrame de giletes. O homem era caixeiro-viajante.

Os aparelhos de fazer barba davam entrada, pela primeira vez, na brava e progressista cidade de Pipeiras de Santana...


*******


Fonte: conto by JOSÉ CÂNDIDO DE CARVALHO (Campos dos Goitacazes, 05.08.1914 – Niterói, lº.08.1989), extraída do seu livro “Um ninho de mafagafes cheio de mafagafinhos” – Livraria José Olympio Editora – Rio – 1972, pp. 48-9  
Escritor contista e romancista, advogado e jornalista, sua obra mais conhecida é o romance “O Coronel e o Lobisomem” (1965), vencedor dos Prêmios: Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro; Coelho Neto, da Academia Brasileira de Letras; Luisa Cláudio de Sousa, do Pen Club do Brasil.

sábado, 8 de outubro de 2011

Sarcide e os cobres dos dentes


OS COBRES DOS DENTES



1962 i’além do mei’-pro-fim. Inda longe do corcovar d’anciania, em quarentanos. Certa paixão desilusa, insucedidos negócios padeirantes em clã-parceria outrora no d’sócio vinham governando doravante vida sua. Pescador-charqueador, coureiro-caçador; virara. Vivendo. Foi. Num só-com-deus-e-eu, sem estofo capitalístico. Ele: Sarcide.

Ribeirinho, sobtelhava lonas, poucas. Palha-d’coco choçados, muitas. Vivia. Ínfimos apetrechos pra d’cozer. Idem do d’vestir, d’calçar e s’lavar. A d’dois-canos-longos, encartuchada. Um ebriático garrafão sempre rolhado; cinco litros pra sarar solidão nos rios. Eremiticamente. Vivia; salvante o esturrar da onça vizinha. Qu’ouvia, mas desvia.

Era manhã, o sol no seu inda-durmo, Sarcide s’ despertou sob lonamente. À rudesconfortável tarimba sentado: orou às almas, fiel. Regou faces d’olhos-azuis. Alinhou entrededos lisos cabelos seus. Fito dilucular rosicler: redes, espinhéis, e a sondá.

Sarcide saiu. Em volt’olhou. Adiante de si, premido em barrancosa parte, despenediado, o sempre-vivaz Ivinhema cobreava desmesurado aos baixos-montes-pés, chuando abstruso e brumoso. Devia ter cachimbado a noite toda; ainda baforava aquel’hora, ocultando Espadinha, seu bote.

Eis que. Em cautelos passos chinelados ombreando um remo-de-pinho e à mão a dois-canos, o bornal noutr’ombro, Sarcide se pôs à trilha que torcia o barrancado pr’água. Desceu. O Espadinha. Aguou os chinelos. Recalçou. Lanternando faroletado, remando foi ter visita aos postos anzóis d’espinhéis, rede de malha-oito, feiticeira, – que a Polícia Florestal sempre procura pra recolher apreendida – e às sondás, em-longe e estreitado paraná, sob avelhantada figueira, árvore de beira.

Apoitando o bote, Sarcide principiou inspeção pela sondá que barulhava esquisito, rabeada, deliciosa d’ouvir.
– Espinhél e a rede vejo depois. O que ’tá pego tá pego.

Cuidadoso toque com o espalmar do remo no esquisito rumoroso, e eis um som duro subindo vibrando no roliço do cabo do remo, até a mão.
– Êita. .. pêxe num é! S’ for, largo a pinga, e d’oje em diante só como jiló... Trêim rúim dimais.

Inopinada nova rabeada aparafusada, veio, e à seca-roupa respingando-s’lh’. Sarcide faroletou:

– Do-papo-amarelo! Jacaré briguento!! Num falei que pêxe num era?...Cumê minha isca, hem? Agora eu é que vô t’. Pra si só, disse Sarcide rindo. Ele, dele.

Içando a cordinha da sondá no assento do bote, pisando-a c’um pé, Sarcide fez o bicho pescoçar fora d’água pra um bom-dia-sô!: um tiro-d’frente no mole do papo e fim-d’festa do cascaburrento de bocaça, e sono-eterno no fundo do bote, sob pés.

Saldo da visitágua: um pintado, cinco corimbatás, uma arraia ferroenta na rede d’-nove. A malha. Dois surubins-pintados e um pacu prateado nos espinhéis. Demais iscas; comidas, sem.
– Tá bão, meu Senhor! Jacaré de trinta quilos dá d’carne vinte... mais a dentaria. A peixarada perfaz o faltante. ’Tá é bão. Vou reiscar com a carne d’arraia tudo de novo. E já! Ô’ivinhemão!

Parara de pitar o rio. D’ volta à casa, d’lona, sol-na-cara, num zum Sarcide eviscerou e charqueou a peixama. Foi ao do-papo-amarelo. Desuniu a cabeça, estirou o salgado cascouro num xis de lânguidas varas. Com chave-de-fenda martelada, faxou um furo na queixada de ferro do rabudo. – Boca-dura, sô! Fincou uma estaca barrancada, beira d’água, lh’amarrando a cachola do jacaré, limpa de couro e carnes. Pinchou n’água do Ivinhema, às piranhas faxineiras; tiraria a carniceira dentaria do-tal. Empós.

Sol d’ mei’dia-e-meia, bife de jacaré, arroz macho, oleoso alhado. Sarcide  deu ebriadas talagadas. Uns toscanejares. Longo cochilado em rude tarimba de fofas aniagens. Sono. Justafluvial sinfonia maestrada pelo canto espantado do quero-quero em sob um gavionar espreitante. Quatr’e-meia. Tardosa. Talagadica, uma. Redespertável. Encanecad’o café-d’mariquinha. Ao terreiro. Sarcide tud’olhava. Só.

E o Ivinhema, sempre outro, passando, chuando peren’e viajante. Um súbito chap de peixe puladiço n’água ali, acolá e mais pra lá. A paz das estrelas e o esturrar da longe-onça. A nov’aurora. Os passos dela no terreiro, marcados. Estiver’ali. Misteriosa para Sarcide, desvira. D'novo, 'tra vez.

O recolher e o afazer co'a cabeça do bicho, mergulhada. Os dele dentes. Eis: com a boca cheia da atada cordinha, próxima da estaca, uma sucuri de palmo-e-meio d’grosso, a engolira. Tod’inteira; s’amarrara no por-dentro seu. Do d’fora s’ via nela o formato cacholado e barrigado do que antes um de-papo-amarelo fora.

– Êita, sô! Duas numa?!! Vô puxá a corda e a sucurona vem d’ arrasto. Depois ensaco e levo pro viveiro d’Antonio Matias Sergipano, pr’ele vendê o couro pra nóis dois.

Pensamento inocente d’ Sarcide: no ao-puxar da cordinha o bicho cinzento-esverdeado, quas’oliva, foi lento tratando d’ desengolir a dura cachola, gosmentamente. Até que. Saiu saída, na cordinha. Ela sucuri s’foi s’ausentando, indo esbarrancando, coleando sucurescafedente como sói d’ser, e enriou de novo. Sumida.

E Sarcide: – Burro véio, sô! Eu sô... Tem nada não. Ficô a cabeça do jacaré qu’eu queria, e ela foi vortá pro seu ofício... Deus-a-olhe. Tudo carece de ter e ser.

Mundificada a cabeça a-corda desembuchada, Sarcide extraiu as dezenas de remontados aligatorídeos dentes.

Passad’uns três e poucos trinta-dias, noutro certo dia, Sarcide levou o denterio caimão pra a cidade. Pensou, pr’uns sobrinhos - dois; um Mais-Novo, um Mais-Velho – vender aqueles dentes de jacaré pra raizeiros feirantes. Na corrutela; Surucuá.

O Mais-Novo já lá, à feira foi, e perguntava mostrando à mão:
– Quer comprar dente-de-jacaré, moço?
E reiterado ouvia, biouvia e triouvia:
– Sai daqui moleque! Não mexo co’essas cois’esquisitas...
O Mais-Velho só via, assistido. Às vezes ria.

Foi a semana. Ida. Veio a outra. Feirando o Mais-Velho, indagava barraca-em-barraca:
– O senhor tem dente-de-jacaré pra vender?
– Num tenho, moço.
– O senhor tem dente...
– Num...
– O senhor tem...

Duas-meia-hora feir’afora: o Mais-Novo, raizeiramente, d’ novo:
– Compra dente-de-jacaré? ... Dois-por-cinco...
– Pra quê serve isso, menino?
– P'a mãe furar e fazer um colarzinho pra pescoço de criança; aí nasce dentinhos sãos, fortes, e num deixa dar dor-de-dente nunca... Simpati’antiga, moço. Sabia? É batata!

Outros raizeiros. Vindo, viam. A conversa do Mais-Novo. E o povo’lhando. O fundo da sacolinha. Nem o cheiro. Os cobres no bolso do Mais-Novo. Tilintaram.

No em-casa, o Tio, o Mais-Novo, e o Mais-Velho:
– ... venderam? E os cobres? A bufunfa, o dinheiro da venda?
– Ara, tio, nós dois já dividimos.
– E a minha parte?, cadê?
– Num sei... cumigo num ’tá. Fala cu'ele aí qu' é Mais-Velho.

Sarcide foi pro quintal, olhou pro céu, pras nuvens. Ficou rindo-se de si por dentro, calado, da marosca ensobrinhada. E cacholou consigo mesmo, mineiramente:

– É... Isso é praga daquele papo-amarelo. Quá sô, tem besta mais não... Perdi a cabeça, os dentes e o couro da sucura. Ô sina!  E d’novo eu no prijuízo. Sempre! Quá, num careço d’mais parceria nessa vida... nem noutra! – Rerriu-se. Só. Na lona, d’novo. Ele, Sarcide.
– ................................................


-o-o-o-o-


Comentário d'A BALESTRA:

Este conto, escrito no início de 2008, foi inspirado em meu saudoso tio Alcides Balestra, sulmineiro monte-santense, padeiro. Dobrado às circunstâncias repentemente se viu pescador-caçador. O Rio Paraná foi sua paixão. Conheceu outros mil rios e matas. Tive a oportunidade e o prazer de ler este conto pra ele, que riu um bocado num fim de dia, com uma (segunda) latinha de cerveja à mão (a pinga, seu quebra-gelo, ele já houvera tomado pra abrir o gogó).  

Tio Alcides, ou “Sarcide” - como eu o chamava carinhosamente -, hoje está completando três anos desde sua morte em 08.10.2008. Deixou-me muitas saudades, das belas viagens que fizemos juntos pelo interior do Paraná e Santa Catarina, das nossas conversas entusiasmadas, das copas mundiais que pela televisão assistíamos, vibrantes, dos natais, dos dias-de-ano... Tio Alcides foi um homem elegante.

Imagens 1 e 3: by arquivo pessoal de José Roberto Balestra
Imagem 2: by Atair - web

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

DESDISSIMULAND'O VERO SORRISO



"Fazer o que seja necessário em nome da preservação dos princípios fundamentais que estruturam a civilização 
é a marca de um ser humano verdadeiramente adulto e capaz.

Quando um ser humano se convence de os princípios serem passíveis de negociação, o que sempre acontece em troca de vantagens pessoais imediatas, ele perde sumariamente o status de adulto capacitado
e passa a exercer suas funções de forma insana. 

Quando isso se transforma em regra geral, como é o caso da atualidade, 
o próprio equilíbrio dos mundos está em perigo,
e é nesse momento que o Altíssimo intervém.

Independentemente de acreditarem ou de se pensarem agnósticas, 
todas as pessoas que defendem visceralmente os princípios são espirituais e, inadvertida ou intencionalmente, lutam a favor do trabalho eterno do Altíssimo, em cujo corpo somos e existimos."





“Aproxime-se das pessoas severas 
e se distancie daquelas cheias de sorrisos. 
As primeiras parecem antipáticas porque são calejadas e independentes. 
As segundas são simpáticas porque na prática são hipócritas.” 


terça-feira, 27 de setembro de 2011

O Centro do Universo

CRÔNICA DE UM OPERADO DE HEMORROIDAS !...

 

Ptolomeu em 150 d.C. falava que a terra era o centro do universo e que tudo girava em torno dela, foram precisos cerca de 1400 anos para esta teoria ser rebatida por Nicolau Copérnico provando para a humanidade que o Sol sim era o centro.


Eu, simplesmente eu, descobri em apenas três dias, após 56 anos, que ambos estavam redondamente enganados: o centro do universo é o cu.

Isso mesmo, o cu!
 
Operei de hemorroidas em caráter de urgência algumas semanas atrás.

No domingo à noitinha, o que eu achava que seria um singelo peidinho, quase me virou do avesso.


"É difícil, mas vamos ver se reverte", falou meu médico. Reverteu merda nenhuma, era mais fácil o Lula aceitar que sabia do mensalão do que aquela lazarenta bolinha (?) dar o toque de recolher.
 
Foram quase 2 horas de cirurgia e confesso não senti nadica de nada, nem se me enrabaram durante minha letargia!


Dois dias de hospital, passei bem embora tenham tentado me afogar com tanto soro que me aplicaram, foram litros e litros; recebi alta e fui repousar em casa.

Passados os efeitos anestésicos e analgésicos, vem a "primeira vez".


PUTA QUI PARIU!!! Parece que você tá cagando um croquete de figo da Índia, casca de abacaxi, concha de ostra e arame farpado. É um auto-flagelo.



Por uns três dias dói tanto que você não imagina uma coisinha tão pequena e com um nome tão reduzido (cu) possa doer tanto. O tamanho da dor não é proporcional ao tamanho do nome, neste caso, o cu deveria chamar dobrovosky, tegulcigalpa, nabucodonosor.


Passam pela cabeça soluções mágicas:  Usar um ventilador! Só se for daqueles túneis aerodinâmicos.

Gelo! Só se eu escorregar pelado por uma encosta do Monte Everest.

Esguichinho d'água! Tem que ser igual ao da Praça da Matriz, névoa seguida de jatos intercalados.
 
Descobri também que somos descendentes diretos do babuino, porque você fica andando como macaco e com o cu vermelho; qualquer tosse, movimento inesperado, virada mais brusca o cu dói, e como!


Para melhorar as "idas" à privada, recomenda-se dieta na base de fibras, foi o que fiz: comi cinco vassouras piaçaba, um tapete de sisal e sete metros de corda. Agora sei o sentido daquela frase: "quem tem medo de cagar não come!"


Perdi 4 quilos; 3,5 de gordura e 0,5 de cu.
 
Tudo valeu, agora já estou bem, cagando como manda o figurino, não preciso pensar para peidar, o cu ficou afinado em ré menor, uma beleza!
 

A foda é que usei Modess por 20 dias após a cirurgia e hoje to sentindo falta dele!

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

O cantar d'alma qu'encanta e arrepia!


À primavera que chega meu presente de boas-vindas:


...a interpretação de uma canção que, enfim creio, supera seu original!

TED HAWKINS in Long as I can see the light 





Put the candle in the windowColoque a vela na janela
Cause I feel I've gotta movePorque eu sinto que devo ir
Though I'm going, goingApesar de estar indo, indo
I'll be coming home soonEu voltarei pra casa em breve
Long as I can see the lightDesde que eu possa ver a luz
Pack my bags and lets get movingArrumo minha mochila e vamos andando
Cause I'm bound to drift awhilePois estou destinado a vagar por um tempo
Though I'm gone, I'm goneEmbora eu me vá, me vá
You don't have to worry about meVocê não tem que preocupar-se sobre mim
Long as I can see the lightDesde que eu possa ver a luz
Guess I've got that old travellin' boneAcho que eu tenho aquele velho espírito de viajante
But I feel I'm leavin' aloneMas eu sinto que estou indo embora sozinho
But I won't, I won't be losing my wayMas eu não vou, não vou estar perdendo meu jeito
No, long as I can see the lightNão, desde que eu possa ver a luz
Won't you play that thing for me nowVocê não vai tocar essa coisa para mim agora
Put a candle in the windowColoque uma vela na janela
Cause I feel I've gotta movePorque eu sinto que devo ir
Cause I'm going, goingPorque eu estou indo, indo
I'll be coming home soonEu estarei voltando para casa em breve
Long as I can see the lightDesde que eu possa ver a luz
Long as I can see the lightDesde que eu possa ver a luz
Long as I can see the lightDesde que eu possa ver a luz







Comentário: TED HAWKINS foi um cantor e compositor americano, de Biloxi, Mississipi (28.10.1936 - 1º.01.1995)

sábado, 17 de setembro de 2011

M'amanheci assim: saudoje...




"Deus nos dá pessoas e coisas,

para aprendermos a alegria.Depois, retoma coisas e pessoas

para ver se já somos capazes da alegria

sozinhos...

Essa... a alegria que Ele quer."
João Guimarães Rosa


Fonte: vídeo criado por Luca (IT)

domingo, 11 de setembro de 2011

NUM 11 DE SETEMBRO: O BATISMO DE DIADORIM


ERA 11 DE SETEMBRO DE 1800 E TANTOS...

“ (...)

Tanta gente tinha o mundo... – eu pensei. Tanta vida para a discórdia. Agradeci ao Alaripe, mas virei para os outros nossos, perguntei:

– “Mortos, muitos?”

– “Demais...”

Isto o João Curiol me respondeu, prestativamente, sistema de amigo. Solucei em seco, debaixo de nada. Agora um me dizendo: que, com as ferramentas, uns estavam trabalhando de abrir covas para enterro, revezados. Alaripe fez um cigarro, queria dar para mim, que rejeitei. – “E o Hermógenes? – aí foi o que o Alaripe perguntou.

(...)

Ah, e a mulher rogava: – Que trouxessem o corpo daquele rapaz moço, vistoso, o dos olhos muito verdes... Eu desguisei. Eu deixei minhas lágrimas virem, e ordenando: – “Traz Diadorim!” – conforme era. – “Gente, vamos trazer. Esse é o Reinaldo...” – o que o Alaripe disse. E eu parava ali, permeio o menino Guirigó e o cego Borromeu. – Ai, Jesus! – foi o que eu ouvi, dessas vozes deles.

(...) E subiram as escadas com ele, em cima de mesa foi posto. Diadorim, Diadorim – será que amereci só por metade? Com meus molhados olhos não olhei bem. – como que garças voavam... E que fossem campear velas ou tocha de cera, e acender altas fogueiras de boa lenha, em volta do escuro do arraial...

Sufoquei, numa estrangulação de dó. Constante o que a Mulher disse: carecia de se lavar e vestir o corpo. Piedade, como que ela mesma, embebendo toalha, limpou as faces de Diadorim, casca de tão grosso sangue, repisado. E a beleza dele permanecia, só permanecia, mais impossivelmente.

(...)

Eu dizendo que a Mulher ia lavar o corpo dele. Ela rezava rezas da Bahia. Mandou todo o mundo sair. Eu fiquei. E a Mulher abanou brandamente a cabeça, consoante deu um suspiro simples. Ela me mal-entendia. Não me mostrou de propósito o corpo. E disse...

Diadorim – nu de tudo. E ela disse:

– “A Deus dada. Pobrezinha...”

E disse. Eu conheci! Como em todo o tempo antes eu não contei ao senhor – e mercê peço: – mas para o senhor divulgar comigo, a par, justo o travo de tanto segredo, sabendo somente no átimo em que eu também soube... Que Diadorim era o corpo de uma mulher, moça perfeita... Estarreci. A dor não pode mais do que a surpresa. A côice d’arma, de coronha...

Ela era. Tal que assim se desencantava, num encanto tão terrível; e levantei mão para me benzer – mas com ela tapei foi um soluçar, e enxuguei as lágrimas maiores. Uivei. Diadorim! Diadorim era uma mulher. Diadorim era mulher como o sol não acende a água do rio Urucúia, como eu solucei meu desespero.

O senhor não repare. Demore, que eu conto. A vida da gente nunca tem termo real.

Eu estendi as mãos para tocar naquele corpo, e estremeci, retirando as mãos para trás, incendiável; abaixei meus olhos. E a mulher estendeu a toalha, recobrindo as partes. Mas aqueles olhos eu beijei, e as faces, a boca. Adivinhava os cabelos. Cabelos que cortou com tesoura de prata... Cabelos que, no só ser, haviam de dar para baixo da cintura... E eu não sabia por que nome chamar; eu exclamei me doendo:

– “Meu amor!...”

Foi assim. Eu tinha me debruçado na janela, para poder não presenciar o mundo.

(...) Como tinham ido abrir a cova cristãmente. Pelo repugnar e revoltar, primeiro eu quis: – “Enterrem separado dos outros, num aliso de vereda, adonde ninguém ache, nunca se saiba...” Tal que disse, doidava. Recaí no marcar do sofrer. Em real me vi, que com a Mulher junto abraçado, nós dois chorávamos extenso. E todos meus jagunços decididos choravam. Daí, fomos, e em sepultura deixamos, no cemitério do Paredão enterrada, em campo do sertão.

(...)

Resoluto saí de lá, em galope, doidável. Mas, antes, reparti o dinheiro, que tinha, retirei o cinturão-cartucheiras – aí ultimei o jagunço Riobaldo! Disse adeus para todos, sempremente. (...)

(...)

Só que isso foi mais tarde.

Pois, primeiro, eu tinha outra andada que cumprir, conforme a ordem que meu coração mandava. Tudo agradeci, dei a despedida, ao seo Ornelas e os dele – gente-do-evangelho. Saí somente com o Alaripe e o Quipes, os outros deixei à espera de minha volta, que, por muita companhia numerosa, de nós não cobrassem duvidado. Mas, antes de sair, pedi à dona Brazilina uma tira de pano preto, que pus de funo no meu braço.

Aonde fui, a um lugar, nos gerais de Lassance, Os-Porcos. Assim lá estivemos. A todos eu perguntei, em toda porta bati; triste pouco foi o que me resultaram. O que pensei encontrar: alguma velha, ou um velho, que da história soubessesm – dela lembrados quando tinha sido menina – e então a razão rastraz de muitas coisas haviam de poder me expor, muito mundo. Isso não achamos. Rumamos daí então para bem longe reato: Juramento, o Peixe-Crú, Terra-Branca e Capela, a Capelinha-do-Cumbro. Só um letreiro achei. Este papel, que eu trouxe – batistério. Da matriz de Itacambira, onde tem tantos mortos enterrados. Lá ela foi levada à pia. Lá registrada, assim. Em 11 de setembro da éra de 1800 e tantos... O senhor lê. De Maria Deodorina da Fé Bettancourt Marins – que nasceu para o dever de guerrear e nunca ter medo, e mais para muito amar, sem gozo de amor... Reze o senhor por essa minha alma. O senhor acha que a vida é tristonha?

Mas ninguém não pode me impedir de rezar; pode algum? O existir da alma é a reza... Quando estou rezando, estou fora de sujidade, à parte de toda loucura. Ou o acordar da alma é que é?

(...)”


Fonte: fragmentos com destaques nossos, mantida a ortografia original, recolhidos do romance GRANDE SERTÃO: VEREDAS, de João Guimarães Rosa, 9ª ed., Rio de Janeiro : Livraria José Olympio Editora, 1974, pp. 452/458.

Imagem by Portal Luis Nassif, da capelinha em que fora batizado João Guimarães Rosa, em Cordisburgo (MG).


sábado, 10 de setembro de 2011

MODELANDO UM POST

Inspiração é coisa que, imagina-se, parece vir fácil para o blogueiro, pessoa atenta ao em-volta, sedento por palavras. Um pouquinho de paz e eis que a operação se realiza: pela manhã, ajuste-se o espírito e os olhos para ver a vida por um ângulo destrivial, e vá! Essa a regrinha.

Pode ser um cachorro cruzando a rua pela faixa de pedestres – já observaram essa regra canina? –, alguém à frente falando alto ao celular sem se dar conta. E quando o assunto é interessante até diminuímos os passos pra ouvir. Mera curiosidade?, que não tem?

De repente é um motorista que insiste em transitar pela faixa da esquerda, amarrando o trânsito – e, é claro, nessas horas sua mamacita é lembrada! –, e aí quando achamos que esse mesmo “volanteiro” vai passar direto no cruzamento, o dito manobra à direita com a maior cara-de-vaca-na-horta, sem nenhum sinal de seta, todo absorto lá com as coisas dele.

Certos dias a danada da inspiração parece que resolveu mesmo ficar sob as cobertas até as dez. Então, aflitos por um novo post, um tema agradável à leitura dos amigos blogleitores, a gente para, pensa, olha uma coisa e outra, um livro, um anúncio mal escrito num edifício, tentamos nos lembrar d’uma música, piada ou uma mensagem positiva que levante o espírito das pessoas – aqui um aviso à amiga Íldica: - Não vale pensar bobagem, viu? , e por fim decidimos reproduzir uma bela mensagem alheia, um vídeo ou charge e et cetera. Sempre citando a fonte, é claro! Afinal, a seriedade blogueira é sobretudo ética.

Aliás, tenho visto reiteradamente na internet ser repassada uma linda mensagem PROCURA-SE UM AMIGO, muito profunda, marcante mesmo! É coisa de gênio! Mas, como já dizia dizia Chacrinha, nosso Velho Guerreiro, neste mundo nada se cria, tudo se copia”, dita mensagem tem sido divulgada como sendo fruto da imaginação do nosso Vinícius de Moraes. E não é!

O autor da mensagem é o romancista, teatrólogo, e escritor francês, VICTOR MARIE HUGO (1802-1885). Pelo tempo já ido desde sua morte se vê que nem a verdade tem sobrevida... mas sempre aparecerá um que a ressuscitará.

Mas, voltando à vaca-fria, também há momentos em que a gente está com a “cachorra” na inspiração, transbordando-a pelos poros, e aí descemos o malho no teclado feito solista de piano em exame de música erudita, descrevendo um episódio esdrúxulo ou uma estória qualquer, e por fim produzimos um post daqueles!, rico de palavras, aos borbotões, feito mina d’água, borbulhantemente. Ficamos alegres feito crianças!

Tempos depois, quando voltamos e lemos o “post daqueles”, julgamos que não merece ser postado e por fim, feito um maldito censor da ditadura, o arquivamos no "CL": cesto de lixo. Arre!

Quanto a mim, tenho posts, anotações de insights, e escritos diversos que dormitam arquivados no note ou em papéis amarelecidos de meus alfarrábios. Não descarto nada. Num aperreio de inspiração os releio, dou uma plástica no que reputo aproveitável pr’aquele instante, e aí rio de mim mesmo, de meus ridículos de quando os escrevi. E bola pra frente!, porque, como diz VICTOR HUGO: “A gargalhada é o sol que varre o inverno do rosto humano”.




Imagem: by arquivo pessoal de josé roberto balestra

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

COMEÇANDO A SEMANA...


... com um presente à paz interior em 5'37'':

A TODOS QUE AQUI APORTAM NESTE DIA!




Comentário: a paz dispensa palavras.

domingo, 4 de setembro de 2011

O LIXÃO POR PARAÍSO?


Do poeta maringaense A. A. de Assis:






* captirado do Pavilhão Literário Cultural Singrando Horizontes.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

CHARLENE FLANDERS..., NO SESC MARINGÁ

LANÇAMENTO:
Livro de Contos, de Wilame Prado




WILAME PRADO (25), cronista e repórter do jornal O Diário do Norte do Paraná (Maringá-PR), assina a coluna CRÔNICO no caderno D+. e-mail: pradowil@gmail.com - Twitter: @wilameprado

terça-feira, 30 de agosto de 2011

FICARAM-NOS SEUS TRAÇOS: DEMOS GRAÇA.


Lukas e seu lápis-com-borracha: s'encantaram...




Obrigado, Lukas, pelas risadas que você me arrancou talentosamente...
Descanse em PAZ.


Comentário: charge do Lukas que tanto me fez rir quando a vi, e por isso guardo-a há muitos anos em meus alfarrábios de belas lembranças. Continuará, na saudade e no meu exemplar do seu "Demos Graças" que dele ganhei em setembro/2010.