“QUANDO AS SOMBRAS AMEAÇAM O CAMINHO, A LUZ É MAIS PRECIOSA E MAIS PURA."

(Espírito Emmanuel, in "Paulo e Estêvão", romance por ele ditado a Chico Xavier)

Meus Amigos e blogAmigos!

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

ASSIM Q'IMAGINEI...


A madrugada fresca e úmida daquela quinta-feira no litoral pernambucano fora de sonos quebrados pr’aquela jovem mãe sertaneja. O Céu aos poucos se tingia d’alaranjado no horizonte sobre um mar de verdes e calmas águas; a aurora assinalava um dia de sol rasgado, tostante como sempre ali. O marido inda moço também, inquieto, mal pregara os olhos cuidando do primogênito que dormia sono inocente. A família. Só os três por ali. Pura ansiedade.

A cada novo sinal de seu ventre ela ficava mais apreensiva; a longa espera dos nove meses se afunilava, mas mantinha-se sertanejamente firme. Qualquer som de sua voz era motivo pro marido fazer-lhe indagações. O frescor da manhã foi cedendo lugar ao calor sobre aquela capital beira mar.

A primavera acabara de chegar. Junto trouxera todos os seus matizes, flores e perfumes, as lavadeiras-mascaradas e os demais pássaros da estação. O sol tomou conta do seu reino; no céu um azul limpo de doer os olhos. Quase dez horas da manhã, a avó materna já chegada para o auxílio, juntamente com a senhora parteira; experientes, puseram à mão os apetrechos do ofício. O ansioso marido fumava pra espairecer... contudo não relaxava; nem a presença do primogênito o distraia. Afinal, iria ser pai novamente. ¿Será menino ou menina?, se perguntava.

Os ponteiros ultrapassaram as dez horas. A um singelo sinal da avó, a porta do quarto foi fechada. Um silêncio se derramou... Em pouco, o choro forte do anjo em flor que chegava naquela primavera, e o aviso vindo da voz da avó materna: - Graças ao nosso bom Deus, deu tudo certo... Em seguida deu a boa nova ao genro inquieto:

- Venha ver Roseval! É uma menina!! Linda!

- Meu botão de flor! Flor de primavera! Vai se chamar Tereza Cristina! – disse o pai com os olhos marejando lágrimas d'alegrias... No quarto a jovem mãe agradecia o presentinho divino clariiinho... Recife nunca mais foi o mesmo!
















Comentário d'A BALESTRA: nesta alegoria a homenagem que faço à ANIVERSARIANTE DO DIA e nossa blogamiga primaveril, a arquiteta TEREZA FREIRE, que hoje apaga velinhas lá no seu belo Recife.

A ela meus PARABÉNS e os votos de que a idade nova que chega hoje traga-lhe também muita saúde, paz, e a certeza da realização de TODOS os seus sonhos - sem exceção - pessoais e profissionais.




Fotografia by WEB: RECIFE ANTIGO - Rua do Bom jesus

terça-feira, 22 de setembro de 2009

HÁBITOS ANTIGOS SÃO DIFÍCEIS DE SE PERDER...



Não perco my old habit musical jamais!

Os demais que os tenho o mundo que me perdoe e os tolere enquanto eu aqui estiver; uma vez nascido músico SEMPRE músico!

Nem que a gente termine nossos dias de vida só trocando cordas de guitarras dos outros ou varrendo palcos pra bandas & cantores...

Certa vez um $ujeito dinheiri$ta contumaz, chatí$$imo, daqueles que se sentam numa gilete e ainda balançam as pernas, perguntou-me:

- Por que músico é tão cheio de manias?

(Financeiro dum evento musical em Curitiba, o chatonildo tivera contato com exigências artísticas dum grande violonista brasileiro que lá se apresentava...)

Respondi-lhe (de minha praia c/ + de 40 anos de acordes) que músicos são pessoas simples, desapegadas, e que só um músico entende outro músico... $obretudo porque não tem inveja$ recíproca$!

O iluminado talento de cada um lhes basta... o resto é paz de espírito.





Comentários lúdicos d'A BALESTRA:

1 - DAVE STEWART (guitarrista) & BAND aí tocam OLD HABITS DIE HARD ("Hábitos antigos são difíceis de se perder"), melodia escrita por ele em parceria MICK JAGGER, autor da letra, para o filme Alfie, em 2004;

2 - a música foi gravada originalmente na voz de Mick Jagger sozinho, sem os Stones, e também pela cantora americana Sheryl Suzanne Crow;

3 - com essa música DAVE & MICK ganharam em 2005 o Prêmio Golden Globe Awards (Globo de Ouro), na categoria de Melhor Canção Original, mas não conseguiram o Oscar na mesma categoria, em cinco anos;

4 – um dos pontos altos da melodia aí no vídeo é o solo tecnicamente divino de DAVE STEWART em sua legítima black guitar Fender Stratocaster, personalizada com madrepérolas no braço e detalhes no corpo;

5 – A linda e potente voz negra (...não lembrei o nome dela.) adoçou na medida exata o que a melodia clamava. Perfeitíssima!!!!

6 - Advertênci'amorosa final: não há que se confundir hábitos com vícios...


segunda-feira, 21 de setembro de 2009

CARTÃO VERMELHO


"...mandou pra Cotidiano, que mandou pra Fran do FAZ DE CONTA, que repassou pra Josie d’O Meu Essencial, que repassou Dan do Pouco de Tudo, que enviou pra Carlucha, que endereçou pro Bar do Bulga, que... uffa... outorgou-me o prazer e o direito da saudável brincadeira.


Regras básicas:


"Cada um deve fazer uma listinha com 10 escolhidos para dar o cartão vermelho.

Pode ser uma pessoa, uma atitude, enfim, tudo aquilo que de alguma forma nos incomode, e se quiser e precisar, dê uma justificativa breve.

Após fazer isso, passe a bola para mais cinco blogueiros e vamos ver no que dá…"



Eis a minha listinha:


1 – Hipocrisias d’amor; só sei amar de verdade!
2 - Soberba de funcionário público concursado; estabilidade e poder lesados.
3 - Blog de celebridades que não interagem; guarda-sol sem pano.
4 - Música eletrônica bat’estaca em carro/casa; sem alma. É só matemática, investimento em surdez e má querência.
5 – Animais desamparados; aviltamento da raça humana.
6 - Copo americano pra cerveja; a tulipa de chope, transparente, me calha melhor.
7 - Egoísmo de qualquer forma; medo da própria incompetência.
8 - Brócolis; há muita coisa melhor pra comer... picanha, por exemplo.
9 - Morosidade das decisões judiciais; o antídoto trouxe a era do assessor.
10 – Sinopses para fugir dos parágrafos das obras; demarca a indigência intelectual.

Convido pra roda as seguintes blogamigas:

TK FREIRE
A MONGA E A EXECUTIVA
DE VEZ EM QUANDO VENHO AQUI
A VIDA É MOVIMENTO
MARTA BELLINI


sábado, 19 de setembro de 2009

O IPÊ "CAPTIRADO"




"Certo dia um caçador muito mau, resolveu acabar com todas as árvores do planeta.

Quando estava preste a cortar o primeiro ipê, um vento estranho e muito forte se aproximou, e como num passe de mágica, uma fada apareceu.

E castigando-o pela sua maldade, transformou o infeliz caçador em um pé de "Ipê".


Até hoje, nas florestas, quando a noite se cala, pode se escutar o lamento do caçador que chora com saudades da família."


Fonte: captirado do blog FOI DESSE JEITO QUE EU OUVI DIZER, de minha blogg'amiga Silvana Nunes, do Rio de Janeiro (RJ), pessoa que cuida melhor que ninguém das fábulas, tradições e das florestas do nosso Brasil.

Imagem: by André Maringá; fotografia da florada de um Ipê numa rua de Maringá (Paraná - Brasil), em junho/2009, publicada no Blog do Rigon.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

O CÉU... E O NEM TANTO DOS VINHOS


Farejando fino os comentários feitos no post anterior, cheguei a umas conclusões – mas leigas, já que não sou nenhum sommelier que gostaria de dividi-las:

No geral s’excomunga o VINHO tão só por seu álcool, esquecendo-se o nobr’encanto de seu sabor. No entanto, sem culpa, aceitamos uma ou duas (ou mais de duas mais...) taças de champanha (um tipo espumante) por ocasião da passagem de Ano. Festejos, dir-se-ia. ‘Tá bom. Aceito.

Então, da só singeleza desse festivo consentimento calha resposta à excomunhão: a dose moderada. Fugimos todos é da ebriedade e não do álcool do vinho...

Da alegre revelação dos gostos pessoais, notei que se tem um pouco o vinho tinto como sinônimo de viripotência, enquanto que ao branco ou doce se dão ares feminis. Pode até ser, mas ouso discordar. Explico-me e até dou alegr'exemplo.

Enquanto neto de italianos escolho a qualidade e o tipo de vinho segundo meu momento, e tão só em função de sua harmonização com o prato pretendido naquele momento. Fujo de heresias com vinhos & pratos.


Mês passado, numa boa viagem que fiz – apesar de não ter o hábito de jantar –, certa noite no restaurante do hotel servi-me duma taça grande de vinho tinto português de médio corpo e o conciliei com macarrão ao molho branco e um saboroso bacalhau a Gomes de Sá. Divino... o meu sono. Sem culpa alguma!

O exemplo: rapazote ainda fui a uma feira-exposição em Paranavaí. Logo na entrada do parque uma imensa e linda pipa de vinho gaúcho. As moças com seus trajes típicos serranos. Eu e os amigos cedemos aos impulsos e “metemos a cara" no vinho doce... A cada duas voltas pelas ruas internas do parque, voltávamos à carga, molhar a garganta...; novo copo daquela tentação doce! A goela agradecia, encantada... e a gente voltava a paquerar as meninas pelo parque afora.

Já passava de uma hora da manhã, o movimento diminuiu, resolvemos ir dormir... Não tinhamos carros ainda e não havia mais circular àquela hora, e o centro da cidade estava longe. ...Mas pelo caminho foi uma tragédia; groguinhos da silva e fazendo pit-stop a todo instante... ¿E depois, pela manhã? A cabeça pesava duas toneladas e o corpo... uma folha de papel ao vento...

É. Ali descobri que vinho é mesmo uma bebida divinal, mas é só mangar do lado feminil daquele doce que envém logo as chamas pelos dentros da gente...

Hoje amo e respeito o DOCE mais que nunca! Sei-lhe e dou valor... !



Imagens: 1 - taça de vinho, by Emo Saloy; 2 - by WEB; 3 - by Vinícola Garibaldi ©RRibeiro


quarta-feira, 9 de setembro de 2009

VINHO & PERSONALIDADE


Na hora de escolher o vinho você vai direto naqueles que são mais secos e "amarram" a boca? Ou prefere os mais suaves e até doces? Pois saiba que a sua decisão pode revelar muito sobre sua personalidade. Pelo menos é o que aponta um estudo realizado na Austrália e na Grã-Bretanha.

A pesquisa sugere que pessoas que preferem vinhos de sabor doce apresentam uma maior tendência a serem impulsivas. Já aquelas que optam por vinhos secos, são mais simpáticas e abertas. A pesquisa aconteceu com 45 pessoas da cidade de Sheffield, na Inglaterra, que cultivam o costume de consumir a bebida diariamente. Os voluntários foram divididos em dois grupos, segundo a preferência por doce ou seco.

Os participantes também foram submetidos a testes de personalidade, para avaliar sua impulsividade, abertura na convivência social, empatia e extroversão.

De acordo com os cientistas, as pessoas possuem uma tendência maior em optar pelo vinho doce, o que seria uma escolha mais simples e clara, por isso o grupo pode ser considerado mais impulsivo.


Fonte: PARANÁ ON LINE / VIDA E SAÚDE

terça-feira, 8 de setembro de 2009

...DE COISAS, PESSOAS & ALEGRIAS




...“Deus nos dá pessoas e coisas, para aprendermos a alegria...

Depois, retoma coisas e pessoas

para ver se já somos capazes da alegria sozinha...

Essa – a alegria que Ele quer...”










Fonte: by João Guimarães Rosa, em Noites do Sertão - Buriti, Edit. Record/Altaya, 1988, p. 248

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Reminiscências de fubá

Ia ao Fórum de Sarandi pela manhã, e uma constatação me emocionou: o prédio de meu último emprego (1988), Germani Alimentos S.A. (depois Ceval, Santista Alimentos e Bünge) não está mais vazio!

Sempre que avisto aquele prédio, todo em cimento aparente, sua passarela elevada de concreto até o prédio, a portaria por onde entravam os automóveis e meu Fusca Godofredo, os vigilantes na guaritinha pintada com o símbolo da empresa – uma espiga de milho estilizada e em diagonal, entrecortando um “G” grande –, os taludes verdinhos, tudo rebobina em minha memória. Até ressoam os sons em meus ouvidos.

Ouço os telefones cremes - ainda de discos - do nosso televendas tocando sem parar sobre a mesa ovalada, em cerejeira, onde aconteciam as operações com fubás, pré-cozidos, gritz para cervejarias, canjiquinhas, creme de milho, e outros tantos subprodutos de milho.

Vejo abertos os cadernos universitários dos vendedores (o meu guardo com carinho; histórias de vida...); a amável Mai sempre nos intermediando nos embates com o financeiro; o Rieki e sua voz rouca; Sandro, voz bonita e grave, de locutor mesmo; o vozeiro sempre alto e as risadas abertas de Jackson, com dois telefones aos ouvidos, simultaneamente negociando com um cliente do Ceará e outro de Pernambuco, enquanto eu falava noutro aparelho com Valim, nosso representante em Volta Redonda. Era cansativo, mas prazeroso. O dia fluía... e as metas tirávamos de letra, fossem sob fretes CIF ou FOB!

Nosso departamento (o DEVEN) era todo cercado por vidros transparentes (aí nas fotos). Um local sério, e às vezes tenso quando próximo do final do mês, mas nunca ficava sisudo; não deixávamos! Lá aconteciam coisas hilariantes. Conto uma.

Tínhamos um colega vendedor, em verdade um arremedo de vendedor, boa praça, moreno claro e muito magro, rosto fino onde se destacavam seus olhos verdes que transmitiam uma inocência enorme. Era um coração de manteiga, e voz marcantemente anasalada, quase foinha. O sujeito era destaque mesmo quieto, calado!

De tão tímido, sequer conseguia se identificar ao telefone para o cliente que ele mesmo ligava. O fone parecia queimar-lhe as mãos. A venda não saía. E ele, com olhos apreensivos pra gente, suava como uma gazela à frente dum guepardo! E a gente via, mas nada fazia: a fruta ficar melhor se amadurecida sozinha, no pé!

Muitas vezes ficávamos com o telefone colado ao ouvido, fingindo um atendimento só para não sermos interrompidos na necessária observação, e aí podermos ouvir sarcasticamente o que ele falava ao telefone com "seu cliente".

Pobre rapaz! Toda fala dele para o tal cliente do telefonema ficava pela metade. Morria no início, nas primeiras sílabas ou até mesmo nas primeiras letras de algum produto. Parecia caminhão carregado de milho em carroceria mal fechada; ia perdendo tudo pela estrada:

- Boa tarde, aqui é o... Si..., Cuscumil... Saran... Sarandi. Sim senhor... Estamos c'uma promo... - Pura tortura ver a rosca sem fim daquele enrosco da pobre alma.

Só quando víamos que a coisa não ia dar em nada (...e que as metas seriam prejudicadas...), o socorríamos! E tudo se acomodava de novo. Porém, não sem antes rirmos um bocado de cada episódio...

Foi que, sobretudo por força de sua índole mansa, ser um jovem, pai de família, o tal esboço de vendedor, safou-se da fatal demissão a pedido de nossa equipe de vendas para a chefia; rumou para um serviço burocrático na empresa. Lá ficou pouco...

Como o ser humano é dinâmico, especialmente quando a água bate na região glútea, tempos depois me surpreendi: encontrei o rapaz sendo um ótimo vendedor do setor de atacados de eletrodomésticos na cidade. Depois disso, toda vez que o via trabalhando até duvidava daquelas cenas do passado dele. Nessas ocasiões, feito um apalermado, eu ria solitariamente.

Mas voltando à vaca fria do tal prédio, minha boa surpresa foi que, no mesmo local da Germani, em que antes só falávamos de metas, valores monetários, produção, vendas, exportações, e tudo girando em torno do vil metal que move esse mundão - mas que nos traz tanta agonia -, agora se cuida da educação sistemática de nosso povo humilde. Ali está implantado o CEBJA Centro Estadual de Educação Básica de Jovens e Adultos.

Fiquei feliz de verdade! Interrompeu-se o círculo de sucessivas aquisições do imóvel. Agora serve a um fim que reputo muito mais importante que dinheiro: a ALFABETIZAÇÃO, a disseminação do CONHECIMENTO, da CULTURA, do ABRIR d'olhos para a vida em favor dos menos assistidos, enfim, a chance d'uma dignidade perene para eles.

Afinal, penso cá comigo: mesmo com todo o dinheiro do mundo a gente sempre corre o risco de se niilificar a qualquer hora de novo, porque é o metal finito. Porém, um tesouro de conhecimentos ninguém nos rouba, NUNCA!


...essas as reminiscências de fubá de um ex-vendedor de televendas: eu!


Fonte: texto e fotografias by arquivo pessoal de José Roberto Balestra - post de 20.12.2006, atualizado, publicado em meu primeiro blog/UOL, "LA BALESTRA".

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

AO FIM DO DIA

*Paula Cajaty





ao fim do dia
quando estiver mais próximo
de sua própria essência
não hesite em abraçar o abismo
de olhos vítreos
no porvir da ausência.

observa - cala a existência.
o nada só tem sentido
se contraposto a tudo
que houvermos sido.






*PAULA CAJATY, carioca, nascida em 1975, é advogada, mas se realiza na literatura e na poesia. AFRODITE IN VERSO (2008), com 58 poemas, é seu primeiro livro, e tem orelha escrita por Fabrício Carpinejar e elogios de autores consagrados por crítica e público.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

VIVER É MUITO BOM... MAS SONHAR É IMPRESCINDÍVEL!




Adoro o poder, a cor, e a profundez que as palavras tem.


Mas há dias em que
um piano de cauda, um violão num pedestal, e uma voz suave
... escrevem mais denso pra noss'alma que os signos.


No vídeo dois gigantes da música mundial, cada um d'uma geração,
numa canção composta pela pianista:


SARAH McLACHLAN & CARLOS SANTANA


- ANGEL -




terça-feira, 25 de agosto de 2009

HOJE É "DIA DO SOLDADO"... lembranças...








Era 1971.

Até fevereiro de 1972 eu havia deixado compulsoriamente minhas roupas coloridas, minha guitarra, meu violão, minha PAZ de espírito e um emprego na antiga COMAPA (revenda Volkswagen em Paranavaí - PR), na qual aos 17 anos, por convite do saudoso seo CARLOS MACHADO – então sócio-diretor da empresa, a quem sou eternamente grato pela oportunidade dada –, fui guindado ao cargo de gerente da seção de peças da filial CANEL (Nova Esperança -PR), um serviço de belíssimas lembranças, principalmente meu curso da fábrica em São Bernardo do Campo (SP).

Da CANEL fui arrancado pra abraçar, pasmem, um FAL belga (Fusil Automatique Leger ou Fuzil Automático Leve) em Curitiba (PR), no então 20º R.I. (Regimento de Infantaria), ao qual dávamos o hipocorístico de 20º Recanto do Inferno. Em 1972 passou a ser 20º B.I.B. – Batalhão de Infantaria Blindada...

Que AGONIA!

...nunca tive nada a ver com aquilo de verd'oliva, caserna, continências e essas coisas assim... Meus ideais libertários ficaram sufocados no período, mas na volta os reassumi PRA SEMPRE, e talvez por isso, sem que eu haja me dado conta, sou advogado... Mas nunca larguei de minha música nem de meus violões, meu canto, ou a paz de espírito que isso tudo me proporciona...

No entanto, do tempo de caserna guardo boas recordações, das farras da nossa “panelinha”, dos detimentos, das malditas cadeias (um monte...) e de amigos do peito como ROBERTO TORRENTE (aí na foto comigo, ambos com as faces murchas de tão cansados, após uma marcha por 46km, do bairro Bacacheri até a granja do quartel).

Mas, sinceramente... bate uma saudade danada dos que hoje já não estão neste Plano... A esses, através de Luiz Carlos Pavesi, recém Partido aqui em Maringá, e Nêgo Leme (Cruzeiro D'Oeste - PR), que de há muito Subiu, rendo minhas homenagens de coração a todos os jovens que um dia foram – ou estão sendo – chamados para ao serviço militar obrigatório.

Valeu a experiência! E em mim ficaram muitas saudades... dos amigos!


Fotografias: by arquivo pessoal josé roberto balestra. 1971: (1) no refeitório do quartel então 20º R.I. (Regimento de Infantaria/Curitiba-PR); (2) eu o último da direita, tocando guitarra em minha primeira banda profissional em 1967 - O EMBALO [Zé Tremendão, Santão, Evaldo Polaco, Evaldo Tigrão, e eu]-; (3) eu e Roberto Torrente, após a marcha de 46km.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

...ANTES QUE SEJA TARDE!









Fonte: by FLÁVIO SIQUEIRA, atualmente em Porto Alegre, é um experiente radialista paulistano apesar da pouca idade (34 anos). Começou a carreira aos dezesseis anos, em 1991, na primeira rádio A Imprensa Gospel FM em São Paulo. Trabalhou na 89FM, Rádio Metropolitana, Jovem Pan FM, Transamérica, Musical, Nova Brasil FM, Clip FM, 97FM, Band FM, Band News, Bandeirantes AM e Sul América Trânsito. Flávio também é blogueiro, tem um podcast e grava semanalmente um programa pra uma rádio em Portugal. Seu primeiro livro é “Dez Histórias e Algo mais”.

sábado, 22 de agosto de 2009

...TENHO VERGONHA DE MIM!




Comentário d'A BALESTRA: o poema "TENHO VERGONHA DE MIM", aí no vídeo declamado pelo grande ator, apresentador e folclorista brasileiro, ROLANDO BOLDRIN, é de autoria de CLEIDE CANTON, poetisa interiorana paulista (de Assis), no qual apenas o último verso tem autoria atribuída ao inesquecível Rui Barbosa, o nosso "Águia de Haia".

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

JUSTIÇA AO CRUCIFICADO


*José Américo Abreu Costa

O fato é inusitado. O Ministério Público Federal em São Paulo pretender ver retirado de todas as repartições públicas o crucifixo, a bíblia ou qualquer símbolo religioso. Argumenta que a fixação desses sinais sagrados em ambientes públicos estatais viola a Constituição Federal no que se relaciona à separação entre Igreja e Estado, lembrando que o Brasil é um estado laico.

A situação merece uma análise em camadas, haja vista a excentricidade da postulação e ao falso brilho de originalidade da medida. É necessário que a sociedade tenha uma real consciência da gravidade desta "moção" e de suas nefastas conseqüências, que antes serve a uma absoluta tirania do que aos elevados ideais da liberdade.

Em primeiro plano, o que diz efetivamente nossa Constituição Federal sobre o tema? Nada, absolutamente nada que fundamente a posição ministerial. Ao contrário, nossa Carta Magna estabelece a liberdade plena de consciência religiosa (artigo 5. º, inciso VI), importando a retirada dos crucifixos numa frontal violação a esse direito fundamental, qual seja, a expressão de uma fé que está arraigada em nossa cultura e no inconsciente coletivo do nosso povo.

Diz ainda a Constituição que ninguém pode ser privado de seus direitos "por motivo de crença religiosa ou convicção filosófica ou política" (artigo 5. º, inciso VIII), podendo neste País todo cidadão, cristão ou não cristão, expressar fisicamente sua fé através de gestos ou imagens sagradas das suas respectivas tradições.

Ademais, não podemos esquecer que no preâmbulo da Constituição consta expressamente a invocação de Deus pelos legisladores constituintes:

"Nós, representantes do povo brasileiro (...) promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL".


Não me parece ter sido a intenção dos nossos legisladores invocar a proteção de Deus para depois expulsar a sua imagem dos Tribunais. Para além de uma contradição, seria uma blasfêmia e, portanto, uma indescritível abominação.

Nos planos filosófico e histórico a situação não merece melhor destino. Medida idêntica foi tentada na Itália (por um magistrado, inclusive) e na França, surtindo maior efeito neste último País, tão marcado em nossos dias pelo relativismo, pela negação de Deus e pela degeneração de valores que assola todo o orbe.

Por trás dessa suposta defesa da liberdade plena esconde-se sub-repticiamente o ideal do Estado absoluto, que não conhece limites em sua ação, mergulhando o individual num coletivismo que há muito deveria estar soterrado nos muros de Berlim.

Estamos no campo diabólico e maldito do relativismo, que se expressa na absoluta indiferença frente à natureza religiosa do homem. Consiste na construção de um pensamento autônomo, puramente filosófico e estritamente científico, totalmente desvinculado da via espiritual. O resultado é um ser humano cheio de dúvidas, filho de uma era de incertezas, pois o homem sem Deus é um homem inexoravelmente sozinho e irremediavelmente mutilado.

Trata-se do ideal do super-homem preconizado por Nietzsche; da religião como ópio do povo (Karl Marx); do futuro de uma ilusão na perspectiva de Sigmund Freud. Cuida-se da vontade humana como senhora de si mesma, sem prestar contas a quem quer que seja, sendo o sinistro fermento daquilo que os antigos chamavam de "seres demoníacos artificiais", criados pela vontade coletiva e submetendo os próprios criadores ao jugo da escravidão. O resultado da ideologia comunista mostra isso, cujas vítimas superam em número os mortos nos campos de concentração.

Estamos ainda na tenebrosa seara do racionalismo puro, do naturalismo desesperado, da filosofia iluminista que preconiza uma liberdade absoluta, uma igualdade plena e uma fraternidade universal, ideologias bem expressas no falacioso lema do enciclopedismo das trevas: "Queremos organizar uma sociedade sem Deus".

A medida em análise traz ainda conseqüências nefastas para todas as religiões deste País. Todo cidadão estará legitimado então a exigir a retirada da estrela de seis pontas do Hospital Albert Einstein, caso não seja um paciente judeu; o Alcorão não será mais tolerado em repartições dirigidas por muçulmanos; não mais poderemos dispor da Sagrada Escritura distribuída em hotéis, praças ou em visitas dos nossos irmãos evangélicos. O Cristo Redentor estará inevitavelmente ameaçado, como símbolo do País e de uma das cidades mais belas do planeta, e o mundo inteiro poderá ser privado de um dos maiores monumentos da humanidade.

Estaremos todos, católicos ou não, na iminência de uma ditadura sem limites e sem precedentes na história do povo brasileiro. Uma ditadura preconizada por um Poder que tem por missão constitucional resguardar as liberdades individuais nesta Nação, e nunca suprimi-las.

Não esqueçamos: Cristo foi a maior de todas as vítimas da injustiça humana. Sua presença simbólica lembra um erro que na qualidade de juizes não podemos cometer. Retirá-lo dos tribunais é expulsar os pobres, os oprimidos, os miseráveis, aqueles que têm fome e sede de Justiça, independente de sua raça, cor, credo ou nação. É oficializar uma Justiça elitista e curvada no altar idolátrico do grande leviatã do poder.

Como afirmou Carnelutti, um grande cristão e notável jurista, a imagem de Jesus Cristo não deveria ficar nas paredes dos tribunais, às costas dos juízes, mas à sua frente, para os julgadores se lembrassem em cada audiência Daquele que foi a maior vítima do pior erro judiciário da história.

Mas meditemos em outros tipos de crucificados, estes sim que deveriam ser retirados das repartições.

Olhemos para os que jazem nas prisões aguardando um pronunciamento dos magistrados e promotores; pensemos em todos os que esperam anos sem conta a solução de seus conflitos pela Justiça e daqueles que são órfãos das ações protetivas do Ministério Público.

Lembremos dos direitos e garantias fundamentais que não são tutelados e nos incontáveis oprimidos pela inércia dos órgãos competentes. Estaremos diante de uma multidão de crucificados que permanecem, contra sua vontade, vítimas da omissão do estado brasileiro.

Façamos, pois, justiça ao crucificado, Àquele que pagou o preço de nossa redenção há dois mil anos. Deixemo-lo onde se encontra. Jamais percamos sua lição e Graça. Quem sabe assim consigamos olhar na verdadeira direção e então ouvir os gritos dos pobres e oprimidos que estão ofegantes e cobertos de chagas à espera de autoridades justas.


*FONTE: JUSNAVIGANDI, by JOSÉ AMÉRICO ABREU COSTA, Juiz da 1ª Vara da Infância e Juventude de São Luís (MA). Professor da Escola Superior de Magistratura do Maranhão. Especialista em Processo Civil pela Universidade Federal de Pernambuco.

Grifos: A BALESTRA.
Imagem: by WEB

domingo, 16 de agosto de 2009

Da Essência e da Existência: uma linha tênue entre o Importante e o Essencial



No Blog do Óbvio, do blogamigo Manoel, deparei-me com uma pérola de pensamento de Luzia Santiago – a quem ainda não conheço –, que transcrevo a seguir e que provocou esta minha reflexão:

Um coração puro sempre vê além das aparências, e nós precisamos desta visão larga para distinguir o importante do essencial, porque muitas coisas são importantes, mas poucas são essenciais”.

O que à primeira vista parece ser uma simples frase, em verdade traz uma bela advertência aos olhares descuidados da vida, tolhidos que estão pelas lutas diárias. Efetivamente carecemos da pureza d’um olhar extramuros para alcançarmos outras expressões mais finas da vida neste brevíssimo Plano. Nada justifica os desvios acerca dessa consciência.

Há momentos que, sem percebermos, somos repentinamente Convocados para distinções tais como as da sutil frase. Comigo não raro se dá isso. Conto uma.

Certo dia de 2007, salvo engano, estava eu sozinho em meu escritório de advocacia, garimpando nas leis e doutrinas soluções para meus clientes, e eis que, sem mais nem menos, um indomável Alento interior mandou-me sobrestar o serviço! É claro, obedeci!

Recostei relaxadamente na cadeira, olhei as coisas sobre a mesa, os processos de meus clientes, os livros mirando-me da estante, os códigos abertos ali ao meu alcance, o relógio lá na parede branca, mostrando o tempo indo manso, mas velozmente.

E então, eis que num insight me Chegou totalmente pronta – e num zás anotei por cima duma petição que fazia – a seguinte circunspecção acerca de Paraíso & Destino, aos quais atribuímos nossos episódicos sucessos ou fracassos na vida:

"Se o desindiviso paraíso é para poucos, e puro,
o luciferino destino é para muitos profundo, e escuro,
como o fundo e o fosso do poço,
raso sem água nem tamp'embaixo, no fundo."



Escrita a frase na tela, fiquei olhando pr’aquilo atônito! Comecei a ler, reler e treler; com vagar, fui auscultando o que cada signo daquele poderia estar trazendo de preleção, significados ou até algum eventual enigma pra minha vida naquele instante. A custos fatiei tudo, a meu modo e mão. E concluí:

- Primeira fatia:

- que por “desindiviso” entender-se-ia um plano espiritual, sem limite unidimensional nem demarcações de medidas convencionais;

- que o “luciferino” nada tem a ver com o Anjo decaído de que fala o Livro Santo, mas sim está no sentido substantivo de luminosidade, de claridade.

- Segunda fatia: - o que fomos cristãmente doutrinados a conceber seja o Paraíso, é um abstrato mas bonito lugar, ao qual apenas poucos, os PUROS de coração que conseguem discernir Essência de existência e imprescindível de acessório, vivem suas delícias aqui mesmo neste Plano; não é preciso Partir pra que isso dê. Que, paradoxalmente, não tendo contornos o Paraíso, sua amplitude é desindivisa; as formas várias de nossas malícias e brejeirices humanas é que nos afastam do seu âmago, do perene e verd'esperança de seus campos.

Destarte, quando entramos nalguma crise espiritual, ou mesmo estamos diante d’um sucesso material inesperado – um prêmio de loteria, por exemplo –, os atribuímos logo como obra do Destino, outro ente abstrato que funcionaria como um automóvel sem motorista e nós como passageiros... Ledo engano; o destino é claríssimo, luciferino. Seu motorista somos nós!


O profundo e o escuro do Destino estão apenas no sombrio dos olhares desatentos, tal qual quando miramos o interior dum poço que, por negr'escuro seu interior, falsamente o tomamos por profundo e infinito, sem água nem tampa embaixo... no fundo. Outro faceiro engano... A tampa é o fundo no escuro; a água sempre está só um pouco mais abaixo.

Portanto, quando estremamos as coisas – como diz Luzia – é que conseguimos graduá-las por sua ordem de necessidade.
Do essencial é que assoma o importante, nunca o avesso...

Comentário d'A BALESTRA: Parabéns à Luzia Santiago pela sabedoria na bela frase, e ao Manoel, do Blog do Óbvio, que me deu conhecimento da pérola que me inspirou aqui.

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sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Minh'alma pedia um pouco de silêncio; volto assim...


Desculpem-me, mas um pouco de silêncio aqui no blog me fez bem, muito bem.
Às vezes a parada é imprescindível; refrigera o espírito, deixa a alma chegar até o corpo e descansar um pouco, dá-me paciência.

Aproveitei bem, mas muito bem mesmo esse breve tempo. Viajei, li bastante, escrevi pouco ou quase nada, toquei meu violão e até violão de quem sequer eu conhecia. Vi e falei com gente séria, engravatada, e também com gente informal, bonita, dividi minhas verdades, ouvi as dos outros, meditei meus rumos, os novos que traço pra minha vida, e ainda estou, embora já suando meu pão de novo.

Visitei alguns blogamigos mais e outros nem tanto... Mas sinto que é melhor ser assim, verdadeiro!... Sei que me compreendem.

Hoje, pensando turbilhões, pego carona nos versos e acordes do Rei Xará, de quem sou fã confesso e irrefreável desde há muito. Suas músicas do estilo dessa aí do vídeo me dão muita serenidade pras reflexões que preciso fazer sempre; reviajo primaveras, as de boa viagem, sem ir... É muito bom! Ao final, acabo leve.

É assim que estou hoje: EM PAZ!



segunda-feira, 3 de agosto de 2009

O brilho de Marta Bellini!





Há pessoas que quando a gente vê pela primeira vez parece que já a conhecíamos havia muito tempo; algumas poucas palavras bastam pra essa sensação ficar maior ainda.

Assim foi que me senti certa vez quando conheci Marta Bellini numa primeira reunião blogueira no SESC/Maringá, numa iniciativa feliz de outro grande amigo que ali também conheci; o incansável jornalista Andie Iore. Nunca um sábado à tarde, sempre sonolento, me pareceu tão rico e vivo!

O tempo se encarregou de mostrar-me o porquê daquela sensação: era o brilho de MARTA, muito intenso! Um brilho de sabedoria, competência e beleza.

Hoje Marta está brilhando mais ainda;

É DIA DO SEU ANIVERSÁRIO!


PARABÉNS, MARTA!

Ter sua amizade é ser mais rico, e ter muito orgulho disso!

MUITA PAZ PRA VOCÊ NESTE SEU DIA TÃO ESPECIAL!...

domingo, 2 de agosto de 2009

O jornalista teclando seu coração-poeta

Hei de deitar


*Antonio Santiago



Hei de deitar-me um dia em teu leito

Hei de olhar em teus olhos e sorrir

Hei de dizer sem medo de mentir

De quantos sonhos este amor foi feito...

E neste dia amor!... Serei todo teu!

Dar-me-ei com toda minha doçura

Desatando todas as armaduras

Soltarei meu coração, quando nu.

Com amor de um homem maduro

(Te abraçarei como menino imaturo)

E me entregarei na maior loucura

Quero amor, neste dia poder provar

O néctar do amor que tens para me dar

E para sempre, todo o sempre, te amar...






*ANTONIO SANTIAGO é um jornalista londrinense que vê as pessoas,
a vida e o amor pelas notícias do seu coração-poeta.


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