“QUANDO AS SOMBRAS AMEAÇAM O CAMINHO, A LUZ É MAIS PRECIOSA E MAIS PURA."
(Espírito Emmanuel, in "Paulo e Estêvão", romance por ele ditado a Chico Xavier)
Meus Amigos e blogAmigos!
domingo, 11 de abril de 2010
ONDE DEUS POSSA ME OUVIR...
segunda-feira, 29 de março de 2010
Frasindo & Luzindo
"Gosto de escrever.
lutar.
Ajuda-me a extravasar os demônios.”
domingo, 21 de março de 2010
OLHOS QU’INCOMODAM!
ava realizando pelo CNJ, ouvi muitas lamúrias de colegas magistrados que se diziam indignados com as “interferências” que este órgão máximo da administração Judiciária estaria exercendo em suas funções judicantes.O Conselho Nacional de Justiça é uma realidade e veio para ficar. A Sociedade esta(va) cansada de uma Justiça lenta e ineficaz. E o que este órgão tem buscado é tornar o Judiciário mais legítimo (consensus) e apto a realizar o trabalho que o povo dele espera e contará sempre com o meu apoio no que for constitucional.
Primeiramente, afirmo que todos somos servidores públicos e não somos donos de nada. O que a nós pertence é tão somente o fruto de nosso trabalho, conhecimento ou herança.
Segundo, que geralmente quem faz uso destes pronomes possessivos, são pessoas eivadas de vaidade, soberba e péssimos naquilo que fazem (profissionalmente).
Partindo da premissa de que devemos ter zelo pelas coisas que nos pertencem:
A) Como podem afirmar que os processos que tramitam em sua Vara são seus e estes ficam acumulando mofo nas prateleiras, por anos e anos, sem solução, sem uma decisão?
B) Como podem afirmar que a Vara judicial é sua, e o que encontramos são cartórios, desorganizados, abandonados e sem gestão, contribuindo e muito para a demora da prestação jurisdicional.
C) Como podem afirmar que os presos/detentos ou reeducandos (eufemismo) são seus, se sabemos que o ser humano não é objeto de propriedade, e que as penitenciárias estão superlotadas, os benefícios penitenciários não são concedidos tempestivamente (ou nunca), que as instruções criminais duram anos quando deveriam no máximo alguns meses, levando o Brasil a possuir uma das 5 maiores populações carcerárias do Mundo e que mais de 50% destes presos, ainda não foram sequer condenados? Onde está o respeito ao Princípio da Presunção de Inocência e da Dignidade Humana?
Como juiz, sou titular de uma vara. Contudo, esta titularidade nada tem a ver com o instituto do Direito Civil da propriedade. Se, durante meus impedimentos ou afastamentos, outro for designado, não haverá solução de continuidade. Se sentenciarem um processo, está decidido. Se absolverem um acusado, está absolvido; se o tribunal implantar uma nova rotina de trabalho mais célere e profícua, está feito. Em nenhum momento devo ser consultado se concordo ou não (penso assim). Pois não sou dono de nada que não me pertence ou que seja público.
Agora, criticam o CNJ, as Corregedorias de Justiça ou qualquer pessoa ou grupo que tente buscar mudanças que tornariam melhor o serviço e a imagem da Justiça.
É o chamado MISONEÍSMO (aversão pelo novo), parente próximo da INCOMPETÊNCIA.

Imagens e texto: blog Consciência e Vontade by George Hamilton Lins Barroso, juiz estadual em Manaus (AM), e Juiz-Auxiliar do Conselho Nacional de Justiça - CNJ. Na imagem maior o Juiz George Lins visitava uma unidade prisional em Goiás.
sexta-feira, 5 de março de 2010
CAFÉ, QUEIJO, AMIG'OBSCUROS, E A MOÇA DA PADARIA

Abstrato, diria eu, separado, levado por força.
– Digamos então... obscrato!
Ele: – “Não! Não vale o que não é ainda. Mas que tal... absturo então!”
– “Ora, sem destoar!” - respondi.
– “Mesmo. O texto er’obscuro com’o debaixo do pires d’toco d’vel’acesa em noturno quarto.” – ele diz.
Vim: – “...Que tal o toco?”
– “O quarto!” - ripostou ele.
E ele: – “É. ...Zé!?”
Eu: – “O que é?”
– “O que é é o que é!! E quem vai dizer que não é? Pronto! Isto é que é obscuro...” - ele cadeadou.
– “’Tá bom. Mas você agora foi abstrato...”
A mocinha jamba e batom trouxe: fatias de queijo minas em pratos e cafés em xícaras piradas embaixo. Tomamos.
...enfiamos a viola no saco e derretemos ru’afora.
Imagem: by alexander queiroz
quarta-feira, 3 de março de 2010
CADA UM CADA UM

Sob o título "Cada macaco no seu galho", oito famosos advogados criminalistas assinam artigo na edição desta terça-feira do jornal "O Estado de S. Paulo" em que criticam a Ordem dos Advogados do Brasil por pedir a prisão e o bloqueio dos bens do governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM).

Fonte: BLOG DO FRED in Folha on Line/Blogs da Folha
Frederico Vasconcelos, 64, nasceu em Olinda, Pernambuco. É formado em Jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco. Exerce a profissão desde 1967. Começou sua carreira em Recife, como repórter da sucursal Norte/Nordeste da revista "Manchete".
Imagem superior by WEB
terça-feira, 2 de março de 2010
DA FRUSTRAÇÃO DO "BLOGGEVENTO" À JUSTIÇA DAS CAVERNAS

Em janeiro recebi e-mails que os crera vírus. Em princípio não os respondi. Depois, à insistência dos autores, m’causaram espécie; uns com ar d’dissimulada consulta causídica, outros com gratuitas e públicas provocações a terceiro sem nenhum vínculo a mim. Todos citavam um bloggevento malogrado, e por isso bloggridicularizavam seu idealizador.
Nunca é tarde para respostas. Mesmo a anônimos (tenho-lhes as identificações), dos quais não discordo, contanto que – ao contrário de como agiram – não agridam terceiros ou ironizem-me, sob qualquer circunstância, com ou sem razão. No caso era e é sem!
Vieram d’blogueiros que admiravelmente antes exaltavam a amizade, a humanidade, a solidariedade, entre outras virtudes. Todavia, um incômodo financeiro pessoal lhes deixou o mundo de cabeça pra baixo, tudo invertido. Pretendendo induzir-me a um partido no episódio, com rigidez e peso de bigorna, punham em pregos quem reputavam culpado. Faziam a “justiça das cavernas”, não obstante a evolução da espéci’umana!
Só depois de muito bloggalardear(em) foi que ocorreu ao(s) desarrazoado(s) autor(es) buscar(em) orientação – pasme-se – bloggjurídica. Ora, diante da certeza moral, de direito e de justiça, de que a lei que me ampara contra um “inimigo” também deve assisti-lo contra mim, então três advertências (e não gratuitos conselhos) se me revelam pertinentes:
- a uma; se ao comerciante, pelo Código de Defesa do Consumidor, é vedado expor ao ridículo um seu cliente devedor, colando na parede interna da loja ou caixa um cheque devolvido, logo, a mesma via vale ao cliente insatisfeito com tal comerciante. E mais, se reclamada em Juízo, até por suposto culpado pelo débito ou por credor, a indenização por dano moral (e material, se provada!) pode ser pleiteada, independente de eventual condenação em pagar o débito;
- a duas; débitos não se exigem por blogs nem em delegacias de polícia. Quem quer receber dinheiro ou bem de direito, antes de gratuita confusão ou iniciativa emocional por conta de acordo amigável não obtido, vai direto ao JUDICIÁRIO, à Justiça comum, com custas iniciais, despesas processuais no trâmite, e advogado contratado, ou aos Juizados Especiais Cíveis, sem custas nem advogado se inferior o pedido ao equivalente a quarenta salários. Nessas instituições é que são ouvidas as partes, sobretudo o que tem a dizer o(s) réu(s)! Tudo polidamente.
- a três; mesmo blogueiro, o advogado segue profissional, sobrevive do seu ofício. Não se coloque água em óleo; são distintas coisas. Por isso, tratando-se o caso de aventado descumprimento contratual, não posso deixar de atribuir a “e-mails-consultas” de mais de 400km da sede de meu escritório, senão o de tergiversado abuso e desconsideração a mim. Ao derredor do(s) autor(es) havia (e há sempre) um(a) advogado(a) para lhe(s) atender melhor que eu. Não se despreze o valor e a força de um olhar.
Quem me conhece sabe o que penso sobre apego, materialismo, capitalismo e que-tais. Minha PAZ DE ESPÍRITO É (e não está!) acima disso! Todo ano doo – no MÍNIMO UM – atendimento de cabo-a-rabo num processo judicial, sem honorários. Porém para isso não abro mão da seleção pessoal! Amigo não explor’Amigo... Isto é um fato em minha vida!
Imagem: by web
segunda-feira, 1 de março de 2010
TRAZEND'O QUE S'ACHÔ...

(Pra onde meu vento sopra. ¿O que é que há do lado de lá?)
Dois meses, sem postagens. Caqui verde amarra. Lapso longo, sei, desde que vi este megafone em palheiro procurado sobolhos meus d’indignação a coisas que não m’compraziam! Aliás, tudo tem ínsita essência d’propósito. Há que s’saber lidar com olho d’rumo vindo d’boi bravo, árvore tombando e chiclete em sapato.
Mochilad’idéias na cabeça, varapau à mão, a blogcaminhada. No adiante das curv’escuras da viv’estrada, fui assomar vistas no d’lá mais alto d’onde as planícies s’humilham à vaidade dos morros. Testifiquei o júbilo pueril dos verdes, tomei entrededos finados colmos e palhas. Betei-me entre mortos tocos por raios. Papagaios!, vi quantos tantos! Ouvi chiar riachos e os demais caudais. O alto atrai zóios, mas dá tontura, estrada nova é sempre d’vigoroso colorido. Pernibambo, em confluência d’exatos indos trechos e horas, até pedras dizindicaram-me pontos d’sombras, frondes d’comprazimentos.
A blogjornada rendia. Diapósdia. Podia, eu ia: amigos fui’ncontrando. Uns somaram meu destraçado blogdestino – e ainda estão. Outros enveredaram sendas próprias, m’deixando esplêndidas marcas que nadanada delirá!
Mas à perda (sinistra) das postagens anteriores, bem no dia 29 de junho de 2009 – níver d’nascimento do meu Autor-Mor, J. G. Rosa, e dois dias antes do meu –, até hoje não m’conformei, coxeei. Ao mautor da tã desobra, q’destampei, dei meu’nânime impeachment (...tá na moda, né?).
Mesmo d’alma ferida, nunca desisti; não digo (nem direi) nem disse que. Masquei dias d’solidão d’ideal, cuspi: recriei o blog em 04.08.09. Buraco é monte d’cabeça pra baixo.
Dessas dobras do fole na sanfona da vida que observi, por bimeses em estojo dormida, colhi: o amplo carece d’exíguos, assim como o mosaico é cor, pastilhas.
Portanto, perdurando o outrora desenhado, deitando a ordem íntima no d’lá dos balaústres deste bloggespaço – ...desimportam qu’enganos pairem; respeito blogtodomundo, mas ¿como deslembrar d’meu tão visável ofício? –, doravante, ressalva feita, TODOS os demais temas serão aqui constitucionalmente tratados, mesmo os com-febres. À compita nunca fui nem vou! Sol é ouro, nasce pra todos, só é preciso acordar d’manhã.
Sigo pra ond’estilo e vento m’sopram... ¿O que é que há do lado d’lá? Vamos ver’então?...
Imagem: by www.clubedecicloturismo.com.br
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
LEVAN'O Q'SOBRÔ...

Fiq' trist' não... 2010 eu vórto!
Imagem: by arquivo pessoal José Roberto Balestra
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
domingo, 13 de dezembro de 2009
ENTRE O RASO E O PROFUNDO
Quanto a mim, não posso nem consigo jamais concordar com isso, embora seja de se respeitar (tenho de), porém, o faço dentro de minhas reservas ora esclarecidas.
A afeição, o apego, a dedicação, a amizade, enfim, são sinônimas e variadas formas de um sentimento que todos temos; o AMOR. Quem sou eu pra dizer o contrário, não?! Não ousaria! Nunca!
Pois é. Mas há quem, com singular maestria, saiba aplicá-lo sem essa sinonímia, dar sentido especial a cada termo desses sem baralhar-lhes os fins, serem verdadeiramente exatos sem sucumbir a mais reles das ladeadas variantes. São os que sabem – prescindindo de qualquer signo – deixar marcado pra sempre no profundo da gente, sem ferro a frio ou a fogo, o nosso lado esquerdo, o indissipável sinal.
São os que, antes de nós, percebem sentidos que se nos esquivam, notadamente os espirituais. É que tem eles a incrível faculdade de tomarem conhecimento imediato de um sentimento nosso dentro do pleno de sua realidade, na exata hora em que se nos dá um anseio revoluteante; conseguem ver e sentir nossa felicidade e também nossas angústias, nossas saudades, nossas expiações e ansiedades.
Vendo-nos com esses sentimentos, são os únicos que de fato sabem entregar-nos o cálice do amor, do amor solidário, o amor de se só ter-nos por perto, de ver e ouvir nossa voz, a mais pura forma de
Carrego e sinto gravado em meu coração, como se a ferro a fogo, a marca do AMOR que por inesquecíveis anos tão gratuitamente deles recebi.
...depois do dia cinzento e de tanta chuva por aqui ontem, como eu gostaria neste domingo de sol de poder pelas ruas aqui do bairro dar um passeio com vocês meus velhos amigos tão rotweillers, Billy & Bob!
Billy (à esquerda nas fotos), você talvez por ser mais novo, de outra geração, era mais jeitoso e fino nos passeios noss
...É, mas agora tudo são saudades, e terei de esperar até O DIA em que...
Billy & Bob, mesmo a despalavras, vocês alcançaram e ajudaram-me entre meus rasos e meus profundos!...
Por isso neste momento intuo-lhes os enigmas dos olhares de sorrisos que tantas vezes me deram.
Obrigado a vocês dois, de novo! Sempre o direi, enquanto...!!
Imagens: by arquivo pessoal josé roberto balestra
terça-feira, 24 de novembro de 2009
EU NÃO SEI DIZER NADA POR DIZER...
Eu não sei dizer nada por dizer
Então eu escuto
Se você disser tudo o que quiser
Então eu escuto
Fala
Lá lá lá lá lá lá lá lá
Fala
Se eu não entender, não vou responder
Então eu escuto
Eu só vou falar na hora de falar
Então eu escuto
Fala
Lá lá lá lá lá lá lá lá
Fala
Fonte: música FALA, composição by João Ricardo & Luli, com o grupo SECOS & MOLHADOS. Discos Continental. 1973.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Ah, que é que o bicho fez, que é que o bicho paga?
Com parárafos formatados respeitosa e especialmente para os leitores do blog, e segundo a grafia da época, 1958, a seguir uma das passagens mais emocionantes da iluminada narrativa rosiana, posta na boca do personagem RIOBALDO TATARANA, no livro Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa.
— "A que estão matando os cavalos!..."
Arre, e era. Aí lá cheio o curralão, com a boa animalada nossa, os pobres dos cavalos ali presos, tão sadios todos, que não tinham culpa de nada; e êles, cães aquêles, sem temor de Deus nem justiça de coração, se viraram para judiar e estragar, o rasgável da alma da gente - no vivo dos cavalos, a tôrto e direito, fazendo fogo! Ânsias, ver aquilo. Alt'-e-baixos — entendendo, sem saber, que era o destapar do demônio — os cavalos desesperaram em roda, sacolejados esgalopeando, uns saltavam erguidos em chaça, as mãos cascantes, se deitando uns nos outros, retombados no enrolar dum bolo, que reboldeou, batendo com uma porção de cabeças no ar, os pescoços, e as crinas sacudidas esticadas, espinhosas: êles eram só umas curvas retorcidas!
Consoante o agarre do rincho fino e curtinho, de raiv
a — rinchado; e o relincho de medo — curto também, o grave e rouco, como urro de onça, soprado das ventas tôdas abertas. Curro que giraram, trompando nas cêrcas, escouceantes, no esparrame, no desembêsto — naquilo tudo a gente viu um não haver de dôidas asas. Tiravam poeira de qualquer pedra! Iam caindo, achatados no chão, abrindo as mãos, só os queixos ou os topetes para cima, numa tremura. Iam caindo, quase todos, e todos; agora, os de tardar no morrer, rinchavam de dôr — o que era um gemido alto, roncado, de uns como se estivessem quase falando, de outros zunido estrito nos dentes, ou saído com custo, aquêle rincho não respirava, o bicho largando as fôrças, vinha de apêrtos, de sufocados.— “Os mais malditos! Os desgraçados!”
Agora começávamos a tremer. Onde olhar e ouvir a coisa inventada mais triste, e terrível — por no escasso do tempo não caber. A cêrca era alta, êles não tiveram fuga. Só um, um cavalo claro, quer o de Mão-de-Lixa e se chamava Safirento. Se aprumou, nas alças, ficou suspenso, cochilasse debruçado na régua — que nem que sendo pesado em balança, um ponto — as nádegas ancas mostrava para cá, grossas carnes; depois tombou para fora, se afundou para lá, nem a gente podia ver como terminava. A pura maldade! A gente jurava vinganças. E, aí, não se divulgava mais cavalo correndo, todos tinham sido distribuídos derrubados!
Aquilo pedia que Deus mesmo viesse, carnal, em seus avessos, os olhos formados. Nós rogávamos as pragas. Ah, mas a fé nem vê a desordem ao redor. Acho que Deus não quer consertar nada a não ser pelo completo contrato: Deus é uma plantação. A gente — e as areias. Aturado o que se pegou a ouvir, eram aquêles assombrados rinchos, de corposo sofrimento, aquêle rinchado medonho dos cavalos em meia-morte, que era a espada da aflição: e carecia de alguém ir, para, com pontaria caridosa, em um e um, com a dramada dêles acabar, apagar o centro daquela dôr.
Mas não podíamos! O senhor escutar e saber — os cavalos em sangue e espuma vermelha, esbarrando uns nos outros, para morrer de não morrer, e o rinchar era um chôro alargado, despregado, uma voz dêles, que levantava os couros, mesmo uma voz de coisas da gente; os cavalos estavam sofrendo com urgência, êles não entendiam a dôr também. Antes estavam perguntando por piedade.
— “Arre, eu vou lá, eu vou lá, livrar da vida os pobrezinhos!...” — foi o que o Fafafa bramou. Mas não deixamos, porque isso consumava loucura. Não dava dois passos no eirado, e ele morria fuzilamento, em balas se varava, ah. Agarramos segurado o Fafafa. A gente tinha de parar prêsa dentro de casa, combatendo no possível, enquanto a ruindade enorme acontecia.
O senhor não sabe: rincho de cavalo padecente assim, de repente engrossa e acusa buracões profundos, e às vezes dão ronco quase de porco, ou que desafina, esfregante, traz a dana dêles no senhor, as dôres, e se pensa que eles viraram outra qualidade de bichos, excomungadamente. O senhor abre a boca, o pêlo da gente se arrupeia de total gastura, o sobregêlo. E quando a gente ouve uma porção de animais, se ser, em grande martírio, a menção na idéia é a de que o mundo pode se acabar.
Ah, que é que o bicho fez, que é que o bicho paga? Ficamos naquelas solidões. Alembrar que tão bonitos, tão bons, inda ora há pouco êsses eram, cavalinhos nossos, sertanejos, e que agora estraçalhados daquela maneira não tinham nosso socorro. Não podíamos! E que era que queriam êsses hermógenes? De certo seria tenção deles deixar aquêles relinchos infelizes em roda da gente, dia-e-noite, noite-e-dia, dia-e-noite, para não se agüentar, no fim de alguma hora, e se entrar no inferno?
Senhor então visse Zé Bebelo: êle terrivelmente todo pensava — feito o carro e os bois se desarrancando num atoleiro. Mesmo mestremente êle comandava: — “Apuremos fogo... Abaixado...” —; fogo, daqui, dali, em ira de compaixão. Adiantava nada. Com pranchas de munição que a gente gastasse, não alcançávamos de valer aos animais, com o curral naquela distância. Atirar de salva, no inimigo amoitado, não rendia. No que se estava, se estava: o despoder da gente. O duro do dia.
A pois, então, me subi para fora do real; rezei! Sabe o senhor como rezei? Assim foi: que Deus era fortíssimo exato — mas só na segunda parte; e que eu esperava, esperava, esperava, como até as pedras esperam. “A faz mal, não faz mal, não tem cavalo rinchando nenhum, não são os cavalos todos que estão rinchando — quem está rinchando desgraçado é o Hermógenes, nas peles de dentro, no sombrio do corpo, no arranhar dos órgãos, como um dia vai ser, por meu conforme... Assim, d’hoje-em-diante doravante, sempre temos de ser: êle o Hermógenes, meu de morte — eu militão, ele guerreiro...” Assim o relincho em restos, trescortado. Aquêles cavalos suavam de derradeira dôr.
Agarrávamos o Fafafa, segurado, disse ao senhor. Mas, mais de repente, o Marruaz disse: — “A bom, vigia: olha lá...” O que era. Que êles — quem havia de não crer? — que êles mesmos agora estavam atirando por misericórdia nos cavalos sobreferidos, para a êles dar paz. Ao que estavam. — “As graças a Deus!...” — exclamou Zé bebelo, alumiado, com um alívio de homem bom. — “Ah, é marmo!” — o Alaripe exclamou também. Mas o Fafafa nem nada não disse, não conseguia: o quanto pôde, se assentou no chão, com as duas mãos apertando os lados da cara, e cheio chorou, feito criança — com todo o nosso respeito, com a valentia ele agora se cho
rava.Aí, então, se esperou. Durado de um certo tempo, descansamos os rifles, nem um tirozinho não se deu. O intervalo para deixar a êles folga de matarem em definitivo nossos pobres cavalos. Mesmo quando o arraso do último rincho no ar se desfez de vez, a gente ainda se estarrecia quietos, um tempo grande, mais prazo — até que o som e o silêncio,e a lembrança daquele sofrer, pudessem se enralecer embora, para algum longe. Daí, depois, tudo recomeçou de novo, em mais bravo. E nisto, que conto ao senhor, se vê o sertão do mundo. Que Deus existe, sim, devagarinho, depressa. Êle existe — mas quase só por intermédio da ação das pessoas: de bons e maus. Coisas imensas no mundo. O grande-sertão é a forte arma. Deus é um gatilho?
(...)”

Fonte: Grande Sertão: Veredas by João Guimarães Rosa
Livraria JOSÉ OLYMPIO Editora.
Rio de Janeiro. 2ª edição. 1958, pp. 320/24.
Imagens: 1 - by Miguel Riopa/AP; 2 - by Jornal "O Coura"/Portugal
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
ELES SE ENCANTARAM...
...Sô Arcides (Alcides Balestra), como eu o chamava, um velho pescador de rios e que adorava criar neologismos com os nomes das pessoas, um gozador de primeira grandeza. Aí na fotografia por mim tirada quando passamos por Camboriú, indo para Criciúma onde encontramos um calorão de 43 graus. Sempre me acompanhava nas viagens de meu trabalho... Nessa viagem ríamos muito no carro quando o rádio tocou "Aqui pra ela", com Teodoro & Sampaio, enquanto descíamos a Serra do Mar, chegando em Garuva...


...Eurico Sanches, como me fazem falta as suas piadas, a sua alegria, essa sua cara de safado, a voz quase mineiramente fanhosa, as lembranças da gente "aprontando" no Colégio Paroquial e dando trabalho para as Irmãs Carmelitas, suas algazarras especiais, umas até inconfessáveis, mas que não vou contá-las aqui não, tá? Deixa pra outra volta...
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
UTILIDADE PÚBLICA: URGENTÍSSIMO!!!
"terça-feira, 27 de outubro de 2009
Meus amigos
Estou desesperada, muito aflita meu filho CAIO HENRIQUE PSCHEIDT (foto) saiu de casa no sábado, foi visto pela última vez em Campo Alegre-SC indo em direção a Joinville-SC.sexta-feira, 23 de outubro de 2009
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
DIA DO PROFESSOR
Ao fundo, assistindo a Mestra Rozinha entregar-me o primeiro diploma, o sorriso lindo da professora de meus primeiros passos, mamãe Elvira, a Dona Viróca... saudades!
terça-feira, 13 de outubro de 2009
MOTO PERPÉTUO

sexta-feira, 9 de outubro de 2009
B'anoite! & Té'manhã...


